NO CAIR DA NOITE (Darkness Falls, EUA, 2003)
Gênero: Terror
Duração: 85 min.
Estúdio: Columbia
Elenco: Chaney Kley, Emma Caulfield, Joshua Anderson, Andrew Bayly, Mark Blackmore, Emily Browning, Antony Burrows, Lee Cormie
Compositor: Brian Tyler
Roteiristas: Joseph Harris, John Fasano, James Vanderbilt
Diretor: Jonathan Liebesman

Não dá para levar a sério

Terror se perde em um amontoado de clichês e o que era para provocar sustos torna-se uma comédia involuntária

Nestes últimos dois anos, virou moda em Hollywood explorar o sobrenatural - desde filmes sobre fantasmas inócuos e sem afirmação, como o medonho NAVIO FANTASMA, aos que procuram se basear em alguma lenda urbana (O CHAMADO e o próprio LENDA URBANA). E quase todos atraíram o público adolescente de maneira vertiginosa às salas de cinema, com quase nenhuma preocupação relativa à qualidade. Muitas vezes, acaba sendo inevitável rir dessas produções, e NO CAIR DA NOITE  é certamente a pior de todas elas, ao lado do não menos "glorioso" ALUCINAÇÃO. Em ambos, há uma sucessão incrível de clichês e cenas absolutamente desnecessárias. 

Com cinco minutos de projeção, já havia perdido a conta de quantos diálogos imbecis presenciara. Os garotos que trocam um beijo no início soltam uma pérola capaz de fazer até quem não tem senso de humor rolar de rir no cinema. Aqui, a lenda urbana (na verdade uma lenda infantil estadunidense) se refere à "Fada dos Dentes", uma mulher extremamente bondosa que troca os últimos dentes das crianças por presentes. Porém, quando é queimada viva por engano, seu espírito se rebela e acaba lançando uma maldição sobre a pacata cidade em que vivia. Anos depois, um garoto, ao perder seu último dente, acaba vendo-a, revestida por uma máscara de porcelana. É aí que começa o terror ou, no caso, a comédia. 

É possível deduzir cada susto minutos antes dele vir a acontecer: "Olha, essa porta vai bater e todo mundo vai pular no cinema". Quase sempre acompanhados por acordes altos da trilha, eles só causam pânico mesmo a quem nunca viu um filme de horror na vida. Os outros sentirão medo somente do roteirista dessa coisa. Falha minha - não há apenas um roteirista: três pessoas juntas tiveram a brilhante idéia de redigir um texto no qual, bem na noite em que o mocinho volta à vila... ocorre um blecaute e todos morrem de medo da nossa vilã! Ou então, todos julgam, mesmo sem nenhuma prova, que um garoto de dez anos de idade matou a mãe! Vejam, não é uma versão masculina de O EXORCISTA? 

NO CAIR DA NOITE poderia, ainda, ser interessante no caso de o público ter alguém para torcer. Mas, vejamos: a Fada dos Dentes, nossa "vilã", é uma criatura que lembra a Bruxa Keka do programa da Xuxa. Sua máscara de porcelana, citada acima, é um prato da Tramontina com dois buracos para os olhos. Seus rivais, os mocinhos, parecem ter sido retirados de alguma clínica de retardados. Suas expressões faciais não são muito diferentes daquelas apresentadas pela Letícia Spiller ou pelo Sylvester Stallone. E a semelhança física com as versões doze anos mais nova é tão grande quanto a do Edward Norton com o Danny De Vitto. 

Portanto, NO CAIR DA NOITE pode ser considerado um "trash total". O problema é que esse "trash" não é intencional. O filme se leva a sério, mostrando-se um exemplar daquele gênero em alto declínio desde que PÂNICO e A BRUXA DE BLAIR foram lançados. Às vezes, o cinema nos prega essas peças.

Cotação:
Carlos Massari
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