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Olá Scoretrashers!
Antes de tudo a
matéria deste mês vai deixar o tom panfletário e ousado das matérias
anteriores para simplesmente divertir a turma. Mas antes de tudo, vamos
a mais um discurso panfletário e ousado! O regime democrático surgiu
com a ânsia de se acabar com a tirania imposta por... tiranos, certo?
Criamos uma nova forma livre de controlar controlando, e atrocidades
foram cometidas em prol da liberdade vigiada. Mas agora vem a parte
mais interessante de tudo isso! Nós não precisamos nos preocupar com
essa bobagem... Diversão é a alma do negócio! E prá isso estamos aqui.
Como prometido aqui está a matéria dos "destaques" de 2004. Foi posta
uma enquete no Fórum de
Discussões
do ScoreTrack... e o resultado será comentado na coluna deste mês. Na
matéria serão analisadas, em forma decrescente, 10 produções:
as cinco primeiras são as decepções do ano, terminando com o que houve
de pior – as cinco últimas. Divirtam-se, reflitam e discordem. Que se
apaguem as luzes, a sessão vai começar!
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 10 – O
Calcanhar de Aquiles.
Bem,
2004 não foi um ano de muitas grandes realizações no gênero blockbuster. Os que surgiram, ou eram continuações de sucesso já
garantido, ou amargaram bilheterias irrisórias. Ano eleitoral no
mundinho chamado EUA, o ar democrático influi em Hollywood. Muito se
prometeu, nada se cumpriu. Temos como exemplo o blockbuster/épico do
momento, Tróia (Troy, 2004). A adaptação de Homero e suas
viagens (sem trocadilho, claro) apesar de contida em seu marketing
(era a Warner morrendo de medo depois de recarregarem uma certa
revolução) estava sendo um movimento aguardado pelos cinéfilos
e admiradores do clássico literário A Ilíada. Os historiadores
obviamente se mantiveram céticos, pois tudo o que vem dos gringos, ainda
mais em tempo de eleição, é de se desconfiar. O filme foi lançado
e não foi um novo Titanic (apesar da música do "versátil"
James Horner). Na verdade foi até uma grande decepção. O texto do poeta foi
mexido à revelia, contando com a criticada ausência dos deuses gregos.
Mas o maior frisson veio em forma de coxas. Coxas? Sim, e para
piorar as do másculo Brad Pitt. Gritaram a sete cantos que as coxas do
rapaz não eram compatíveis com as de Aquiles (o famoso guerreiro
bissexual e "invencível"). Criou-se então mais um cargo para a
categoria dos dublês: o de coxas. Terrível, né galera? Quanta polêmica!
O pior é que, nem com tanto fogo na lenha, Tróia não deixou de ser apenas
um filme morno. E vendo por um lado bem abstrato, nesta história nós é
que acabamos com o presente de grego...
Troféu ScoreTrash - EPISÓDIO 9 – Eu vejo
gente morta nas histórias em quadrinhos desta vila!
M. Night "Shyalamão"
que me perdoe, mas este não foi um ano bom pra ele. Só vou deixar o
link com a crítica do meu
companheiro Carlos Massari no ScoreTrack, e você vai entender do que estou
falando. Só justifico a inclusão deste filme na lista pelo fato de que
o diretor (e seus fãs esperam dele isso) se sente na obrigação de
sempre dar
uma revelação final e surpreendente em seus filmes... quando nem
sempre estas tais surpresas funcionam.
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 8 – Os
videogames imitam a vida real ou a vida real imita os videogames?
Não
foi desta vez. Vou ser profético agora: dificilmente veremos uma
adaptação bacana de um videogame nas telonas. E tomem Super Mario
Bros (um futuro assunto da coluna), Double Dragon,
Street Fighter e os recentes Tomb Raider, House of the
Dead... para confirmar o tamanho desta lista! Em 2004 foi feita
nova tentativa com Resident Evil 2 (Resident Evil –
Apocalypse, 2004) e fracassaram novamente. O incrível é como dão
conta de errar num gênero que obviamente foi inspirado no próprio
cinema! A continuação da saga de Alice tentou ser um pouco mais
próxima do universo dos games, mas acabaram por fazer uma salada
indigesta (!). O final, citando o clássico Planeta dos Macacos, é
risível. Que Silent Hill comprove sua superioridade também nas
telonas. S.T.A.R.S!
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 7 – A Decepção
Tupiniquim.
