Cotação: ***** (Ótimo), **** (Muito Bom), *** (Bom), ** (Regular), * (Ruim)

R4 - DVD codificado para Região 4 (Brasil/América Latina, Austrália/Oceania)
R0 - DVD sem codificação (reproduz em qualquer player)

R1 - DVD codificado para Região 1 (América do Norte)

O Tigre e O Dragão
Crouching Tiger, Hidden Dragon. Direção: Ang Lee. Elenco: Chow Yun-Fat, Michelle Yeoh, Zhang Ziyi. Columbia DVD, 2001, Região 4/Cotação: Filme ****, DVD **** - Os filmes de artes marciais de Hong Kong, com suas más interpretações, histórias ingênuas e lutas impressionantes, já tiveram seus dias de glória no Ocidente. Em muitos deles, nas chamadas fantasias de artes marciais (wuxia), os lutadores literalmente voavam pela tela, desafiando a lei da gravidade. Cenas similares foram utilizadas com sucesso em Matrix, de 1999, e O Tigre e O Dragão, no ano passado, demonstrou ser uma bela homenagem ao gênero. O respeitado diretor Ang Lee adicionou, às elaboradas cenas de luta, elementos de romance, tragédia e um elenco talentoso, encabeçado pelos astros asiáticos Chow Yun-fat (consagrado nos primeiros filmes de John Woo) e Michelle Yeoh (007 – O Amanhã Nunca Morre), além da carismática novata Zhang Ziyi. Atrás das câmeras, Lee valeu-se do talento do cinegrafista Peter Pau e do lendário coreógrafo de artes marciais Yuen Wo-ping, não por acaso, o responsável pelas lutas de kung-fu em Matrix. O roteiro foi adaptado a partir de um livro popular na China, centrado na busca de uma lendária espada conhecida como ”Destino Verde”. As filmagens foram árduas para todos os envolvidos: Chow e Yeoh tiveram de aprender a falar mandarin, o idioma utilizado, ao invés do cantonês, para dar mais autenticidade ao filme. E para as incríveis batalhas entre Jen (Zhang) e Yu Shu Lien (Yeoh) nos telhados, e entre Jen e Li Mu Bai (Chow) no topo de um bambuzal, foram necessárias semanas de estafante trabalho com os atores pendurados em fios, os quais foram removidos digitalmente na pós-produção. Mas o resultado final compensou, e esta combinação de imagens oníricas, romance, ação e comentário social foi um sucesso de público e crítica que rendeu, entre outros Oscars, o de melhor diretor para Ang Lee, e o de melhor Trilha Sonora Original para a bela partitura de Tan Dun. O DVD nacional da Columbia possui muitos extras, como os comentários de áudio do diretor, trailers de cinema, making of, entrevista com Michelle Yeoh e o vídeo da música "A Love Before Time", com a cantora Coco Lee, em duas versões - mandarin e inglês. Para aqueles que se incomodarem com o mandarim dos atores, há a opção de assistir ao filme dublado em português. Jorge Saldanha

Missão Impossível 2
Mission Impossible 2. Direção: John Woo. Elenco: Tom Cruise, Dougray Scott, Thandie Newton, Ving Rhames, Anthony Hopkins. Paramount DVD, 2001, Região 4/Cotação: Filme ***, DVD **** - Em 1996, Brian De Palma dirigiu o primeiro Missão Impossível, que apesar de ainda hoje ser uma das melhores adaptações de séries de TV para o cinema, desagradou a muitos fãs, graças ao ritmo um tanto lento e à identidade do vilão. Estes mesmos fãs devem ter ficado horrorizados com Missão Impossível 2, que por razões bem diversas, afasta-se bastante do conceito da série original. Com o controle total da produção, o astro Tom Cruise, após a saída de Oliver Stone do projeto, escolheu John Woo para a direção. Assim, MI2 chegou arrebentando nas bilheterias, como um filme de ação e aventura claramente inspirado nos filmes de Hong Kong e de James Bond. Alguns dos defeitos do primeiro filme foram cuidadosamente evitados: a trama ficou mais simples, e as elaboradas cenas de ação ocorrem