Cults & Trash
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Ok, o Dia das Crianças já passou, o otário que vos escreve mais uma vez atrasou com o expediente mas... e daí? Todos já fomos crianças e com certeza (é o que suponho já que você esteja lendo este texto) já assistiu pelos menos um dos filmes que serão citados aqui. A Cults & Trash, mais uma vez com apelo nostálgico, convida os Peter Pans de plantão (não, você não Michael...) a uma viagem com toques, ares e inocência infantis. Se você é um consumidor voraz da cultura pop e adora um Top-Qualquer-Coisa, aí vai: TOP 5 CULT – 5 RAZÕES PARA VOCÊ, SEU ADULTO FRUSTRADO, QUERER VOLTAR A SER CRIANÇA.

O mundo já não é mais o mesmo. Todos perderam as esperanças que foram maliciosamente depositadas em lustrosas malas negras. O futuro guarda seus anseios no passado.. Presenciamos a renúncia de grandes ícones, a queda de cavaleiros compromissados com o bem-estar e a ordem da galáxia... até bonecos (peças criadas para o bem) se revoltam e cometem atos inescrupulosos. Já não há mais caminhos. Sim, admita meu caro leitor, você já está estupefato de todo este caos e aposto que no seu íntimo, naquele lugar que só você e sua voz podem chegar, já se lembrou com muita alegria dos seus áureos tempos de criança. Quando tudo era festa e irresponsabilidade, quando tirar notas significava majestosos presentes e tudo em você (inclusive seu comportamento horrível) era de sinal de festas e sorrisos.

MUSIQUINHA DO PLANTÃO DA GLOBO

LOCUTOR: Interrompemos nossa programação para informar que, conforme as regras do Sindicato dos Colunistas da Internet, textos direcionados a um público jovem e com sede de coisa rápida, não devem conter questões ufanistas e em nenhum caráter críticas que possam abalar, chocar ou proporcionar qualquer tipo de constrangimento à majestosa administração do País.

Ok, ok sem delongas, vamos ao Top 5 e se você não se identificar com nenhuma das célebres produções citadas baixo, corra para uma clínica psiquiátrica! E-mails mal-educados para esta coluna serão bem-vindos.

 

Poucos conseguem ser trash com estilo. Ainda mais num estilo trash! Crianças não são críticas, chatas e seletivas, querem apenas se divertir. Foi pensando nisso que uma turma muito irreverente se junta à Xuxa (se você já acompanha a coluna é desnecessário apresentar o ícone) e cria uma mistura de Indiana Jones, Star Wars (quando lembro do híbrido de chicote do Indy com o sabre de luz dos Jedis, mal posso conter o riso), Lawrence da Arábia... uma farofa bem ao gosto de Didi. Tudo muito divertido e trash. A abertura totalmente em animação já vale o filme todo. Xuxa aqui sofre nas mãos de um soberano-ditador que submete as crianças de um planeta deserto ao trabalho escravo. Cabe a Didi, Dedé, Mussum e Zacarias a missão de libertar a princesa e seu povo. Tudo muito engraçado e com efeitos-especiais até interessantes (sic!). Vale ressaltar que esta NÃO é a melhor aventura dos Trapalhões na telona (procure em DVD as outras – disponíveis pela Som Livre) sendo que Os Trapalhões e a Princesa... entrou no Top pois o colunista já mata dois coelhos com uma só paulada (mais uma péssima...).

 

Esta é mais uma escolha pessoal do que um consenso. Fábula dirigida com maestria por Alfonso Cuáron e adaptada do livro do mago escritor de histórias infantis Joah Ranh Dahl (do também fantástico O Jardim Secreto) a Princesinha é um pequeno clássico moderno encantando crianças com a história que realça os mais nobres valores infantis: a amizade, a capacidade de transformar situações difíceis em poesia. 1914, Simla, Índia: Sara Crewe (Lisel Matthews) é uma garota inglesa que vivia feliz, apesar de ser órfã de mãe. Quando eclodiu a 1ª Guerra Mundial seu pai, o capitão Crewe (Liam Cunningham), que pertencia ao exército inglês, tem que ir para a guerra. Porém antes vai a Nova York para deixar Sara num luxuoso internato para moças, no qual a mãe dela já estudara e que é administrado agora com mão de ferro pela Srta. Minchin (Eleanor Bron). A Srta. Minchin fica incomodada com a criatividade de Sara, que logo cativa a maioria das garotas. Um dia o Sr. Barrow (Vincent Schiavelli), o advogado do pai de Sara, chega no colégio para dizer que não haveriam mais pagamentos, pois o pai de Sara tinha morrido em combate. Minchin então faz Sara trabalhar como uma criada, para pagar sua estada ali.* Encantador.

