Cults & Trash
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Maio 2005 - Manual Prático dos Siths: Como ir para o Lado Negro da Força

Esta foto nada tem a ver com o assunto da coluna, foi empregada apenas pelo seu forte apelo estético

 



Escolha o seu Sith preferido e faça uma fantasia. Mesmo que não haja mais filmes de STAR WARS, tem Carnaval todos os anos

 



Seja um Sith mas não deixe de ir ao dentista. Senão...

 



E você achando que o Luke era o cara... Sith Forever!

Olá meus jovens Scoretrackers!

Mais um mês, mais um ano, mais um episódio. Sim, enfim mais um episódio! Maio chega para amarrar as pontas da maior saga intergaláctica do planeta, a cultuada Star Wars. É óbvio que a Cults... não ignoraria este evento (somos mercenários além de tudo) e brindaremos nossos ávidos leitores com um texto sobre a saga. Nesta altura do campeonato é raro alguém não saber do que se trata este filme. No terceiro ato da uma peça de seis (?), contemplaremos a conversão do Cavaleiro Jedi Anakin Skywalker no vilão mais temível de toda a galáxia, o sinistro e impiedoso Darth Vader.  Ainda abusando da maluquice e fugindo do lugar-comum a Cults & Trash não perderá tempo citando as cifras obtidas pela franquia, as inúmeras tomadas de efeitos especiais, comentando as críticas desfavoráveis a respeito desta nova trilogia ou tão somente dizendo que "A Vingança dos Siths" é esperado pelos fãs como um Messias Redentor. Mais uma vez inovando, revelamos um segredo de Império, que custou a vida de muitos guerreiros Jedis: O Manual Prático dos Siths – Como realmente Sucumbir ao Lado Negro da Força.

O lendário manual se resume a uma série de regras que precisam ser seguidas à risca, para você se tornar efetivamente um Sith sem ter que formar um Império para isto.  São hábitos sociais, físicos e culturais da sua vida que devem se tornar seu totem. Eles são:

NA VIDA SOCIAL

 - Crie muitas intrigas;
- Seja amigos de todos e não o seja ao mesmo tempo;
- Livre-se do Mestre Yoda da sua vida (evite conselhos sá
bios e edificantes);
- Dedique sua vida apenas para formular maldades, nada de namoradas ou porres;

 NO MUNDO SENTIDO/CULTURAL

- escute muito Barbra Streisand;
- Evite filmes trash, eles elevam seu humor;
- Obras referenciais para elevar o nível do seu ódio: A Lagoa Azul, Ilha dos Piratas, Debi e Lóide 2 e qualquer filme da Madonna;
- Leia “O Príncipe” de Maquiavel;
- Assista muito Super-Pop, A Casa é Sua ou qualquer porcaria relacionada ao João Kleber e trupe;
- Seja de extrema-direita;
- Risque todas as suas trilhas do John Williams;
- Comece a colecionar as do James Horner;

O MAIS IMPORTANTE

- Se você leu até aqui, um alerta: você não vai virar um Sith porque Siths não existem, seu trouxa! Procure fazer algo melhor, ler um livro, formular teorias de porque o mundo é assim e você está à margem dele...


Mas deixando as brincadeiras de lado, vamos parar um pouco e fazer uma análise do cinema de Lucas. Sua epopéia chega ao fim e qual o saldo de toda esta histeria? O visionário obviamente revolucionou o modo de se ver e fazer filmes em Hollywood, tendo o feito em ambas as trilogias. Na primeira o tão divulgado boom da era blockbuster, que veio implodir o cinema de consciência, o cinema político reinante. Lucas convidou-nos à fuga usado figuras que, apesar da insistência em contextualizá-las, exerciam seu fascínio por justamente terem vida própria. Os letreiros iniciais demonstram esta dissociação. A galáxia tão distante... um convite honesto à fuga. Já embarcados no prólogo da série, não temos mais o jovem revolucionário, contemplamos o Lucas mercantilista totalmente entregue às seduções do Deus Capital (o Lado Negro da Força?), ponto onde esta nova saga se difere da anterior. A falta da "magia" tão sentida vem justamente da ausência que sofria a anterior: Star Wars se tornou uma série contextual. Nada explícito, obviamente George Lucas não é bobo, mas a ânsia do diretor em nos deslumbrar visualmente evidenciando o quanto seu império digital (a ILM) está consolidado, reflete a política exercida no mundo atual, e até mesmo a sociedade que em partes Lucas ajudou a criar. Maquiagem de fatos, idéias, o gosto pelo visualmente espetacular. "Esqueçamos as mortes, as guerras, ambições e fraudes, o mundo nunca esteve tão melhor". E não há mais o sentimento de fugacidade. Eis a outra revolução de Lucas, ser paradoxal, inteligente, gênio? Gênio...

Alex Oliveira


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