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2 FILHOS DE FRANCISCO (Brasil,
2005)
Gênero: Drama
Duração: 133 min.
Elenco: Ângelo Antônio, Lima Duarte, Paloma Duarte, Márcio Kieling,
Thiago Mendonça, Dira Paes, Pedro, Thiago
Roteirista: Patrícia Andrade, Carolina Kotscho
Diretor: Breno Silveira
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Popular e bom
Filme de estréia do diretor
Breno Silveira, sobre conhecida dupla sertaneja, prova que é possível realizar,
no Brasil, filmes de apelo popular com qualidade
No começo eu fiquei com o pé
atrás. Até mesmo quando um amigo, cuja opinião eu respeito muito, falou que o
filme prometia ser ótimo, eu ainda não acreditei. A dupla Zezé di Camargo e
Luciano não é, digamos, o tipo de coisa que me interessa. Eu só fui acreditar no
potencial do filme quando vi o trailer. Um dos melhores já feitos no Brasil. Foi
quando eu tive a certeza de que o filme devia ser, no mínimo, muito bom.
Depois de todas as emoções que senti ontem, posso dizer que 2 FILHOS DE
FRANCISCO (2005) é com certeza um dos melhores filmes do ano. Poucos me
emocionaram tanto ultimamente ,e não há nada no filme que eu possa dizer que não
gostei, a começar pelo elenco, encabeçado pelo ótimo Ângelo Antonio no papel de
Francisco, o homem que enfrenta muitos obstáculos para alcançar seu sonho. Ele
não quer que seus filhos sejam faxineiros ou pedreiros como ele. "Filho meu tem
que ser alguma coisa na vida". E como ele gosta muito de música sertaneja,
investe o pouco que ganha na carreira dos seus filhos.
Não tem como não sentir um profundo respeito por essa gente. Gente trabalhadora,
que não espera pela providência divina para tomar a iniciativa de perseguir os
seus sonhos. Dira Paes como a esposa de Francisco representa o lado pé-no-chão.
"Enquanto você sonhava, eu estava muito acordada", diz ela para o marido, quando
seus filhos estão sumidos há meses, em viagem com o empresário Miranda (José
Dumont). Miranda é na verdade uma fusão de dois empresários que Camargo e
Camarguinho tiveram.
Todas as liberdades tomadas pelos roteiristas para tornar uma história real numa
obra de ficção foram muito bem acertadas. É impressionante o talento do diretor
Breno Silveira, em sua estréia na direção. Até parece um veterano, tal a
segurança que a película nos passa. E para ele, esse filme foi um risco muito
grande. Afinal, quem teria a coragem de começar a carreira fazendo um filme
sobre uma dupla sertaneja de sucesso, que muita gente acredita ser de gosto
duvidoso? Dinheiro, com certeza, poderia render, mas prestígio e longevidade,
ele teria? Silveira, porém, acreditou no projeto. Não só ele, como todos os
envolvidos.
Muito acertada também a escolha de atores desconhecidos para interpretar a dupla
sertaneja na fase adulta. A opção foi pela semelhança física e pela capacidade
de representar. Mas elogiar o elenco é chover no molhado. O que posso fazer é
lembrar de alguns dos momentos que mais me emocionaram no filme: a primeira vez
que Zezé e seu irmão ganham dinheiro cantando, depois de ver a família passando
fome; a morte de Emival; o romance com a personagem de Paloma Duarte (adorei
quando tocou "Como Vai Você", do Roberto Carlos, no baile); o final, com uma
multidão cantando junto as canções da dupla e a participação do seu Francisco no
palco, lembrando toda a tempestade de emoções, alegrias e tristezas, que
acabamos de presenciar. Lágrimas rolaram. E nasceu um profundo respeito e
admiração por um homem corajoso. Junto com a alegria de ver um cinema
genuinamente popular e de qualidade no Brasil.
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