em intervalos regulares. Mas a mudança maior ficou para o personagem Ethan Hunt (Cruise), agora um misto de James Bond e astro das artes marciais que, em meio à ação desenfreada, ainda tem tempo para o romance. Hunt e sua equipe da IMF (Impossible Missions Force) devem recuperar um vírus mortal antes que ele possa ser utilizado pelo vilão Sean Ambrose (Dougray Scott). Ambrose é um ex-membro da IMF, e também pode disfarçar-se de qualquer pessoa, inclusive do próprio Hunt. A fim de recuperar o vírus, Hunt recruta uma antiga namorada de Ambrose, a bela ladra Nyah (Thandie Newton, que já fora “sugada” por Cruise em Entrevista com o Vampiro). Também faz parte da equipe o hacker Luther Stickel (Ving Rhames, repetindo o papel do filme anterior), e Anthony Hopkins tem uma pequena participação como o novo chefe de Hunt. Para melhor apreciar MI2, esqueça a história, os atores e a lógica, e concentre-se nas cenas de ação de tirar o fôlego, filmadas com a perícia habitual de John Woo. As marcas registradas de Woo, como as pistolas que disparam como metralhadoras, o confronto “face a face” entre o herói e o vilão, e as pombas em câmera lenta, estão presentes. Beneficiado com um generoso orçamento, o diretor conseguiu integrar, com perfeição, as cuidadosamente coreografadas cenas com atores e os ótimos efeitos digitais. Temos aqui um filme perfeito para ser assistido (e ouvido) em DVD, com a música e os efeitos sonoros, gravados em Dolby Digital, espalhados em seis canais. Há muitos extras, como a paródia de MI2 apresentada no último MTV Movie Awards, com Cruise, Woo e Ben Stiller como o dublê sofredor do astro. JS 

Spawn – Versão do Diretor
Spawn. Direção: Mark Z. Dippé. Elenco: Michael Jay White, John Leguizamo, Martin Sheen, Theresa Randle, Nicol Williamson. Warner DVD, 2001, Região 4/Cotação: Filme ***, DVD **** - Recrutado pelo Maior dos Demônios para liderar seus exércitos na conquista da Terra, Spawn, um ex-agente especial americano que agora é a mais nova Cria do Inferno, vê-se face a face com a eterna batalha entre o Bem e o Mal. Vestindo uma espécie de armadura biológica e usando uma capa e correntes que obedecem à sua vontade, Spawn decide proteger àqueles que ama, e por conseqüência, opta por enfrentar o terrível Malebolgia e suas criaturas infernais. O filme Spawn (1997) é baseado nos aclamados quadrinhos criados por Todd McFarlane, e possui semelhanças com a versão animada disponível em DVD nos EUA, e que por aqui já foi lançada em VHS e exibida na TV a cabo. A diferença é que a versão em desenho é bem mais dark e fiel à HQ. Originalmente, Spawn foi exibido nos EUA com alguns cortes, e a versão em DVD que agora chega ao Brasil é a integral. Apesar de ser menos adulto que o desenho, de um modo geral o diretor Mark Dippé, ex-técnico da Industrial Light and Magic, criou um filme interessante, com efeitos digitais muito bons (apesar de faltar às cenas do Inferno um pouco mais de refinamento). No elenco sem astros, mas competente, destacam-se Michael Jay White (Al Simmons/Spawn), John Leguizamo (O Palhaço), Martin Sheen (Jason Wyn), Theresa Randle (Wanda) e Nicol Williamson (Cogliostro). A qualidade do disco é ótima, tendo sido um dos primeiros títulos, nos EUA, da Platinum Series da New Line. O áudio em Dolby 5.1 possui muitos efeitos surround, e entre os extras, destacam-se making of, trailer, comentário do diretor e comparações entre os storyboards e o filme. Em tempo: Todd McFarlane já está envolvido com a pré-produção de Spawn 2, e segundo o criador, o novo filme seguirá a linha de O Silêncio dos Inocentes e Seven. Macabro! JS 

Replicante