Muito
se comentou e esperou deste filme. A campanha de marketing da
arquipoderosa Rede Globo foi tremenda e instigou toda a população.
Apesar de grande sucesso de bilheteria, Olga não passou de uma
grande decepção. Não chega a ser um filme péssimo como muitos
alardearam, mas também não convence. Por Olga Benário ser uma
personagem tão fascinante na nossa história esperava-se um filme bem
melhor. O roteiro caricatural nos mostra arquétipos: a turma do bem e
a turma do mal (algo atualmente bem realçado numa "determinada novela
da vida real", o que nos faz acreditar que a nossa inteligência é
subestimada a tal extremos). Monjardim apenas se limitou a fazer um
folhetim de duas intermináveis horas e se há algo que vale a pena no
filme é sua parte técnica admirável. Bem galera, não tem muito o que
rir nesta sétima posição, pois como somos brasileiros e não
desistimos nunca vamos demonstrar nosso lado patriota e rir sim,
das trapalhadas dos ianques!
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 6 – Hoje é
festa lá na Universal, pode aparecer, vai rolar efeito especial! (Se você não conhece a música
o título perde a graça, e se você quer rir com a gente corra e
sintonize em qualquer emissora de rádio e vai entender do que estou
falando... Mas silêncio! A projeção começou.)
E
o que acontece quando Sthephen Sommers resolve dedicar um filme para
seu pai? Abominações como Van Helsing. O diretor vinha com uma
carreira promissora com o divertido A Múmia, mas começou a
demonstrar sinais de alerta com a continuação da empreitada. A
princípio Van Helsing até parecia o começo de uma franquia bacana,
afinal reunir todos os monstros clássicos da Universal não deixa de
ser uma boa idéia. Os ânimos aumentaram quando anunciaram Hugh Jackman
no papel central, gerando mais ansiedade. Só que infelizmente o diretor
não cumpriu a sua promessa, aliás cumpriu de um certo ponto de vista.
Se você é adepto e tomou uma pílula alucinógena chamada
Efeitos-Especiais, este é o seu filme. Já se você é um careta de carteirinha,
vai achar tudo muito enfadonho e falso. Com este Van Helsing, Sommers
só cumpriu (ou não cumpriu?) com a sina de tornar-se mais um diretor deslumbrado com os
efeitos CGI, se esquecendo da premissa de que, para o sucesso, uma boa
história é fundamental. Uma grande decepção (senão a maior) de 2004.
Cinéfilos de plantão, a Cults e Trash agora tem o prazer de apresentar
as 5 produções mais grotescas e nefastas de 2004! Encham seus baldes de
pipoca e quanto maior o barulho e a baderna, melhor!
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 5 – Um gato
sem personalidade.
Preguiça,
gula e ironia, querem personalidade mais perfeita? Jim Davis
sintetizou todas estas caracterísitcas humanas na figura de um
adorável animal: o gato Garfield. Criado nas tiras de jornais, o humor
cínico do felino era impagável. Foi quando resolveram levar tudo pra
telona. E o resultado disso foi decepcionante. Garfield (Garfield
– O Filme, 2004) perdeu todo o seu cinismo em prol de uma trama
banal e sentimental. Se não fosse Bill Murray (que dubla Garfield, que
por sua vez é em CGI) e seu eterno mal-humor, a coisa seria pior. Mal
recebido nos EUA e sucesso aqui no Brasil, isto poderia significar que
nossas crianças (público ao qual o filme foi direcionado) teriam mais bom
gosto que as do Hemisfério-Norte, caso o filme não fosse tão bobinho.
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 4 – Sai
capeta!
O
demônio deve ser uma figura ilustre em Hollywood. De tempos em tempos
ele é convocado para estrelar uma produção. Ainda mais nesta maré baixa
que o gênero terror passa só o próprio pra dar conta do recado, certo?
Errado. Nem o belzebu tem fôlego o suficiente pra superar tamanho
marasmo. O filme em questão é Exorcista: O Início (Exorcist:
The Benning, 2004), e foi o primeiro na história a ser feito duas
vezes. Não gostaram da primeira versão do diretor Paul Schrader, e
adivinha quem convidaram? O bombástico Renny Harlin. E se você se
empolgou com o filme de 1973 saiba que este não tem um momento sequer
de tensão, onde tudo é muito gráfico, nada sugestivo. A cena de
exorcismo é banal e está lá só prá bater cartão. Na verdade, este
Exorcista só veio confirmar duas tendências: a primeira é que o
"Tinhoso" já não funciona mais nas telas! A outra é que se você quer ver
produções de terror de qualidade, vai ter que buscar fora do Planeta
Hollywood...
