TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN (Elizabethtown, EUA, 2005)
Gênero: Romance
Duração: 135 min.
Elenco: Orlando Bloom, Kirsten Dunst, Susan Sarandon, Judy Greer, Jessica Biel, Alec Baldwin, Jed Rees, Emily Rutherfurd
Compositor: Nancy Wilson
Roteirista: Cameron Crowe
Diretor: Cameron Crowe

Romance & rock

Novo filme do diretor Cameron Crowe tenta ser poético e profundo, mas ao final é apenas um bom romance embalado por música pop

Pode-se até não gostar dos filmes de Cameron Crowe, mas não dá para se dizer que o diretor não tem personalidade. TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN (2005) tem a cara de Crowe. O filme é uma mistura de QUASE FAMOSOS (2000) com JERRY MAGUIRE (1996). A obsessão de Crowe por música pop está cada vez mais evidente e quase sem controle. Foram dar total liberdade para o jornalista, olha ele aí dando uma de DJ nos filmes. Eu, como também sou apreciador de música pop - de vez em quando estou aqui falando sobre alguma canção que eu descobri em algum filme -, não tenho do que reclamar. Curiosamente, apesar de o filme ser recheado de belas canções, não ouvi nenhuma que realmente me encantasse. Conheço pouca coisa do repertório mostrado - acho que só as canções do U2 ("Pride") e do Elton John ("My Father's Gun") -, mas acredito que elas devem ficar melhores numa segunda audição.

O problema do filme está na vontade que o diretor tem de querer ser poético e profundo - sem conseguir ser. Em alguns momentos, ele até parece um desses livros de auto-ajuda. Ainda assim, não tem como não simpatizar com a sinceridade e a honestidade de Crowe. Seu filme é uma homenagem ao pai, já que em QUASE FAMOSOS ele dava muito destaque à mãe, enquanto o pai era deixado de lado. Até me identifiquei um pouco com o personagem de Orlando Bloom, por causa da relação distanciada com o pai.

Na trama, Bloom é um executivo de uma indústria de sapatos que acaba de perder o emprego por causa do megafracasso de seu projeto de tênis, resultando num prejuízo de quase um bilhão de dólares. Ele até pensa em suicídio, mas uma ligação da irmã dizendo que seu pai falecera faz com que ele viaje até Elizabethtown para buscar o corpo do pai, que vivia separado da família. No avião, ele conhece a comissária de bordo vivida por Kirsten Dunst. A princípio, ele meio que rejeita a moça, mas depois acaba se interessando por ela.

A personagem de Kirsten é quase uma figura angelical, mais até que a Kate Hudson de QUASE FAMOSOS, já que a Kate tinha um apelo sexual maior, o que acaba distanciando do que chamamos de anjo. Já com Kirsten, não há nenhuma tentativa de torná-la uma pessoa atraente sexualmente. A relação entre os dois seria mais espiritual e carinhosa do que sensual.

A trilha sonora incidental do filme foi composta por Nancy Wilson, esposa de Crowe. As canções do filme são, em sua maioria, rocks mais de raiz, para ficarem mais com a cara de Kentucky, e traz artistas como Tom Petty, Ryan Adams e Lindsey Buckingham.

Cotação:
Ailton Monteiro
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