O EXORCISMO DE EMILY ROSE (The Exorcism of Emily Rose, EUA, 2005)
Gênero: Terror
Duração: 119 min.
Elenco: Laura Linney, Tom Wilkinson, Campbell Scott, Jennifer Carpenter, Colm Feore, Joshua Close, Kenneth Welsh, Duncan Fraser, JR Bourne, Mary Beth Hurt, Henry Czerny, Shohreh Aghdashloo
Compositor: Christopher Young
Roteiristas: Paul Harris Boardman, Scott Derrickson
Diretor: Scott Derrickson

É de arrepiar

Realização do pouco conhecido diretor Scott Derrickson merece levar o troféu do filme de terror mais assustador no cinema em 2005

Uma coisa que sempre costuma me incomodar nesses filmes de terror que lidam com o diabo ou o apocalipse, é a forma como a Igreja Católica é mostrada como detentora dos segredos e das verdades. E o curioso é que isso acontece em filmes produzidos nos EUA, um país predominantemente protestante. Isso talvez aconteça porque o Catolicismo tem uma riqueza de simbolismos que o Protestantismo não tem. Quanto ao exorcismo, hoje em dia ele é mais praticado pelas religiões (ou seitas) evangélicas do que pela Igreja Católica, que progressivamente vem se tornando uma instituição mais cultural que religiosa. Se os exorcismos exibidos nas redes de televisão são verdadeiros ou não, aí já é outra história. Só sei que evito assistir, quando estou zapeando pela TV à noite e vejo por alguns segundos um pastor empurrando a cabeça de uma pessoa e gritando "sai demônio!". Talvez porque eu já tenha assistido isso pessoalmente, no tempo que era freqüentador assíduo de Igreja Evangélica. Mas cansei desse tipo de espetáculo.

Já no cinema, a coisa toma outra forma. O espetáculo de gritos e barulho do filme de Scott Derrickson realmente me deixou assustado. E não acredito que o filme se resuma apenas a barulho. O EXORCISMO DE EMILY ROSE (2005) além de ser curioso por misturar drama de tribunal com filme de terror, é o título mais assustador que eu vi no cinema esse ano. Senão vejamos: quais os melhores filmes de horror de 2005? Eu colocaria na lista, em ordem de lançamento: O GRITO, O FILHO DE CHUCKY, JOGOS MORTAIS, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, O AMIGO OCULTO, O CHAMADO 2, VISÕES, GUERRA DOS MUNDOS e TERRA DOS MORTOS. Tirando os filmes do Spielberg e do Romero, nenhum dos outros entraria num top 20 de 2005. Os dois obviamente são superiores a O EXORCISMO DE EMILY ROSE, mas nenhum dos dois me deixou com calafrios, nem com uma sensação de medo como o filme de Derrickson.

Fiquei arrepiado quando citaram no filme que o horário de três horas da madrugada é a hora dos demônios. Aí me lembrei que em O AMIGO OCULTO, sempre que acontecia alguma coisa sinistra, era nesse horário também. Lembrei-me também que é nessa hora que eu costumo sempre acordar no meio da noite. Eu acredito que existem pessoas com uma maior sensibilidade para ver ou sentir espíritos que outras, estando, portanto, mais abertas para a entrada de entidades de fora de nossa dimensão. O filme já começa com a personagem de Emily morta. O padre que realizou o exorcismo está preso e haverá um julgamento para decidir sua culpa na morte da moça. Será que a menina estava mesmo possuída pelo demônio? Ou seria algum distúrbio mental, uma espécie de psicose ou algo do gênero? O filme trafega por essa dúvida, mas fica claro que ele toma partido, afinal até a personagem de Laura Linney é assombrada por forças demoníacas.

Desse modo, o filme não nos dá trégua. Até no momento presente, quando escurece, somos atormentados pelo mal, através da personagem de Laura Linney, a advogada de defesa do padre. Porém, as cenas mais perturbadoras acontecem mesmo nos flashbacks. Especialmente na tal cena da fita cassete, quando o padre (Tom Wilkinson) conta detalhes de uma das sessões de exorcismo. Inclusive, principalmente por causa dessa cena, vale ver o filme na melhor sala de cinema de sua cidade, para melhor aproveitar os efeitos sonoros. No aspecto técnico, um dos méritos do filme é não se apoiar em efeitos especiais. Jennifer Carpenter, a jovem que faz a Emily se esforçou muito para entrar na personagem. Ela se contorce de verdade, não tem nada parecido com aquele efeito de virar o pescoço de O EXORCISTA, do Friedkin. E mesmo nos momentos em que são utilizados efeitos visuais, como na cena das alucinações (?) de Emily, os efeitos são tão bem utilizados que contribuem para assustar ainda mais.

Como eu sou sempre curioso para conhecer a filmografia dos diretores, fui pesquisar sobre Scott Derrickson. Ele é novato e não era, até então, um nome conhecido em Hollywood. Seu filme mais famoso era HELLRAISER: INFERNO (2000). Acho que essas continuações de HELLRAISER hoje em dia só são vistas pelos fãs de Pinhead e Cia. Mas agora deu vontade de ver esse e também o dirigido por Anthony Hickox (HELLRAISER III: INFERNO NA TERRA). O fato de ter realizado O EXORCISMO DE EMILY ROSE com atores do porte de uma Laura Linney e de um Tom Wilkinson e, ainda por cima, fazer um enorme sucesso nas bilheterias americanas, deve tê-lo levado para o primeiro time. E o homem tem estilo. A cena que mostra Emily saindo na rua à noite lembra a seqüência inicial de SUSPIRIA, do Argento, dando até pra sentir o mal à espreita, escondido na escuridão.

Cotação:
Ailton Monteiro
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