Cults & Trash
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Fevereiro 2005 - 1º Troféu ScoreTrash - Os Piores de 2004

Olá Scoretrashers!

Antes de tudo a matéria deste mês vai deixar o tom panfletário e ousado das matérias anteriores para simplesmente divertir a turma. Mas antes de tudo, vamos a mais um discurso panfletário e ousado! O regime democrático surgiu com a ânsia de se acabar com a tirania imposta por... tiranos, certo? Criamos uma nova forma livre de controlar controlando, e atrocidades foram cometidas em prol da liberdade vigiada. Mas agora vem a parte mais interessante de tudo isso! Nós não precisamos nos preocupar com essa bobagem... Diversão é a alma do negócio! E prá isso estamos aqui. Como prometido aqui está a matéria dos "destaques" de 2004. Foi posta uma enquete no Fórum de Discussões do ScoreTrack... e o resultado será comentado na coluna deste mês. Na matéria serão analisadas, em forma decrescente, 10 produções: as cinco primeiras são as decepções do ano, terminando com o que houve de pior – as cinco últimas. Divirtam-se, reflitam e discordem. Que se apaguem as luzes, a sessão vai começar!

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 10 – O Calcanhar de Aquiles.

Bem, 2004 não foi um ano de muitas grandes realizações no gênero blockbuster. Os que surgiram, ou eram continuações de sucesso já garantido, ou amargaram bilheterias irrisórias. Ano eleitoral no mundinho chamado EUA, o ar democrático influi em Hollywood. Muito se prometeu, nada se cumpriu. Temos como exemplo o blockbuster/épico do momento, Tróia (Troy, 2004). A adaptação de Homero e suas viagens (sem trocadilho, claro) apesar de contida em seu marketing (era a Warner morrendo de medo depois de recarregarem uma certa revolução) estava sendo um movimento aguardado pelos cinéfilos e admiradores do clássico literário A Ilíada. Os historiadores obviamente se mantiveram céticos, pois tudo o que vem dos gringos, ainda mais em tempo de eleição, é de se desconfiar. O filme foi lançado e não foi um novo Titanic (apesar da música do "versátil" James Horner). Na verdade foi até uma grande decepção. O texto do poeta foi mexido à revelia, contando com a criticada ausência dos deuses gregos. Mas o maior frisson veio em forma de coxas. Coxas? Sim, e para piorar as do másculo Brad Pitt. Gritaram a sete cantos que as coxas do rapaz não eram compatíveis com as de Aquiles (o famoso guerreiro bissexual e "invencível"). Criou-se então mais um cargo para a categoria dos dublês: o de coxas. Terrível, né galera? Quanta polêmica! O pior é que, nem com tanto fogo na lenha, Tróia não deixou de ser apenas um filme morno. E vendo por um lado bem abstrato, nesta história nós é que acabamos com o presente de grego...

Troféu ScoreTrash - EPISÓDIO 9 – Eu vejo gente morta nas histórias em quadrinhos desta vila!

M. Night "Shyalamão" que me perdoe, mas este não foi um ano bom pra ele. Só vou deixar o link com a crítica do meu companheiro Carlos Massari no ScoreTrack, e você vai entender do que estou falando. Só justifico a inclusão deste filme na lista pelo fato de que o diretor (e seus fãs esperam dele isso) se sente na obrigação de sempre dar uma revelação final e surpreendente em seus filmes... quando nem sempre estas tais surpresas funcionam.

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 8 – Os videogames imitam a vida real ou a vida real imita os videogames?

Não foi desta vez. Vou ser profético agora: dificilmente veremos uma adaptação bacana de um videogame nas telonas. E tomem Super Mario Bros (um futuro assunto da coluna), Double Dragon, Street Fighter e os recentes Tomb Raider, House of the Dead... para confirmar o tamanho desta lista! Em 2004 foi feita nova tentativa com Resident Evil 2 (Resident Evil – Apocalypse, 2004) e fracassaram novamente. O incrível é como dão conta de errar num gênero que obviamente foi inspirado no próprio cinema! A continuação da saga de Alice tentou ser um pouco mais próxima do universo dos games, mas acabaram por fazer uma salada indigesta (!). O final, citando o clássico Planeta dos Macacos, é risível. Que Silent Hill comprove sua superioridade também nas telonas. S.T.A.R.S!

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 7 – A Decepção Tupiniquim.