Replicant. Direção: Ringo Lam. Elenco: Jean-Claude Van Damme, Michael Rooker. Califórnia DVD, 2001, Região 4/Cotação: Filme ***, DVD * - Jean-Claude Van Damme é um sujeito legal. Seguidamente vem ao Brasil, e a sua última visita ocorreu no início de maio, quando divulgou seu novo filme, Replicante. Em um conhecido programa de TV dominical, Van Damme rebolou com a Gretchen e emocionou-se com um garotinho deficiente, demonstrando bom humor e simpatia. Bem diferente, portanto, do sisudo Schwarzenegger do último carnaval. Assim, é provável que os filmes do belga façam mais sucesso aqui por que nós nos identificamos com o seu jeito de ser. Apesar de todos os problemas pessoais com bebida, mulheres, drogas, etc., o cara dá a volta por cima e segue a vida em ritmo de festa – exatamente como nós, brasileiros. Em suma, vemos o Van Damme como um amigo que poderia morar na casa vizinha. Dito isto, é bom saber que Replicante é o melhor filme do astro em anos, graças principalmente ao diretor Ringo Lam, que se esforçou para superar o baixo orçamento e a falta de originalidade da trama. O filme começa com um serial killer chamado O Tocha (Van Damme) fugindo de um incansável policial (Michael Rooker). O tira sai da polícia, para logo em seguida ser recrutado por agentes do Serviço Secreto. Eles lhe dizem que clonaram o Tocha, mas precisam de alguém que ensine o clone (Van Damme de novo, no papel do replicante do título) a agir da mesma maneira que o original, a fim de que possam capturar o assassino. Ao assistir a algumas cenas dos crimes, o replicante começa a desenvolver um elo telepático com o Tocha. A partir de então, temos muitas cenas de violência, lutas e perseguições de carro. Em mais um papel duplo, Van Damme tem o melhor desempenho de sua carreira, e de quebra mostra que, depois de todas as festas a que tinha direito, está novamente em forma. As cenas de luta são um pouco diferentes das de seus filmes anteriores, possuem menos chutes e são mais acrobáticas. Michael Rooker, por sua vez, interpreta um herói com a mesma competência com que encarna os vilões (ele era uma das melhores coisas de O Sexto Dia). Infelizmente, o DVD da Califórnia é uma decepção, sem qualquer extra e apresentando o filme apenas em formato de tela standard. Quanto a mim, já resolvi: da próxima vez que o Jean-Claude vier ao Brasil, vou convidá-lo para um "chopinho" depois do serviço. JS

O EXORCISTA - A VERSÃO QUE VOCÊ NUNCA VIU
The Exorcist, 1973. Direção: William Friedkin. Elenco: Max Von Sydow, Ellen Burstyn, Jason Miller, Linda Blair, Lee J. Cobb. Warner Home Video 2001, Região 4/Cotação: Filme ****, DVD *** - Hoje, é difícil de avaliar o impacto e a repercussão gerados por O Exorcista, quando de seu lançamento em 1973. Os meios religiosos e cinematográficos ficaram estupefatos com a história (que teria sido baseada em uma possessão demoníaca real ocorrida nos EUA) e as imagens chocantes mostradas na tela, em muito ajudadas pelos efeitos de maquiagem, hoje um tanto datados, elaborados pelo premiado Dick Smith. Ao final, a Igreja Católica louvou a sua mensagem positiva, com a vitória de Deus sobre o Demônio, e as platéias de todo o mundo lotaram as salas de exibição para assistir a um dos filmes mais aterrorizantes do cinema, indicado para 10 Oscars (ganhou dois, de roteiro e de som), que até hoje mantém sua capacidade de perturbar até mesmo aos mais estóicos espectadores. Dirigido por William Friedkin, então um nome quente em Hollywood após a consagração obtida com Operação França, e adaptado por William Peter Blatty a partir de seu controvertido bestseller, O Exorcista gerou uma série de imitações e filmes tendo