007 - UM NOVO DIA PARA MORRER (Die Another Day, EUA, Inglaterra, 2002)
Gênero: Aventura
Duração: 132 min.
Estúdio: MGM/Fox
Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Toby Stephens, Rosamund Pike, Rick Yune, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen 
Compositor: David Arnold
Roteiristas: Neal Purvis, Robert Wade
Diretor: Lee Tamahori

Típico James Bond 

Novo filme de 007 apresenta Pierce Brosnam totalmente à vontade no papel e traz qualidades - e defeitos - típicos da longa série

Mesmo antes de sua estréia, 007 - UM NOVO DIA PARA MORRER, o 20º filme da mais longa cinessérie da história do cinema, gerava polêmicas em virtude da canção tema de Madonna (leia mais sobre isso em nosso comentário do CD da trilha). Depois, veio a boa bilheteria e críticas extremadas - algumas elevaram o filme às alturas, outras o reduziram a pó.

Parece-me que a verdade sobre "Die Another Day", o filme, está em um meio termo: dos filmes estrelados por Pierce Brosnam é o mais movimentado, sem ser o lixo que alguns disseram ser mas também longe de se igualar a títulos clássicos como 007 CONTRA GOLDFINGER (com Sean Connery) e até mesmo ao delicioso 007 - O ESPIÃO QUE ME AMAVA (com Roger Moore). O problema é que o filme talvez sofra por buscar propostas que até certo ponto se contrapõem - ser ao mesmo tempo um filme realista e fantasioso, enquanto tenta modernizar as aventuras do agente secreto inglês para as platéias mais frenéticas do século 21.

Assim, além daqueles elementos introduzidos na série ao longo do tempo, os produtores tomaram algumas liberdades que certamente incomodaram a muitos: Bond é aprisionado na Coréia do Norte e mantido sob tortura por 14 meses, ao ser solto em nada lembra o elegante cavalheiro que conhecemos (está cabeludo e sujo), é rejeitado pelo MI6 por suspeita de ter revelado segredos sob tortura e, ainda por cima, seu fraco por mulheres quase lhe custa a vida, ao ingenuamente não deduzir qual teria sido o traidor que o levou a ser capturado pelos coreanos.  

Além disso, os roteiristas deixaram os pruridos de lado e novamente colocaram como vilões os "comedores de criancinhas", no caso os comunistas da Coréia do Norte, como nos tempos dos filmes de Connery e Moore. E resgatam a irreverência dos antigos filmes, ao colocarem 007 e a melhor "Bond Girl" dos últimos anos, Jinx (Halle Berry) fazendo amor em um templo budista. Adicionalmente, a exagerada busca por modernizar 007 fez surgir na tela engenhocas dignas de JORNADA NAS ESTRELAS, como o Aston Martin invisível, e cenas de ação absurdas como a do surfe de Bond em uma onda gigantesca, ocasionada pela queda de uma geleira (com efeitos "cartunescos" em CGI). Nesses casos, a preocupação foi a de não deixar o herói em desvantagem com a concorrência (leia-se xXx).

Mas apesar de tudo, este ainda é mais um filme de James Bond, com todas as virtudes, defeitos, exageros, maniqueísmos e non-sense que os fãs aprenderam a gostar ao longo dos anos. O que fica muito claro é que a cabeça das pessoas muda com o passar do tempo: afinal elas amadurecem, refinam suas preferências musicais, cinematográficas e até mesmo sexuais. Há alguns anos alguém vibrava com Roger Moore pisando em jacarés (COM 007 VIVA E DEIXE MORRER) ou lutando contra Dentes-de-Aço no bondinho fake do Pão de Açúcar e disparando lasers (007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE); hoje, esse mesmo alguém já não vê mais graça em ver Brosnam, perfeito no papel, "traçando" todas ou pilotando seu Aston Martin hiper-equipado.

No saldo final 007 - UM NOVO DIA PARA MORRER, longa que comemora os 40 anos da franquia, acaba sendo um resumo das várias fases pelas quais Bond passou na telona. Que, colocadas todas juntas num só filme, gera uma mistura por vezes indigesta.

Cotação:
Jorge Saldanha
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