Muito se comentou e esperou deste filme. A campanha de marketing da arquipoderosa Rede Globo foi tremenda e instigou toda a população. Apesar de grande sucesso de bilheteria, Olga não passou de uma grande decepção. Não chega a ser um filme péssimo como muitos alardearam, mas também não convence. Por Olga Benário ser uma personagem tão fascinante na nossa história esperava-se um filme bem melhor. O roteiro caricatural nos mostra arquétipos: a turma do bem e a turma do mal (algo atualmente bem realçado numa "determinada novela da vida real", o que nos faz acreditar que a nossa inteligência é subestimada a tal extremos). Monjardim apenas se limitou a fazer um folhetim de duas intermináveis horas e se há algo que vale a pena no filme é sua parte técnica admirável. Bem galera, não tem muito o que rir nesta sétima posição, pois como somos brasileiros e não desistimos nunca vamos demonstrar nosso lado patriota e rir sim, das trapalhadas dos ianques!

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 6 – Hoje é festa lá na Universal, pode aparecer, vai rolar efeito especial! (Se você não conhece a música o título perde a graça, e se você quer rir com a gente corra e sintonize em qualquer emissora de rádio e vai entender do que estou falando... Mas silêncio! A projeção começou.)

E o que acontece quando Sthephen Sommers resolve dedicar um filme para seu pai? Abominações como Van Helsing. O diretor vinha com uma carreira promissora com o divertido A Múmia, mas começou a demonstrar sinais de alerta com a continuação da empreitada. A princípio Van Helsing até parecia o começo de uma franquia bacana, afinal reunir todos os monstros clássicos da Universal não deixa de ser uma boa idéia. Os ânimos aumentaram quando anunciaram Hugh Jackman no papel central, gerando mais ansiedade. Só que infelizmente o diretor não cumpriu a sua promessa, aliás cumpriu de um certo ponto de vista. Se você é adepto e tomou uma pílula alucinógena chamada Efeitos-Especiais, este é o seu filme. Já se você é um careta de carteirinha, vai achar tudo muito enfadonho e falso. Com este Van Helsing, Sommers só cumpriu (ou não cumpriu?) com a sina de tornar-se mais um diretor deslumbrado com os efeitos CGI, se esquecendo da premissa de que, para o sucesso, uma boa história é fundamental. Uma grande decepção (senão a maior) de 2004.

Cinéfilos de plantão, a Cults e Trash agora tem o prazer de apresentar as 5 produções mais grotescas e nefastas de 2004! Encham seus baldes de pipoca e quanto maior o barulho e a baderna, melhor!

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 5 – Um gato sem personalidade.

Preguiça, gula e ironia, querem personalidade mais perfeita? Jim Davis sintetizou todas estas caracterísitcas humanas na figura de um adorável animal: o gato Garfield. Criado nas tiras de jornais, o humor cínico do felino era impagável. Foi quando resolveram levar tudo pra telona. E o resultado disso foi decepcionante. Garfield (Garfield – O Filme, 2004) perdeu todo o seu cinismo em prol de uma trama banal e sentimental. Se não fosse Bill Murray (que dubla Garfield, que por sua vez é em CGI) e seu eterno mal-humor, a coisa seria pior. Mal recebido nos EUA e sucesso aqui no Brasil, isto poderia significar que nossas crianças (público ao qual o filme foi direcionado) teriam mais bom gosto que as do Hemisfério-Norte, caso o filme não fosse tão bobinho.

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 4 – Sai capeta!

O demônio deve ser uma figura ilustre em Hollywood. De tempos em tempos ele é convocado para estrelar uma produção. Ainda mais nesta maré baixa que o gênero terror passa só o próprio pra dar conta do recado, certo? Errado. Nem o belzebu tem fôlego o suficiente pra superar tamanho marasmo.  O filme em questão é Exorcista: O Início (Exorcist: The Benning, 2004), e foi o primeiro na história a ser feito duas vezes. Não gostaram da primeira versão do diretor Paul Schrader, e adivinha quem convidaram? O bombástico Renny Harlin. E se você se empolgou com o filme de 1973 saiba que este não tem um momento sequer de tensão, onde tudo é muito gráfico, nada sugestivo. A cena de exorcismo é banal e está lá só prá bater cartão. Na verdade, este Exorcista só veio confirmar duas tendências: a primeira é que o "Tinhoso" já não funciona mais nas telas! A outra é que se você quer ver produções de terror de qualidade, vai ter que buscar fora do Planeta Hollywood...