o Diabo como tema, e também ficou famoso pela “maldição” que teria acompanhado muitos dos integrantes de sua equipe.Do elenco principal, apenas Ellen Burstyn e Max Von Sydow mantiveram uma carreira de qualidade. O pior, sem dúvida, foi reservado a Linda Blair, que ficou tão marcada por sua personagem que nunca mais conseguiu arranjar um papel decente, sendo condenada a penar, por toda a eternidade, em filmes de segunda. Foi, até, exorcizada novamente (por Leslie Nielsen) no “besteirol” A Repossuída. Blair interpreta Regan, uma menina que vive com sua mãe (Burstyn) em Washington. Ela passa a ter um comportamento estranho, o que leva a mãe a pedir ajuda aos melhores psiquiatras do estado para descobrir o problema da filha. Os médicos suspeitam de uma espécie rara de esquizofrenia, mas aparentemente não há nada de errado com a saúde da menina. O estado de Regan piora, e ela começa a sofrer convulsões sobrenaturais e alterações na voz, tornando-se cada vez mais agressiva. Os fenômenos progressivamente tornam-se mais bizarros (a menina começa a levitar e girar a cabeça), e os próprios psiquiatras acabam recomendando a realização de um exorcismo. Jason Miller e Max Von Sydow encarnam, à perfeição, os dois padres que arriscam a sanidade e suas próprias vidas no clássico ritual que é o ponto alto do filme. Apesar de avalizada pelo diretor William Friedkin (dizem que com alguma relutância), esta nova versão, que possui como subtítulo A Versão que Você Nunca Viu, foi considerada por muitos apenas como uma jogada de marketing do estúdio, a fim de faturar mais com um produto já muito explorado. O fato é que o filme, quando de seu 25º aniversário, já havia recebido um tratamento de luxo em DVD. Esta nova versão, além de acrescentar referências e imagens subliminares do demônio, possui 11 minutos de cenas inéditas, que incluem novos testes físicos aos quais Regan é submetida; um diálogo após uma sessão de exorcismo, entre os padres Karras (Miller) e Merrin (von Sydow), no qual Merrin afirma que Satã quer fazê-los duvidar de sua fé (na versão original, a cena é breve e muda); a famosa cena, incluída no documentário do DVD dos 25 anos, na qual Regan desce a escada como uma aranha, cabeça virada e sangue escorrendo da boca; e um novo final, no qual o padre Dyer (o reverendo William O'Malley) encontra o tenente Kinderman (Lee J. Cobb) e os dois tem uma conversa amigável sobre filmes, o que remete a uma conversa anterior de Kinderman com Karras. Este final mais otimista foi considerado por muitos um equívoco, que retirou a essência do encerramento da versão original. Mas fãs e críticos foram unânimes em elogiar o novo, remixado e remasterizado áudio do filme, agora mais assustador do que nunca em Dolby Digital 5.1. Além dos efeitos sonoros assustadores, a trilha sonora (na qual se destaca “Tubular Bells”, de Mike Oldfield) ajuda a criar o clima perturbador da obra. Este novo DVD, se comparado com o da edição de 25 anos, é discreto em matéria de extras, já que inclui apenas 2 trailers de cinema, 4 comerciais de TV e 2 comerciais de rádio. JS

BLADE, O CAÇADOR DE VAMPIROS
