O DIA EM QUE A TERRA PAROU (The Day the Earth Stood Still, EUA, 2008)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 110 min.
Elenco: Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates, Jaden Smith, John Cleese, Jon Hamm, Kyle Chandler, Robert Knepper, James Hong, John Rothman, Sunita Prasad, Juan Riedinger, Sam Gilroy
Compositor: Tyler Bates
Roteiristas: David Scarpa, Edmund H. North
Diretor: Scott Derrickson

Pare, por favor

Refilmagem do clássico de ficção científica dirigido em 1951 por Robert Wise possui roteiro ridículo e direção enfadonha, e desde já é um sério candidato a pior filme de 2009

"O cinema está condenado a fazer remakes, pois fazem-se filmes demais e há muito poucas situações dramáticas disponíveis. Portanto, toda a história do cinema é constelada de refilmagens, e, contanto que as novas versões sejam melhores que as originais, não há o menor problema nisso". (François Truffaut, em entrevista dada em 1979 para a Sight et Sound)

Interessante Truffaut ter falado isso num momento em que nem haviam tantas refilmagens como há hoje em dia. Ele já previa o que aconteceria no futuro: primeiro, uma sucessão de continuações de filmes de sucesso de bilheteria, nas décadas de 1980 e 1990, e agora uma avalanche de refilmagens, seja de produções estrangeiras, seja de clássicos americanos. Só para esse ano estão confirmados remakes/"reinvenções" de SEXTA-FEIRA 13, STAR TREK, O LOBISOMEM, O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO, THE LAST HOUSE ON THE LEFT, THE LODGER, EASY VIRTUE e, falando em Hitchcock, para 2011 já está agendada a refilmagem de OS PÁSSAROS. Nada mais é sagrado.

O DIA EM QUE A TERRA PAROU (2008), de Scott Derrickson - diretor cujo melhor momento de sua curta carreira foi O EXORCISMO DE EMILY ROSE (2005) -, independente de comparações como o original de Robert Wise (1951), é por si só ridículo e enfadonho. Ridículo no discurso ecológico mal construído e enfadonho no desenvolvimento da ação. A expressão robótica de Keanu Reeves contribui para esse aspecto aborrecido do filme, embora o seu fracasso não se deva apenas a ele. O problema está principalmente no roteiro ruim e na direção preguiçosa de Derrickson. Quanto ao discurso ecológico, até podem comparar o filme com FIM DOS TEMPOS, de M. Night Shyamalan, mas a comparação não vai muito longe quando se leva em conta a profundidade e a elegância do trabalho do indiano.

Se há algo de interessante na abordagem do novo filme é o novo modo como o alienígena Klaatu (Reeves) chega à Terra: dentro de uma película orgânica semelhante a uma placenta. O robô gigante GORT é mantido e tem o mesmo visual da produção dos anos 1950, porém em versão maior. Mas as cenas envolvendo Kathy Bates são constrangedoras no modo como ela é mostrada: uma figura autoritária, que acha que por morar nos Estados Unidos é dona do mundo. De certa forma, essa cutucada que Hollywood de vez em quando dá nos políticos é uma prova de inteligência e consciência, mas, no caso do roteiro desse filme em particular, não dá para esperar algo além disso. Até mesmo Jennifer Connelly, interpretando a moça que ajuda o alienígena a ver que os seres humanos têm sensibilidade suficiente para ajudar o planeta a sobreviver, não dá o melhor de si. A verdade é que nenhum ator, por melhor que seja, conseguiria levar esse filme nas costas.

E o final, então... O final parece destinado a crianças sem nenhum discernimento, de tão bobo que é. E o filme termina abruptamente, como se todos os envolvidos quisessem sair de cena o mais rápido possível, para evitar a vergonha. Pois é, 2009 mal começou e já temos um sério candidato a pior filme do ano.

Cotação:
Ailton Monteiro
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