A SÉTIMA VÍTIMA (Darkness, EUA, Espanha, 2002)
Gênero: Terror
Duração: 102 min
Elenco: Anna Paquin, Lena Olin, Iain Glen, Giancarlo Giannini, Fele Martínez, Stephan Enquist, Fermín Reixach, Francesc Pagés
Compositor: Carles Cases
Roteiristas: Jaume Balagueró, Fernando de Felipe
Diretor: Jaume Balagueró

Terror europeu

Filme do espanhol Jaume Balagueró é suficientemente confuso e assustador para fugir do padrão dos filmes norte-americanos e ingleses do gênero

Como é bom poder ver um filme de terror europeu no cinema – filme inglês não vale. Antes só tinha visto OS OUTROS (2001), de Alejandro Amenábar, e A ESPINHA DO DIABO (2001), de Guillermo Del Toro. A SÉTIMA VÍTIMA (2002), de Jaume Balagueró, pode não ser uma obra-prima e ter os seus problemas, mas tem uma carga perturbadora e assustadora poucas vezes vista nos filmes de terror norte-americanos ou ingleses.

Ok, o filme é co-produzido pelos EUA, é falado em inglês e a protagonista (Anna Paquin) também é americana, mas sente-se no ar um clima diferente. O filme me lembrou em alguns momentos os trabalhos dos já citados Amenábar e Del Toro, como também dos italianos Dario Argento e Michele Soavi. Desse último, há algo parecido com A CATEDRAL (1989).

A SÉTIMA VÍTIMA conta a história de uma família que se muda para uma casa mal-assombrada, na Espanha. Nessa casa, há quarenta anos, seis crianças foram assassinadas num ritual de magia negra. Os temas da casa mal-assombrada e do medo da escuridão já foram muito bem trabalhados em diversos filmes, incluindo o citado OS OUTROS, mas enquanto o filme de Amenábar tinha um roteiro redondinho, o trabalho de Balagueró tem uma história deliciosamente confusa - mas sem nunca nos deixar perder o interesse pelo filme. Por isso o comparei com Dario Argento no parágrafo anterior: porque o filme tem um clima assustador e confuso (mas nem tanto) semelhante a A MANSÃO DO INFERNO (1980), obra-prima do italiano. E o fato de o filme ter terminado sem muitas explicações o torna ainda mais charmoso para mim.

O grande barato desses filmes de horror confusos, mas que possuem cenas incrivelmente assustadoras, é a vontade que me dá de me perder naquele universo, ao mesmo tempo em que me sinto tranqüilo, pois sei que é só um filme. É uma sensação paradoxal de medo e segurança, típica de quem curte filme de terror, mas potencializada se o que está acontecendo na tela não é totalmente claro e o clima de mistério domina.

O elenco do filme é um caso à parte, muito bom. Além da "X-Woman" Anna Paquin, temos: Ian Glen como o chefe de família perturbado e que de vez em quando sente convulsões e demonstra personalidade tempestiva, lembrando o Jack Nicholson de O ILUMINADO; Lena Olin, atriz que ainda tem como papel mais marcante o de Sabina em A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER, é a misteriosa esposa de Glen, que parece estar encobrindo as coisas misteriosas que acontecem na casa; Fele Martinez, mais conhecido pelo papel de Enrique em MÁ EDUCAÇÃO, de Pedro Almodóvar, é o namorado de Anna Paquin - os dois vão investigar o caso da morte das seis crianças e o mistério em torno da casa; e Giancarlo Giannini, visto recentemente em CHAMAS DA VINGANÇA, é o avô de Anna que esconde um grande segredo.

Meu conselho, mesmo sabendo que opinião, cada um tem a sua, é: não liguem para as críticas negativas que andam rolando nos cadernos de cultura dos principais jornais e deixe-se perder no horror de A SÉTIMA VÍTIMA. Outra razão para não deixar passar o filme no cinema é que a distribuidora é a Europa, que tem o costume de lançar os DVDs em tela cheia - vide o crime que fizeram com CIDADE DOS SONHOS, de David Lynch.

Cotação:
Ailton Monteiro
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