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E aí scoretrackers?
Antes de mais nada, duas perguntas: você por acaso já assistiu a alguma produção
do gênero terror e morreu de rir com ela? Já se sentiu injustiçado por gostar
de um filme que não teve o reconhecimento merecido? Se a resposta foi positiva
para ambas as perguntas, você sem saber é um apreciador de filmes trash
e adepto da onda dos cult-movies. Esta nova seção, a Cults & Trash,
tem como objetivo analisar "pérolas" do gênero trash e alguns
filmes que hoje são considerados cult. Mas o que significam essas
palavras? Tentarei explicar a seguir.
O
termo cult
foi criado para designar filmes que em sua época de lançamento foram passados
despercebidos pelo grande público, talvez pela concorrência com grandes produções,
ou porque o filme não teve o marketing necessário, ou a intenção não
era tal. Os cults se popularizaram principalmente na década de 80 com o
advento do videocassete, onde certos filmes se tornaram acessíveis para uma
apreciação mais apurada, e novos clássicos foram descobertos. Geralmente os méritos
de um cult-movie só são percebidos depois de um certo tempo de sua
exibição. Um exemplo é Blade Runner, de Riddley Scott, que na época
do lançamento foi um fracasso total, sendo depois redescoberto e relegado ao
plano de "o cult por excelência".
Já
a denominação trash
caracteriza as produções de baixíssimo orçamento e, em alguns casos, de
qualidade duvidosa. Nesse gênero todos os clichês são possíveis: mocinhas
“OO” avantajadas, adolescentes inconseqüentes e imorais, psicopatas sádicos,
cães e gatos extra-sensoriais, enfim... são produções feitas para morrer de
rir. O grande expoente (um pouco atual) do gênero é o Evil Dead (A
Morte do Demônio) de Sam Raimi (apesar de haver uma ironia aqui, pois o
filme é "absurdamente"
bom). O diretor com um orçamento
mínimo criou um clássico trash. Na minha opinião, os anos 80 foram os
mais produtivos no gênero, e hoje infelizmente essas produções são raras.
A primeira produção
analisada na verdade é uma série. Escolhi começar com os filmes estrelados
por Chucky, o Brinquedo Assassino. Quem na sua infância nunca se
assustou com as maldades do boneco? E com a expectativa de O Filho de Chucky (novo
filme da franquia), não encontrei momento mais oportuno. Quanto à sua
classificação, acho que se enquadraria mais cult do que como trash.
Cult porque o orçamento da série foi aumentando conforme os filmes
foram feitos, e grana sobrando não é uma característica trash. Mas a
classificação final deixo com vocês. As análises que seguem tem os seguintes
parâmetros de classificação:
- Mortes:
Aqui foi analisada a criatividade dos homicídios realizados no filme;
- Inspiração de Chucky: O humor do
boneco ao longo do filme. Se Chucky fez piadas de efeito, performance física;
grosso modo, seria a interpretação do boneco (!);
- Nota Final: De acordo com o
desempenho dos quesitos anteriores.
Divirta-se!
Brinquedo Assassino - Child´s Play, 1988
Direção de Tom Holland. Com: Catherine Hicks (Karen Barclay), Alex
Vincent (Andy Barclay), Brad Dourif (Charles Lee Ray / Voz de Chucky) e outros.
No
primeiro filme da série conhecemos Chucky em seu estado real: um assassino frio
que, em fuga e moribundo, não vê outra opção a não ser transferir a sua
alma para um boneco.
Antes de morrer, o psicopata agarra-se ao brinquedo e entoa um cântico vodu.
Incorporado ao boneco, ele volta a praticar crimes pelas redondezas.
Conhecemos então Andy, um garoto criado pela TV e no momento obcecado por um
"Bonzinho", o tal boneco citado anteriormente. Após as reviravoltas da
trama, Chucky acaba parando nas mãos de Andy (Alex
Vincent) e tenta de todas as formas tomar a alma do garotinho - caso contrário
a sua ficaria presa no brinquedo pelo resto da vida. Brinquedo
Assassino surgiu numa época onde as produções do gênero pecavam pela
mesmice e falta de criatividade. O período devia estar "brabo" mesmo,
pois a história absurda do filme caiu no gosto de todos. O já experiente Tom
Holland (A Hora do Espanto) criou uma história que brincava com o imaginário
dos adultos e, ao mesmo tempo, aterrorizava as crianças. Confesso que era uma
delas e estranho era o prazer que
tinha ao assistir esse filme, era algo até masoquista pois sabia que, no final,
não conseguiria dormir ou ficaria pensado em Chucky, mas mesmo assim assistia.
Tecnicamente o primeiro filme da série segue o padrão das produções do gênero:
mais trash impossível. Brad Dourif
imortaliza o boneco emprestando sua voz e os efeitos especiais são notáveis
para o parco orçamento. O clima criado no filme contrasta o
tema pesado com toques de inocência, e os acontecimentos nos levam a um clímax
inesquecível.