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 3 – As
Cobronas Voltaram!
É
claro que não deixaríamos de homenagear o filme que infelizmente não
honrou a dinastia trash. Explico. A cultura trash anda meio sem fôlego
nos últimos anos. É estranha a minha afirmação, mas é difícil ser
trash.
Não basta pegar situações inverossímeis e torná-las "reais". É preciso
visão, talento e o principal, gostar do que se faz – no caso, filmes
trash. O primeiro Anaconda, já um clássico no gênero, trazia uma
Amazônia caricata, e grandes astros como Jon Voight (numa inesquecível
cena de morte) e Jennifer Lopez
no elenco. E o que dizer das cobronas então?
Fantástico! As grandonas poderiam até virar heroínas de algum seriado
americano sobre o Brasil! Foi então que inventaram de fazer uma
continuação (Anacondas), que de trash não tem nada! É apenas um
filmeco ruim. Sem falar no ridículo subtítulo: "A Caçada Pela Orquídea
Sangrenta"... ah, fala sério! Não diverte, não assusta, não empolga...
um dos piores de 2004! Desta vez a cobra não fumou (que idiota...
olha, não escrevi isto viu?).
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 2 – Uma Rainha
em decadência.
E
adivinhem quem volta nas páginas da Cults? Sim, a nossa conhecida
Rainha Xuxa! É, a "Rainha dos Baixinhos" apronta novamente!
Desta vez bancando a Indiana Jones tupiniquim, a loira siliconada
embarca na Floresta Amazônica Em Busca de Um Tesouro Perdido,
subestimando novamente a inteligência de nossos pequerruchos – que não
deixaram barato e preferiram Os Incríveis. Uma vez iniciada a
projeção, é óbvio que contemplaremos uma sucessão de clichês: o par
romântico (desta vez o musculoso Marcos Pasquim, mascarado de
intelectual), a lenda folclórica para parecer didático, nativos hostis
e cenas de ação tão sonolentas que dão profundas saudades do
arqueólogo spielberguiano. Xuxa, assim como todas as grandes estrelas do
show-biz, passa por um momento de instabilidade artística, e tudo
indicava que ela daria um tempo na sua "contribuição" anual para o
cinema nacional. Pois foi o contrário, e o filme acabou refletindo este
inferno astral da cantora. Mas chega de enrolação e vamos logo ao
que interessa, o primeiríssimo lugar, o mais aguardado, o pior filme
de 2004! Eis que é...
Troféu ScoreTrash – EPISÓDIO 1 – E quando
uma mulher vira um gato...
É
um tanto óbvio, e aposto que este filme figurou em todas as listas de
piores do ano passado. Mas vamos combinar, né galera! Até quando os
sanguessugas de Hollywood vão subestimar nossa inteligência e
bom-gosto? Um filme precisa de uma mulher seminua prá funcionar? Não.
Precisa de milhares de efeitos especiais malfeitos? Muito menos. De
um gato místico? (risos). Mas o pior, de uma trilha sonora contendo a
"butt-princesinha" do butt-pop Britney Spears? É uma pena que ainda se
investem milhões em tranqueiras como esta, mesmo com ótimos filmes
(menos pretensiosos) sendo lançados. O filme chega ao fundo de poço,
quando constatamos que nem como diversão serve. Eu e uma turma de
amigos descobrimos nele um ótimo sonífero! Portanto, se você tiver problemas de insônia, não pense duas vezes! Halle Berry depois desta
vai precisar, mas precisar mesmo, que seu talento se confirme em outro
filme que não seja A Última Ceia ou sua carreira tende a descer
ladeira abaixo. Pitof (o diretor da empreitada) deveria voltar de onde
veio e tirar umas longas férias... quem sabe se dirigisse comerciais
de comida para gato...
Bem turminha do
mal, esta foi a lista. Se você concorda, discorda, quer jogar uma
bomba no colunista... bote a boca no trombone,
vamos juntos tocar na orquestra da Liberdade de Expressão! (ok, ok
esta foi péssima...)
Alex
Oliveira
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E
no próximo mês: Vai uma torta de framboesa aí? Não perca os
comentários da festa mais hype (foi-se o tempo que era trash) dos EUA: os 25 anos do Framboesa de Ouro! Bem, agora
eu preciso me aprontar para uma festa de Halloween fora de
época... vocês viram a Christine por aí?
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