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O APANHADOR DE
SONHOS (Dreamcatcher, EUA, 2003)
Gênero: Terror, Ficção Científica
Duração: 136 min.
Estúdio: Warner
Elenco: Morgan Freeman, Thomas Jane, Jason Lee, Damian Lewis, Tom
Sizemore, Timothy Olyphant, Donnie Wahlberg, Ingrid Kavelaars
Compositor: James
Newton Howard
Roteiristas: William Goldman, Lawrence Kasdan
Diretor: Lawrence Kasdan
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"Freddy me F...!"
Lawrence Kasdan retorna aos
filmes-pipoca com esta medíocre adaptação do livro idem de Stephen King
Lawrence Kasdan é o respeitado diretor
norte-americano responsável por grandes filmes como CORPOS ARDENTES e O
REENCONTRO. E antes de ser um diretor celebrizou-se como roteirista dos
clássicos do cinema-pipoca de George Lucas
Star Wars: Episódio V - O Império
Contra-Ataca, Os Caçadores da
Arca Perdida e Star Wars:
Episódio VI - O Retorno de Jedi. Portanto, este seu DREAMCATCHER deve ser
visto mais como o retorno de Kasdan ao universo de filmes absurdamente
divertidos que roteirizou, e não ao das grandes obras que já dirigiu.
Certamente O APANHADOR de sonhos
não está à altura das suas colaborações com Lucas, mas é um daqueles filmes que
servem como passatempo (desde que você não tenha, digamos, um estômago muito
sensível...). Baseado no livro homônimo de Stephen King, é uma ficção científica
com toques de horror que envolve o potencial fim do mundo graças à ação de ETs
malignos, e nessa linha utiliza despudoradamente elementos de produções tão
diversas como ALIEN, O ENIGMA DE OUTRO MUNDO, INVASORES DE CORPOS e ARQUIVO X,
sem falar nas próprias obras de King A COISA e CONTA COMIGO.
Thomas Jane, Damian Lewis, Timothy Olyphant e Jason Lee interpretam quatro
amigos de infância que a cada inverno passam um fim de semana em uma cabana
florestal do Maine, que possui pendurado no teto um apanhador de sonhos
(artefato usado pelos índios para eliminar pesadelos, deixando apenas os sonhos
bons). O detalhe é que, quando crianças, eles haviam salvo o menino excepcional
Duddits de ser espancado por alguns valentões do colégio. Possuidor de
habilidades paranormais, Duddits os presenteara com alguns de seus dons a fim de
prepará-los para um evento de importância capital, que ocorreria vinte anos
depois - no presente, portanto. Este momento decisivo finalmente chega quando
uma estranha epidemia de fungo vermelho começa a se espalhar por aquela inóspita
região do Maine, e uma equipe especial do exército, liderada pelo coronel Curtis
(Morgan Freeman) e seu segundo em comando, Owen (Tom Sizemore), entra em ação
para tentar evitar o avanço da doença. Desconhecendo o perigo, Jonesy (Damian
Lewis) e Beaver (Jason Lee, que entre os bordões que diz, destaca-se "Freddy me
F...") levam para a cabana um caçador que estava perdido no meio da floresta
nevada. As manchas avermelhadas no rosto do caçador, os gases por ele expelidos
e seu abdômen dilatado são apenas o prenúncio do pesadelo que se aproxima, e que
terá seu ponto inicial na antológica cena do banheiro.
Desse momento em diante assistimos a uma quase indescritível salada de clichês
do gênero, sem parcimônia utilizados por King no livro e em sua maioria
preservados no filme por Kasdan e pelo co-roteirista William Goldman: aliens
invasores, parasitas nojentos que se alojam nos intestinos, amigos de infância
que formam uma aliança inquebrantável mesmo depois de adultos, homens possuídos
contra a sua vontade e um ET do mal - que fala como James Bond! O APANHADOR DE
SONHOS foi quase que universalmente detonado pela crítica, com seus furos de
roteiro e diálogos por vezes involuntariamente hilariantes (é realmente difícil
de acreditar que Kasdan tenha co-escrito e dirigido este filme).
Em meio a enguias com bocas que se parecem com uma vagina cheia de dentes e que
saem do ânus de inocentes nativos do Maine, Thomas Jane e Damian Lewis assumem
até com dignidade seus papéis de amigos de infância em missão para salvar o
mundo. Freeman, por sua vez, faz uma pausa em seus papéis de herói,
interpretando um Curtis exagerado e autor de algumas frases memoráveis. Aliás,
uma delas surge quando, ao referir-se aos cidadãos americanos infectados que,
com relutância, teria de matar, ele os descreve como consumidores do McDonalds,
compradores do Wal Mart e espectadores assíduos de FRIENDS - em principio
estadunidenses típicos, mas que com a massificação do consumo de produtos
norte-americanos, poderiam muito bem ser brasileiros, franceses...
O APANHADOR DE SONHOS inicia lentamente e muito bem, mas com a introdução dos
alienígenas na trama o filme dá uma virada ultrajante, que poderia cair no
ridículo total não fosse o grande orçamento, que deu ao filme uma fotografia
excelente e efeitos visuais de primeira. Já a conclusão do filme, onde assistimos o
confronto final entre o debilitado Duddits e o ET/vilão Senhor Cinza, traz uma
grande mudança conceitual entre filme e livro, e sem dúvida é a maior fonte de
críticas dos fãs de King.
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