O Brinquedo
Assassino pode ser considerado como uma metáfora aos nossos hábitos
desesperados e desenfreados, onde a situação nos proporciona criar paranóias
de todos os tipos. Ou talvez não seja nada disso, e a intenção do filme seja
apenas entreter.
MORTES - *****
INSPIRAÇÃO DE CHUCKY - *****
FILME - ****½
Brinquedo Assassino 2 – Child´s Play 2, 1990
Direção de John
Lafia. Com: Alex Vincent (Andy Barclay), Jenny Agutter (Joanne
Simpson), Gerrit Grasham (Phil Simpson), Christine Elise (Kyle), Brad Dourif
(Voz de Chucky).
Dois
anos depois, Chucky continua com sua busca mortal para tomar o corpo de Andy.
Devido ao sucesso do primeiro filme essa continuação contou com uma produção
mais elaborada, e acabou se tornando o preferido dos fãs da série. Chucky está
cada vez mais irônico e criativo. A trama, apesar de repetir a insistência do
boneco em se apossar da alma de Andy (e vodus não faltam nesse filme), traz
elementos novos como Andy em uma nova família (sua mãe, considerada louca, foi
internada), e tomadas na escola de Andy. Uma característica que mantém essa
continuação parecida com o original é o elemento de cumplicidade e medo que o
boneco desperta no publico. Ao mesmo tempo que é cruel, Chucky (aqui me refiro
a crianças sádicas, e fui uma delas!) realiza os desejos de quem acompanha
suas peripécias. Alerta: não estou fazendo apologia da violência ou pregando
que os atos do boneco, são em tudo
corretos, mas a surra que ele dá na professora (ressalto), apesar de sua violência,
tem um certo de ar de satisfação de desejos profundos. Pode ser que sejam
devaneios meus e talvez esses "estranhos
sentimentos" levaram o filme a nunca mais ser exibido em rede aberta, mas
enfim... mudando de assunto, Chucky está perfeito nesse filme.
A produção segue
os clichês do gênero. Ninguém acredita em Andy até o boneco aparecer de fato
para matar o infeliz, a irmã rebelde detesta o caçula, mas depois se torna o
seu maior aliado... O que salva são algumas novas tiradas como Chucky
enfrentando a concorrência e elementos novos envolvendo a procedência do vodu.
A parte final é antológica. Podem parecer patéticos esses elogios, mas a função
dessa seção é justamente encontrar méritos nessas produções.
Enfim, este é o
melhor filme da série.
MORTES - *****
INSPIRAÇÃO DE CHUCKY - *****
FILME - *****
Brinquedo
Assassino 3 – Child´s Play 3, 1991
Direção: Jack Bender Com:Justin
Whalin (Andy Barclay), Perrey Reeves (Kristin De Silva), Jeremy Sylvers (S.
Tyler), Travis Fine (Shelton)
Nessa terceira
incursão, a franquia começa a dar sinais de cansaço. Escrita pelo mesmo
roteirista da saga, Don Mancini, é incrível como Brinquedo Assassino 3
é um filme tão aborrecido. Talvez em razão do tempo de intervalo de um filme
para outro, que foi curto, ou porque as idéias já estavam esgotadas.
Infelizmente o filme tem um temática militarista (início dos anos 90, final da
guerra fria... os EUA tentavam justificar a tensão criada mostrando valores
militares), e Chucky acaba prejudicado. A trama dessa vez traz novos personagens,
e Andy é interpretado pelo adolescente Justin
Whalin. Chucky, apesar ser recriado mais uma vez,
decide ir atrás de Andy para definitivamente deixar a vida de boneco, e acaba
descobrindo que o garoto está num quartel militar. Ao chegar no local percebe
que Andy já está mais velho, que é muito mais fácil dominar um novo pirralho
e parte em busca dessa nova vítima. Sinceramente, há tantas incoerências e
absurdos nesse filme que eles me impedem os risos (e isso é grave). A desculpa
que o roteirista encontrou para justificar a nova vítima de Andy é revoltante
e muda o conceito de toda série: Chucky só pode brincar de "esconder a
alma" com a primeira pessoa a quem ele contou seu segredo. Ora, essa sentença
é totalmente ignorada nesse filme. Efeitos especiais
razoáveis, mortes razoáveis, filme razoável. Infelizmente esse foi o fim da
trilogia dos "filmes sérios" de Chucky.
MORTES - ***
INSPIRAÇÃO DE CHUCKY - ***½
FILME - ***
É
claro que os novos filmes da série, que foi incrivelmente ressuscitada por Ronny
Yu (Freddy Vs. Jason), não serão ignorados. A série caminha para o
tom de auto-paródia e se reinventa de maneira espetacular. Em breve comentarei A
Noiva de Chucky juntamente com O Filho
de Chucky, para que se tenha uma dimensão mais ampla dessa nova franquia.
Até a Próxima!
Alex Oliveira
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