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 3 – As Cobronas Voltaram!

É claro que não deixaríamos de homenagear o filme que infelizmente não honrou a dinastia trash. Explico. A cultura trash anda meio sem fôlego nos últimos anos. É estranha a minha afirmação, mas é difícil ser trash. Não basta pegar situações inverossímeis e torná-las "reais". É preciso visão, talento e o principal, gostar do que se faz – no caso, filmes trash. O primeiro Anaconda, já  um clássico no gênero, trazia uma Amazônia caricata, e grandes astros como Jon Voight (numa inesquecível cena de morte) e Jennifer Lopez no elenco. E o que dizer das cobronas então? Fantástico! As grandonas poderiam até virar heroínas de algum seriado americano sobre o Brasil! Foi então que inventaram de fazer uma continuação (Anacondas), que de trash não tem nada! É apenas um filmeco ruim. Sem falar no ridículo subtítulo: "A Caçada Pela Orquídea Sangrenta"... ah, fala sério! Não diverte, não assusta, não empolga... um dos piores de 2004! Desta vez a cobra não fumou (que idiota... olha, não escrevi isto viu?).

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 2 – Uma Rainha em decadência.

E adivinhem quem volta nas páginas da Cults? Sim, a nossa conhecida Rainha Xuxa! É, a "Rainha dos Baixinhos" apronta novamente! Desta vez bancando a Indiana Jones tupiniquim, a loira siliconada embarca na Floresta Amazônica Em Busca de Um Tesouro Perdido, subestimando novamente a inteligência de nossos pequerruchos – que não deixaram barato e preferiram Os Incríveis. Uma vez iniciada a projeção, é óbvio que contemplaremos uma sucessão de clichês: o par romântico (desta vez o musculoso Marcos Pasquim, mascarado de intelectual), a lenda folclórica para parecer didático, nativos hostis e cenas de ação tão sonolentas que dão profundas saudades do arqueólogo spielberguiano. Xuxa, assim como todas as grandes estrelas do show-biz, passa por um momento de instabilidade artística, e tudo indicava que ela daria um tempo na sua "contribuição" anual para o cinema nacional. Pois foi o contrário, e o filme acabou refletindo este inferno astral da cantora. Mas chega de enrolação e vamos logo ao que interessa, o primeiríssimo lugar, o mais aguardado, o pior filme de 2004! Eis que é...

Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 1 – E quando uma mulher vira um gato...

É um tanto óbvio, e aposto que este filme figurou em todas as listas de piores do ano passado. Mas vamos combinar, né galera! Até quando os sanguessugas de Hollywood vão subestimar nossa inteligência e bom-gosto? Um filme precisa de uma mulher seminua prá funcionar? Não. Precisa de milhares de efeitos especiais malfeitos? Muito menos. De um gato místico? (risos). Mas o pior, de uma trilha sonora contendo a "butt-princesinha" do butt-pop Britney Spears? É uma pena que ainda se investem milhões em tranqueiras como esta, mesmo com ótimos filmes (menos pretensiosos) sendo lançados. O filme chega ao fundo de poço, quando constatamos que nem como diversão serve. Eu e uma turma de amigos descobrimos nele um ótimo sonífero! Portanto, se você tiver problemas de insônia, não pense duas vezes! Halle Berry depois desta vai precisar, mas precisar mesmo, que seu talento se confirme em outro filme que não seja A Última Ceia ou sua carreira tende a descer ladeira abaixo. Pitof (o diretor da empreitada) deveria voltar de onde veio e tirar umas longas férias... quem sabe se dirigisse comerciais de comida para gato...

Bem turminha do mal, esta foi a lista. Se você concorda, discorda, quer jogar uma bomba no colunista... bote a boca no trombone, vamos juntos tocar na orquestra da Liberdade de Expressão! (ok, ok esta foi péssima...)

Alex Oliveira

     
 

E no próximo mês: Vai uma torta de framboesa aí? Não perca os comentários da festa mais hype (foi-se o tempo que era trash) dos EUA: os 25 anos do Framboesa de Ouro! Bem, agora eu preciso me aprontar para uma festa de Halloween fora de época... vocês viram a Christine por aí?

 

 
 


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