Cults & Trash
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miopia social

Scoretrackers, um conselho: Cancele todos os possíveis blockbusters programados para este fim de semana, tenha um Guia de Cinema em mãos e corra para ver “Crianças Invisíveis” como um ato benéfico à sua visão de mundo. Exagero? Não, um alerta! Composto por sete episódios que retratam histórias de seres “ocultos” à nossa sociedade excludente – crianças de rua, abandonadas –  o filme faz você querer rever valores.

Cineastas do calibre de Spike Lee, John Woo, Emir Kusturica, Kátia Lund, etc. se uniram ao projeto “Todas Crianças Invisíveis” da UNICEF (Fundação das Nações Unidas para a Infância) para trazer à tona a infância perdida à custa de maus-tratos, violência, miséria, guerras... E o resultado é arrebatador.

Todos são impactantes à sua forma. Se o episódio do Ridley Scott pode soar lúdico e chato,  o da brasileira Kátia Lund (que co-dirigiu Cidade de Deus) é o melhor.  No curta, Bilu e João, meninos de rua, teriam mil e um motivos para optar pelo mundo do crime, mas não: os “invisíveis” nacionais, como todo brasileiro de bem, vencem as adversidades de forma honesta e bem-humorada. A tarefa é simples: juntar dinheiro para a construção do sonhado barraco no competitivo mercado dos catadores de papelão. Na jornada as inúmeras dificuldades parecem não abalar os pequenos que demonstram garra, inteligência e criatividade ímpares. O plano final do curta forma um painel desconfortante do país. Os grandes prédios provavelmente engolirão os sonhos de Bilu e João. E a exceção infelizmente pode se tornar a regra.

Já nascido com aura cult (a quantidade de salas que exibe o filme é mínima), Crianças Invisíveis não pretende ser apenas filme militante de uma causa, muito menos fazer ode e criticas às Instituições. Seu maior esforço concentra-se justamente ao tentar fazer com que enxerguemos  a realidade  destas crianças  fora da ficção,  em ser um antídoto para a nossa miopia social.

 alex oliveira 

nos cinemas

Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, Itália, 2005) Cotação: Regular


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