Cults & Trash
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A MINHA PRIMEIRA VEZ FOI COM A XUXA

Fala galera!

Estamos de volta e desta vez para celebrar, alegremente, o espírito natalino. Espírito que une os desafetos, não enxerga as diferenças, que blá, blá, blá... e no meio do mar capitalista e das inúmeras bugigangas que compramos inconseqüentemente (afinal, é Natal!) não esqueçamos do verdadeiro motivo desta festa. Mas vamos ao que interessa: os filmes! A Cults e Trash deste mês deixará as "polêmicas visuais" de lado e as produções podres que seguem, para compartilhar mais uma vez com os leitores o espírito cult.

E nada melhor para isso do que ela, sim a pessoa que povoou a mente inocente dos baixinhos e a maliciosa dos altinhos, a pessoa que, após posar nua para a Playboy e aparecer em pêlo no cinema, sem pedir licença entrava em sua casa numa nave espacial que nada tinha a ver com uma Millenium Falcon, a pessoa que empurrava seus inúmeros produtos goela a abaixo das crianças, sim ela: Xuxa, a “Rainha dos Baixinhos”. Calma, calma. Antes de vocês clicarem em outros links do Score, eu explico a relação de Xuxa com o “cultismo” (nenhum trocadilho aqui, por favor!). Xuxa e a maioria dos seus filmes são trash da pior espécie, mas como sempre há uma exceção em toda a regra, Super Xuxa contra Baixo-Astral é esse exemplo. O filme teve a sorte de fazer parte de uma década cult: os saudosos anos 80.

Primeiro filme solo da cantora-apresentadora-modelo-atriz após a consagração no mundo infantil (a sua filmografia anterior ela prefere esquecer, e olha que tem cult aí!), o longa, dirigido por Anna Penido e David Sonnenshein tem aquele climão nostálgico dos anos 80. Concebido como uma fantasia, Super Xuxa... é um caldeirão de referencias às produções hollywoodianas da época. A história, bem básica, conta a saga de Xuxa em busca do seu cão Xuxo que foi raptado por Baixo-Astral, este com inveja da “Rainha” pois ela teve a brilhante idéia de convocar os baixinhos a pintarem arco-íris pela cidade. Ufa! Em sua jornada a Rainha conta com a ajuda de Xixa (santa criatividade...) uma lagartixa insuportável e falante, e de uma fauna inesgotável de bichos.

E por que esse filme é cult e não um bom trash? Ser reprisado constantemente na Sessão da Tarde já é um ponto a favor. Ser uma história de fantasia das mais inverossímeis produzidas nos anos 80, é outro. Mas o que torna essa produção diferente das outras de Xuxa é seu poder hipnótico, que resulta num saudosismo extremado (pelo menos da minha parte). E olha que não sou adepto da teoria das “mensagens subliminares”. Neste momento minha consciência toma conta do teclado: Chega de tentar encontrar razões para este pecado cinematográfico – ela diz. Convencido, aceito as pressões: Eu admito! Foi o meu primeiro filme. Caramba, essa tosqueira foi um marco na minha infância, porque foi o meu primeiro filme!

E por que não pensar que o filme faz uma alegoria ao Brasil da época? Raciocinem comigo: em uma determinada cena Xuxa tenta entrar nos domínios do Baixo-Astral, sendo barrada por um burocrata que exige vários documentos para que ela possa entrar no Reino. Segue então um musical onde a burocracia é criticada. Sacaram? Os domínios de Baixo Astral seriam o nosso Brasilsão de 1988, recém-saído de uma ditadura militar, porém imerso em corrupção, burocracia, e por que não dizer, numa ditadura disfarçada? Baixo Astral era o resquício da tirania que precisava ser deposto pela limpeza de uma sociedade democrática: a Rainha Xuxa. Outro detalhe é a estação de TV de Baixo-Astral: a FIM, que se invertermos as letras formamos a famigerada e temida sigla FMI. Mas galera não vamos nos levar a sério, a matéria segue.

Do elenco o veterano Guilherme Karan rouba a cena como Baixo Astral (que nada mais é que um antecessor do Edward Mãos de Tesoura - piorado). Sua atuação é tão exagerada, tão caricata, boa, que simpatizamos pelo monstrengo infeliz. Seus comparsas, Morcegão e Titica, também geram a simpatia do público. Como coadjuvantes temos um jovem Luiz Carlos Tourinho e Jonas Torres em ínicio de carreira. Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora composta, claro, da voz da “Rainha” (o clássico: “Vou pintar um arco-íris de energia...”), de conjuntos pop da época e nomes da música popular brasileira. Fui um dos felizardos que teve o privilégio de ter essa compilação (minha primeira trilha), onde contemplávamos os sintetizadores que reinavam absolutos na década. E por acaso, alguém aí se lembra da cantora Vanessa?

Como já disse, foi o meu primeiro filme. Tinha três anos de idade. São lendárias as histórias que minha mãe contava sobre as reações que esboçava ao assistir a película. É pelo ineditismo que estimo tanto essa produção. Recentemente li uma reportagem numa revista de cinema, que falava sobre os filmes que amamos odiar. Acredito que este Super Xuxa contra Baixo Astral seja o meu.

E por hoje é só pessoal! Gostaria de agradecer pela resposta favorável a esta coluna e pelas inúmeras sugestões que povoam o fórum. Saibam que é um prazer saber que há pessoas que gostam de ler os devaneios deste doido aqui. E para não fugir das convencionalidades desejo a todos um...

FELIZ NATAL!

E NO PRÓXIMO MÊS! – Você se deslumbra com aqueles corpos torneados e rostinhos bonitos? Você não liga e, mesmo que o filme seja uma bomba, fica a projeção inteira observando os inúmeros closes no canastrão? Pois saiba que a sua vida não será mais a mesma! Vários foram os esforços para bloquear essa matéria (um tal de Ben Affleck, conhecem?), mas não, você finalmente saberá: A VERDADE VERDADEIRA E REAL: Um Estudo sobre os Rostinhos Bonitos de Hollywood. Só aqui no ScoreTrack.net!

Alex Oliveira

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