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Cults & Trash |
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miopia social |
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Cineastas do calibre de Spike Lee, John Woo, Emir Kusturica, Kátia Lund, etc. se uniram ao projeto “Todas Crianças Invisíveis” da UNICEF (Fundação das Nações Unidas para a Infância) para trazer à tona a infância perdida à custa de maus-tratos, violência, miséria, guerras... E o resultado é arrebatador. Todos são impactantes à sua forma. Se o episódio do Ridley Scott pode soar lúdico e chato, o da brasileira Kátia Lund (que co-dirigiu Cidade de Deus) é o melhor. No curta, Bilu e João, meninos de rua, teriam mil e um motivos para optar pelo mundo do crime, mas não: os “invisíveis” nacionais, como todo brasileiro de bem, vencem as adversidades de forma honesta e bem-humorada. A tarefa é simples: juntar dinheiro para a construção do sonhado barraco no competitivo mercado dos catadores de papelão. Na jornada as inúmeras dificuldades parecem não abalar os pequenos que demonstram garra, inteligência e criatividade ímpares. O plano final do curta forma um painel desconfortante do país. Os grandes prédios provavelmente engolirão os sonhos de Bilu e João. E a exceção infelizmente pode se tornar a regra. Já nascido com aura cult (a quantidade de salas que exibe o filme é mínima), Crianças Invisíveis não pretende ser apenas filme militante de uma causa, muito menos fazer ode e criticas às Instituições. Seu maior esforço concentra-se justamente ao tentar fazer com que enxerguemos a realidade destas crianças fora da ficção, em ser um antídoto para a nossa miopia social. alex oliveira |
![]() nos cinemas Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, Itália, 2005) Cotação: Regular |