Tá ok garotas, aqui o assunto é de “macho”. Pancadarias, torneios que sempre acabavam com muito sangue e uma mensagem redentora á contra-gosto (pausa pra respirar). Belas e frágeis garotas em perigo ou apenas uma tentativa de se sobressair numa sociedade perversa e exclusiva, nesta salada “anabolizada” onde os representantes da persistência por um ideal conseguiam encantar os pequerruchos. Apesar de todos condenarem filmes como o bélico Rambo, aposto que o mais radical conservador adorava ver Jean Claude Van Damme espancando (e fritando) o pingüim no deliciosamente violento Morte Súbita. Mesmo porque por trás das lutas coreografadas e dos bandidos (ora chineses, ora russos) sempre houve um forte ideal realçado nestas películas, estes fundamentais na formação do caráter da molecada: a persistência como fator que leva à conquista. E agora, comprando briga com todos psicólogos que estejam lendo esta matéria, recomendo: deixem seus pequenos se divertirem com a pancadaria explícita do Chuck Norris, sem maiores traumas e conseqüências.

Na lista de muitos aposto que é Top, mas por razões maiores (que podem ser conferidas no próximo parágrafo) o bondoso, altruísta e todos os malditos bons adjetivos que existirem, ficou com a medalha de prata. E.T é a maior expressão da essência infantil. Spielberg, a eterna criança, cria aqui sua obra-prima marcando a vida de muitos que se sensibilizaram com o drama de Elliot e seu amigo alienígena. É claro, há momentos em que Spielberg exagera no sentimentalismo, mas nunca cai na pieguice. Para mostrar que o diretor ambicionava criar um filme definitivo para as crianças, repare que a direção é totalmente voltada à perspectiva dos pequenos, os ângulos são cuidadosamente posicionados para que nos sintamos imersos numa fábula infantil. Uma obra-prima atemporal.

 

Porque toda criança quis ser ele quando criança. Porque toda criança sádica se identificou com ele em Anjo Malvado. Porque (pelo menos é o que dizem) saiu ileso dos ataques vorazes do popstar Michael Jackson e, assim como acontece com toda criança, CRESCEU E SUA VIDA VIROU UM TÉDIO. Os dois Esqueceram de Mim são obrigatórios no Natal de todo pivete, Meu Primeiro Amor e seu apoteótico final nos mostrou que nas histórias infantis nem todos os finais são felizes, Riquinho e a importância da amizade acima dos bens materiais e o “você não sabe do que uma criança fofa é capaz” em O Anjo Malvado – Macaulay Culkin foi a personificação de toda a geração mirim da sua época.

 

Quebrei as regras do Top! Aliás, trangressões não faltam no clássico de animação da Disney. Aqui o difícil  é escolher o que foi melhor. O nascimento de Simba e toda uma legião de bichos se curvando? Scar e toda sua ambição ódio e ambigüidade? As ótimas canções? Hakuna Matata? Putz, não resisto... Os seus problemas você deve esquecer... este é o hino que todos nós, adultos frustrados ou saudosos, deveríamos entoar! Que dane-se às responsabilidades, as frustações, o País... tente viajar pelo menos uma vez! Anarquia é a palavra de ordem. Anarquia é Hakuna Matata!!!!!!!!!

 

LOCUTOR CHATO DE NOVO: Este texto teve que ser encerrado por aqui devido a problemas técnicos. Meu Deus, ele está quebrando tudo! Alguém chame o segurança, por favor! Uma Boa-Noite.

 

TIMÃO E PUMBA!!!!!!!!!!!!

 

Acompanhamos a modernidade.
A modernidade é legal.
Odiamos Charlie Brown Jr & Capital Inicial.
Meu Deus, por tudo o que é sagrado... é horrível chucrute!
Meus caros scoretrackers, sem demoras, sem delongas... CORRA PARA O ORKUT!
A futilidade expressa na falta do estresse,
Meu amigo vote SIM, mas antes NÃO pense:

FILIE-SE COM TODA A HONESTIDADE,
À COMUNIDADE CULT E TRASH!

Alex Oliveira

*Fonte: Adoro Cinema

 

 

 

 

 

 

 


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