Os esquecidos (The Forgotten, EUA, 2004)
Gênero: Suspense
Duração
: 96 min.
Elenco: Julianne Moore, Christopher Kovaleski, Matthew Pleszewicz, Anthony Edwards, Jessica Hecht, Linus Roache, Gary Sinise, Dominic West
Compositor: James Horner
Roteirista: Gerald Di Pego
Diretor: Joseph Ruben

Estranheza que agrada

Juliane Moore brilha em um fime injustiçado pela crítica norte-americana, e que assusta o espectador de verdade

OS ESQUECIDOS, de Joseph Ruben, narra a história de uma mulher que perdeu o filho num acidente de avião. De uma hora pra outra, todas as memórias e registros da existência do menino são apagadas, exceto da mente de sua mãe. Melhor não falar mais nada para não estragar as surpresas de quem ainda não viu o filme.

Este já é o terceiro título no ano que trata do assunto "apagamento de memória". Os outros foram BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS e EFEITO BORBOLETA. Mas, pelo que eu li nas críticas dos jornais de São Paulo, o filme tem uma similaridade maior com um filme pouco famoso de Otto Preminger, chamado BUNNY LAKE DESAPARECEU (1965).

Não entendi porque a crítica norte-americana caiu de pau nesse filme. Por conta das críticas negativas, esse é o tipo de filme que a gente vai ver esperando o pior e sai do cinema satisfeito e tendo experimentado até sensações diferentes das usuais. Não é um filme comum: apesar das semelhanças com ARQUIVO X da segunda metade para o final, ele tem uma aura de estranheza que me agradou bastante. 

Há pelo menos três momentos assustadores no filme. O primeiro acontece na cena da batida do carro, totalmente inesperada, e que me acordou da dispersão - estava meio disperso durante os primeiros minutos do filme, por causa do andamento lento. Os outros dois momentos assustadores devem ser louvados por utilizarem efeitos especiais, coisa que os filmes mais recentes não conseguem. Quando se fala em CGI em filme de terror, já se imagina que o filme vai estragar toda a atmosfera necessária para um bom filme do gênero. Mas em OS ESQUECIDOS o recurso é usado economicamente.

Juliane Moore continua um espetáculo de atriz e aqui debuta no gênero fantástico, trazendo uma interpretação no ponto para esse tipo de filme. Já Gary Sinise continua com sua cara de sujeito em que a gente não pode confiar. Culpa do seu inesquecível papel em OLHOS DE SERPENTE, de Brian De Palma?

Uma coisa me passou pela cabeça: será que o nome do menino - Sam - tem alguma coisa a ver com o Tio Sam, símbolo dos EUA? O filme não seria uma alegoria sobre o norte-americano, que não deve se esquecer de seu país? Mas deve ser bobagem minha.

Cotação:
Ailton Monteiro
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