Blade, 1998. Direção: Stephen Norrington. Elenco: Wesley Snipes, Stephen Dorff, Kris Kristofferson. Warner DVD 2001, Região 4/Cotação: Filme ****, DVD **** - Pelo menos até o lançamento de X-Men, ano passado, Blade era a mais bem sucedida adaptação de um personagem da Marvel Comics para o cinema. Sem dúvida, seu lançamento, em 1998, foi um alívio para aqueles que, depois do hediondo Batman & Robin de Joel Schumacher, achavam que nunca mais um herói de HQ iria surgir na tela grande. Blade, além de ser fiel ao personagem, é uma feliz combinação de vários elementos: terror e fantasia, ação e kung-fu. Na fita, acompanhamos Blade (Wesley Snipes), um sujeito implacável que vive apenas para eliminar os vampiros que vivem infiltrados na sociedade. Mestre em artes marciais, ele utiliza como instrumentos de exterminação sua espada de prata e um poderoso arsenal de armas, que disparam balas e dardos igualmente de prata. No caminho do herói surge uma horda de sugadores de sangue comandada por Deacon Frost (Stephen Dorff), um não-puro (já que nasceu humano) que acredita que o mundo deve ser governado pelos vampiros, e que a raça humana nada mais é que gado - fonte de alimento. Frost, para fazer valer seu ponto de vista, começa a eliminar os outros líderes das castas de vampiros, e em seus planos de conquista, planeja utilizar Blade. O nosso caçador, por uma ironia do destino, é meio-vampiro, já que sua mãe foi mordida por um quando ainda estava grávida. Por isso, tem de tomar um soro especial, que elimina a sua necessidade de beber sangue. Snipes, em sua melhor atuação até hoje, parece que nasceu para interpretar o personagem. Durante o filme, nas cenas de ação, ele demonstra uma agilidade e uma técnica surpreendentes, dispensando muitas vezes o dublê. Dorff, apesar de sua aparência um tanto frágil para o papel, acaba se revelando um vilão à altura do herói. E o veterano Kris Kristofferson está muito bem no papel de Whistler, o mentor e amigo de Blade. Mas o filme torna-se bem sucedido graças, principalmente, ao trabalho do diretor Stephen Norrington e do roteirista David S. Goyer, que provaram ser possível levar, com verossimilhança, personagens dos quadrinhos para as telas. Assim, Blade conquista a platéia e se impõe já a partir de sua primeira aparição, uma espetacular seqüência de ação em uma danceteria cheia de vampiros (e que conta com uma rápida participação da ex-musa pornô Tracy Lords). Deste ponto em diante, você estará imerso no mundo de Blade, em sua incansável luta contra as criaturas da noite. Enquanto a continuação de Blade (já em filmagens) não chega aos cinemas, o DVD da Warner, apresentando o filme em formato widescreen, é um ótimo passatempo. Ele praticamente reproduz o lançamento original da New Line, possuindo muitos extras de interesse: comentários dos atores Wesley Snipes e Stephen Dorff, do roteirista, do diretor de fotografia, do desenhista de produção e do produtor; trilha musical isolada com comentários do compositor Mark Isham; trailers; quatro featuretes, destacando "La Magra", que inclui o final original, descartado em virtude de problemas com os efeitos visuais; "A Casa de Erebus", contendo informações sobre as diferentes triboss de vampiros; e desenhos de produção. JS

CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU
Close Encounters of The Third Kind, 1977. Direção: Steven Spielberg. Elenco: Richard Dreyfuss, François Truffaut, Melinda Dillon, Teri Garr, Gary Guffey, Lance Henricksen. Columbia DVD, 2001, Widescreen, Região 4 – 132 minutos. Cotação: Filme *****, DVD ***** - Hoje, quando a maioria dos cinéfilos ouve falar em Steven Spielberg e alienígenas, o primeiro filme que lhes vem à cabeça é o terno ET - O Extraterrestre (1982). Para outros (eu, inclusive), Spielberg realizou o filme definitivo sobre alienígenas em 1977, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, que juntamente com Guerra nas Estrelas, propiciou o renascimento da ficção científica na tela grande. Contando com magistrais fotografia, efeitos especiais (Douglas Trumbull, de 2001) e trilha sonora (John Williams), o cineasta narra a história de Roy Neary (Richard Dreyfuss), um