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DECAI UMA ESTRELA!
(e
não estamos falando da Judy Garland nem da Barbra Streisand...)
Esta
é uma edição especial extra e urgentíssima da Cults & Trash!
Como
anda noticiando todo, mas todo telejornal revista, site, enfim... a mídia
em geral, está ocorrendo em Los Angeles um julgamento. Até aí tudo bem, não
fosse o julgamento do querido, amado, idolatrado, bizarro... MICHAEL JACKSON!
Sim galera, o próprio... Mais uma vez ele está sendo acusado de pedofilia e
agora as provas, além de evidentes, são graves. Encontraram até material
pornográfico no rancho do rapaz.
A grande mídia prá variar tratou de fazer alardes e tachar o acontecimento
como "O JULGAMENTO DO SÉCULO", e isso não deixa de ser uma verdade. Jacko
fez com que sua vida, de uns anos pra cá, se tornasse um verdadeiro
espetáculo, um reality show de proporções estelares. Primeiro foi seu
espantoso embranquecimento devido ao vitiligo (doença que tira a pigmentação
original da pele) e suas sucessivas plásticas, depois foi sua conturbada vida
íntima (casamentos luxuosos dissolvidos em uma semana, bebês sendo balançados
nas alturas), para culminar nas acusações de abusos de menores. Sintetizando:
uma vida agitadíssima, digna de um popstar.
 Uma
pequena retrospectiva da vida do rapaz: Jackson fazia parte do conjunto Jackson
5, conduzido por mãos de ferro pelo pai da família. Grande sucesso na
década de 70, o grupo emplacou diversos hits nas paradas e fez com que Jackson
encarasse carreira solo. Uma criativa parceria com o produtor/compositor Quincy
Jones fez Michael conquistar o coração do mundo inteiro. Off the Wall
é lançado e tem um sucesso tremendo, renovando o gênero black-music.
Mas foi o fenômeno Thriller que fez Jackson conquistar o reino da
música pop e conseqüentemente fazer os fãs de súditos. Álbum mais
vendido da história e laureado com 11* Grammys (o Oscar da música), o disco
foi quem ditou os rumos da música pop na década de 80. Nele, Jackson
repetiu a parceria com Jones e Paul McCarthney* fez uma ilustre participação.
Porém Thriller não revolucionaria apenas o meio musical. Jackson iria
brincar com a psiquê das pessoas através das imagens - o videoclipe de "Thriller",
dirigido pelo então prestigiado John Landis, é lançado. Concebido para ser
uma pequena obra-prima do gênero, ele é um curta-metragem onde Jackson explora
seu fascínio por lobisomens e criaturas bizarras. Tudo funciona: desde as
coreografias, maquiagem (do mestre Rick Baker) e a antológica narração de
Vincent Price (mais trash impossível), tudo em 14 minutos de pura magia.
O fato é que depois desta febre, Michael se interessou pela coisa e resolveu
"dançar" na telona, e aí chego no ponto que queria: Moonwalker.

Antes de tudo o filme é uma grande propaganda anti-drogas. Michael (um
extraterrestre!) precisa combater o vilão Mr. Big (Joe Pesci) e seu exército
de drogados. Infelizmente tudo é tratado de forma clichê, e o roteiro é
apenas um pretexto para uma sucessão de music-videos do astro. Vale
registrar a paródia da música "Bad" feita por criancinhas fanáticas
por Jackson. O musical chega a ter momentos memoráveis (Jackson virando um
robô), porém como efeitos de mera distração para que esqueçamos da
narrativa ausente. Mas arrisco afirmar que o filme vai acabar virando cult
(se já não é) daqui um tempo, acentuando o status caso o "Rei do Pop"
seja mesmo condenado.
Jackson é uma
figura contraditória? Sim. Ele pega criancinhas? Quem sabe... E é uma pena o
inferno astral que o cantor passa. Esquisitices à parte, é de se admirar a sua
capacidade de se sobressair numa sociedade tão preconceituosa que é a
americana. Jackson fez com que todos ouvissem a música em uníssono, sem
distinções étnicas e repito, isto é admirável. Os problemas pelos quais
passa são apenas reflexos de uma carreira mal conduzida, e como dizem alguns,
por sua excentricidade (algo não discutível, ainda temos o livre arbítrio!).
Perdemos um talento. A música pop lamenta.
Alex Oliveira
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