ENCONTROS E DESENCONTROS (Lost in Translation, EUA, Japão, 2003)
Gênero: Romance
Duração: 105 min.
Elenco: Scarlett Johansson, Bill Murray, Akiko Takeshita, Kazuyoshi Minamimagoe, Kazuko Shibata, Take, Ryuichiro Baba, Akira Yamaguchi
Compositores: Brian Reitzell, Kevin Shields, William Storkson
Roteirista: Sofia Coppola
Diretor: Sofia Coppola

Romance e descoberta... em um mundo à parte

Brilhante comédia romântica de Sofia Coppola convida seus espectadores a sonhar

Não gosto nem um pouco de AS VIRGENS SUICIDAS, primeiro trabalho de Sofia Coppola. Mas isso não vem ao caso quando se assiste a este ENCONTROS E DESENCONTROS. Aqui tudo é tão bem cuidado, tão bem planejado, tão maravilhoso, que um texto como esse aqui acaba sendo dispensável. Deveríamos apenas aplaudir.

É a história de amor em alta no cinema atual: dois estranhos que se conhecem em algum lugar atípico, e ficam juntos para combater a solidão. O amor é proveniente daí. Foi assim no não menos perfeito ANTES DO AMANHECER, de Richard Linklater. A força de ENCONTROS E DESENCONTROS não mora nas cenas espalhafatosas, cheias de efeitos especiais. Está nas sutilezas, nos diálogos entre a dupla de protagonistas, sempre pausados, calmos, como na vida real. Diálogos entre duas pessoas extremamente valiosas uma à outra. Entre pessoas que sabem o significado de compartilhar um momento.

Bob (Bill Murray) é um ator decadente que viaja ao Japão para fazer comerciais de uísque. Lá, encontra uma civilização completamente diferente de tudo o que conhece. Uma língua que parece absurda, personagens esquisitos (e fascinantes). Perdido nesse mundo, não consegue dormir, passando as noites em claro no bar do hotel. Quase na mesma situação se encontra Charlotte (Scarlett Johansson), garota recém-casada que acompanha o marido, que está trabalhando e não lhe dá atenção. É nesse bar que eles se conhecem, e o filme passa a explorar essa amizade improvável entre duas pessoas (aparentemente) tão diferentes.

Bill Murray tem a melhor interpretação de sua vida como Bob. É hilário quando precisa, mas diz muitas palavras com uma simples expressão facial. Se houver justiça nesse mundo, o Oscar é dele. Mas Ok, eu sei que não há. Scarlett Johansson, a nova revelação de Hollywood, sequer foi indicada ao prêmio. E está tão bem em cena como Murray. Expressa sentimentos de maneira inacreditável, além de ser uma das atrizes mais lindas já vistas.

ENCONTROS E DESENCONTROS cativa a cada cena quando se aproxima de seu final. Cada personagem apresentado é uma descoberta (citação em especial para Anna Farris), cada situação é um deleite visual, cada momento é para ser compartilhado com o espectador. Dois personagens ali, tão vulneráveis, tão reais, que aquilo nem parece cinema. Um filme tão singelo e tão triste ao mesmo tempo.

É como se Coppola quisesse fazer o público sonhar. Seja com Tóquio, seja com o amor, seja com Johansson, ou com qualquer outra coisa vista na projeção. E ela consegue fazer disso uma lei. É o tipo de produção que transporta o espectador para outro universo. Se o sonho é a lei, ela ainda deixa o final aberto, para o público continuar a história. Brilhante.

Cotação:
Carlos Massari
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