funcionário da companhia de energia elétrica que, ao investigar um grande apagão (!), avista objetos voadores não identificados - OVNIS. A partir daí sua vida muda radicalmente: obcecado pela visão de uma estranha montanha, sua esposa e filhos o abandonam. Em outro ponto do país, uma mãe desesperada (Melinda Dillon) vê seu filho de 4 anos (Gary Guffey) ser abduzido pelas luzes misteriosas. Paralelamente, acompanhamos as atividades de um grupo de investigadores de OVNIS, liderados por Lacombe (o falecido diretor francês François Truffaut). Todos estes personagens irão se encontrar no final grandioso, no qual a humanidade terá seu primeiro contato com seres de outro planeta. Desde  seu  lançamento, Close Encounters of The Third Kind teve  três versões. A primeira,  a versão 'original' exibida com grande sucesso nos cinemas, termina com uma tomada externa de  Dreyfuss  entrando  na nave-mãe. Neste primeiro lançamento, arrecadou US$ 114.7  milhões, o equivalente hoje a US$ 226.9, valor fenomenal para a época. Em 1981 (e não em 1978, como informa a Columbia em seu release), foi também lançada nos cinemas a 'edição especial'  com duração de 132 minutos, nova montagem, cenas adicionais e  outras  removidas. Nesta versão, o filme termina com Richard Dreyfuss dentro da nave, em uma longa tomada interna. Em 1998, uma nova 'Edição de Colecionador' foi editada por Spielberg e lançada em VHS e laserdisc. Aqui no  Brasil, a Columbia lançou essa versão em VHS, na série comemorativa dos 75  anos do estúdio. Agora, a 'Edição de Colecionador' de 1998 foi lançada mundialmente em DVD no dia 29 de maio, e novamente contou com a supervisão pessoal de Steven Spielberg. Essencialmente, a  'Edição de Colecionador' é a 'edição especial' com as seguintes diferenças: foram removidas as tomadas finais de Dreyfuss dentro da nave-mãe, o close de um outdoor do McDonald's que refletia as luzes do OVNI, uma tomada  parcial de Truffaut de costas, mais a tomada seguinte dele de frente,  no final  da  seqüência  da  cena do auditório onde ele demonstra  os sinais com as mãos (muitas das cenas removidas foram incluídas nas cenas deletadas do DVD). Por outro lado, foram adicionadas (ou em alguns casos, reinseridas) outras cenas, como a seqüência inteira de Richard Dreyfuss construindo a montanha na sua  casa (incluindo  Dreyfuss jogando plantas e tijolos através da janela), a cena da coletiva de imprensa com os militares na base aérea (que havia sido totalmente  removida na 'edição especial') e o final  original, no qual o filme termina com Dreyfuss entrando na nave-mãe (não há tomadas do interior da nave). Esta nova apresentação em DVD consiste de dois discos, sendo que o primeiro contém apenas o filme, em formato widescreen, com a opção de áudio em Dolby Digital ou DTS (ambos em inglês com 5.1 canais). O segundo disco apresenta todos os extras legendados em português, como o making of original Observando o Céu, trailers de Cinema, 11 cenas deletadas e notas sobre o elenco e realizadores. Mas o destaque é um documentário com 101 minutos, de 1997, que apresenta entrevistas completas com Steven Spielberg,  membros do elenco e equipe. Nele, entre muitas histórias da produção (algumas muito engraçadas, como a do orangotango vestido de ET), saberemos detalhes da participação de Truffaut no filme (ele falava um inglês horrível), como foram feitos os OVNIS e demais efeitos especiais. Nele, inclusive, Williams detalha como, um ano antes do início das filmagens, foi difícil chegar à hoje famosa seqüência de 5 notas, e ao final manifesta sua legítima satisfação em trabalhar, todos estes anos, com Spielberg . Essencial.  JS

