Cults & Trash
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voltei!
 por alex oliveira

Caros leitores da Cults & Trash, eu voltei. Ah o bloqueio criativo... que ataca desde nossos adorados compositores (James Horner que o diga), passando por cineastas, atores... e aspirantes a escritores! E o que houve de relevante nesta período de ausência na órbita cult, trash... algum novo fenômeno, uma nova febre? As trilogias bem que se esforçaram, mas não passaram de um sonoro número 3 – Piratas 3, Homem-Aranha 3, PlayStation 3. Pretensão elevada ao cubo onde a simplicidade (sempre ela!) é que saiu lucrando. A doçura da Litte Miss Sunshine, o Nintendo Wii... e duas mentes foram as grandes responsáveis em manter a tradição do cinema-inteligente-pra-nerds: Rodriguez e Tarantino – os rebeldes de Hollywood.

Homem Aranha 3 foi uma continuação aborrecida, nem parece que foi orquestrada pelo mesmo mago dos filmes anteriores: Sam Raimi. Excesso de vilões, excesso de metragem, é visível que Raimi queria fazer um filme e o estúdio outro. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado só veio confirmar que Tim Story é mesmo insosso, água com açúcar o suficiente pra agradar a todos. Foi Frank Miller quem acabou salvando a honra dos balões. Sin City nas mãos de Rodriguez e o visualmente fantástico 300 são vitrines. O primeiro já nasceu com status cult pois vinha de uma bem-sucedida HQ igualmente idolatrada. Só precisou do aval de Rodriguez com uma pitada de Tarantino. 300, se não prima pela áura sofisticada, reina na arte do entretenimento. Sin City pra pensar, Esparta pra pipoca.

5 filmes pra "tirar o atraso"

 

1 - O Cheiro do Ralo

2 - Pequena Miss Sunshine

3 - Além do Desejo

 4 - Vermelho como o Céu

5 - Paris, Te Amo

 

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O marketing antes aliado agora já é usado de forma negativa. O esforço em enfiar goela abaixo seus produtos, deixa Hollywood vulnerável para o bombardeio do cinema alternativo. E dá o excelente nacional Cheiro do Ralo com sua lógica subversiva e doentia, afinal “o lixo é o troco”. E menininhas querendo vencer concursos de dança numa história que tinha tudo pra cair no pieguismo, mas espertamente quase abocanha o Oscar do Scorsese. Mas estamos falando de Scorsese né? Com seus Infiltrados como mais um troféu brilhante em sua estante. Ah sim. o marketing! Se alguém precisou ver o novo Harry Potter depois de tantas chamadas, me diga se o filme é bom! Que Simpsons – O Filme não siga esta lógica perversa, pois basta clicar no Internet Explorer pra dar de cara com um donut de Springfield!

Mas é da rebeldia que acabam saindo as grandes histórias. Aqueles feitos capazes de serem contatos repetidamente, sempre aumentando algo, mas sem perder o tesão. E quem insiste nesta masturbação intelectual são os grandes cineastas desta década que foi e desta que começou. Tarantino e Rodriguez parecem não descansar, assim como uma boa... história! Os dois pirados resolveram ressuscitar as famosas GrindHouses do passado (casas que exibiam filmes de terror Hiper-Trash) em um filme-homenagem. Planet Terror (de Rodriguez) e Death Proof (Taranta) são (e não há “adjetivo” melhor) horríveis. Enquanto em Planet Terror todos os possíveis clichês dos filmes de terror vêm a tona, o terror-road-movie de Tarantino abusa dos diálogos. Em ambos a história é picotada, já que o rolo daquele pedaço da projeção “foi perdido”. Diálogos capengas, mas geniais justamente por isto. Em um dos episódios Kurt Russel precisa espirrar, a cena é bizarra mas fantástica. Chega. Não conto mais. Outro bloqueio criativo? Não, preciso frear a minha empolgação para mais uma coluna. Estou vivo. Voltei.


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