TRILOGIA A PROFECIA (BOX)
The Omen Trilogy, 1976/1981. Fox DVD, 2001, Região 4. Cotação: Filmes ****, DVDs ***  - Em 1976, o diretor Richard Donner (Superman, série Máquina Mortífera) estreou na tela grande com A Profecia (The Omen), filme de terror impactante que gerou duas seqüências para o cinema. À época, ainda estavam em voga filmes que possuíam o demônio como tema, e cujos principais exemplares foram O Bebê de Rosemary (1969) e O Exorcista (1973, cuja versão do diretor recentemente passou nos cinemas, e em breve chega em DVD). No filme original, somos apresentados a Damien Thorn (Harvey Stephens), um adorável garotinho que é, tão-somente, o Anti-Cristo, filho de um casal de embaixadores que vivem na Inglaterra (Gregory Peck e Lee Remick). O casal não sabe que, no dia do parto, o seu filho verdadeiro foi assassinado e trocado por Damien, que havia sido gerado no ventre de uma chacal. Ao longo do filme a verdade será revelada ao embaixador Thorn, em momentos de forte suspense, muito bem conduzidos por Donner e filmados por Gilbert Taylor. As forças do mal começam a agir, providenciando mortes violentas àqueles que descobriram a verdade sobre o garoto. As cenas de violência, comparadas aos filmes de hoje, são poucas e discretas, mas a da decapitação do fotógrafo interpretado por David Warner tornou-se antológica. Outro aspecto memorável da produção foi o score composto por Jerry Goldsmith, que lhe valeu seu único Oscar até hoje. A faixa de abertura, “Ave Satani”, com o coral entoando cantos profanos em latim, e a orquestra opressiva e ameaçadora, é um dos elementos inesquecíveis do filme. O grande sucesso gerado trouxe, em 1978, a primeira continuação - Damien: A Profecia II, dirigida por Don Taylor. Damien (Jonathan Scott-Taylor), agora mais crescido, é adotado por seu tio, Richard Thorn (William Holden), um importante empresário que, a exemplo de Gregory Peck no filme original, irá encontrar evidências da real identidade do garoto. Sua esposa (Lee Grant) recusa-se a acreditar, e em breve, as forças malignas recomeçam a agir, a fim de proteger o garoto. A exemplo do filme anterior, há mortes impressionantes, como a no lago congelado, e a do médico cortado em dois pelo cabo de um elevador. Mais uma vez, Goldsmith compôs uma ótima trilha, porém esta continuação, apesar dos sustos e mortes violentas, perdeu em impacto. Finalmente, em 1981, A Profecia: Conflito Final, dirigido por Graham Baker, propôs-se a encerrar as aventuras do Anti-Cristo. Já adulto, Damien (Sam Neill) preside a multinacional herdada de seu tio, e resolve estabelecer o domínio de satã na Terra não pela religião, mas através da política e do domínio econômico. Essa linha é um dos elementos mais interessantes do filme, que de resto, é o mais fraco exemplar cinematográfico da série. De positivo, mais uma grande trilha de Goldsmith e a revelação de Neill. O pacote da Fox contém os três filmes, sendo que o original também pode ser adquirido separadamente. Todos os filmes receberam tratamento de luxo tanto na imagem como no som (formato Widescreen, Dolby Surround), mas o DVD que contém mais extras é o de A Profecia, que inclui o trailer, um documentário de 46 minutos sobre a produção (entre as revelações interessantes, a de que, no final original, Damien morria)  e entrevistas com Goldsmith (no documentário e em separado), onde ele fala sobre a música de cenas específicas, como foi trabalhar no filme e sua emoção por receber o Oscar após 11 indicações. Felizmente, a Fox do Brasil “esqueceu” de colocar na coleção o ridículo e esquecível telefilme A Profecia 4 – O Despertar. JS