EU, ROBÔ (I, Robot, EUA, 2004)
Gênero: Ficção Científica 
Duração: 115 min.
Elenco: Will Smith, Bridget Moynahan, Alan Tudyk, James Cromwell, Bruce Greenwood, Adrian Ricard, Chi McBride, Jerry Wasserman
Compositor: Marco Beltrami
Roteiristas
: Jeff Vintar, Akiva Goldsman
Diretor: Alex Proyas

Até tu, Robô

O robô Sonny rouba (desculpem o trocadilho) a cena do astro Will Smith, em um blockbuster que é apenas "sugerido" pela obra do grande escritor Isaac Asimov

Quando vi pela primeira vez o trailer deste EU, ROBÔ, tive a pior das impressões possíveis: Will Smith sendo... bem, aquele Will Smith que todos nós conhecemos, com seu jeitão cool e soltando piadinhas; e algumas cenas de ação, com direito a uma louca perseguição automobilística em um túnel e robôs sendo alvejados por espingardas. Tudo isso eu engoliria, pensei eu, se não fosse um filme baseado na grande obra literária do escritor russo Isaac Asimov. 

As idéias de Asimov já inspiraram um sem número de filmes de ficção científica que exploraram os temas da dominação do mundo pelas máquinas, e o desejo de robôs ou andróides se tornarem humanos, ou pelo menos de serem respeitados como seres dotados de livre arbítrio. Destes citaria apenas algumas produções recentes que podem ser consideradas clássicos modernos, como BLADE RUNNER, O EXTERMINADOR DO FUTURO e MATRIX. O irônico é que, até agora, a própria obra de Asimov nunca foi oficialmente adaptada para um filme que possa ser considerado um clássico - coisa de que este EU, ROBÔ, está longe de ser. Pior, ainda vai ser considerado pelos mais jovens como um mero pastiche daqueles filmes.

Caso tivesse sido produzido nos anos 60 ou 70, EU, ROBÔ seria uma adaptação mais fiel dos contos de Asimov, cerebral e centrada em idéias. Mas como já estamos no século 21, algum executivo da Fox teve a idéia genial de fazer um filme apenas "sugerido" por Asimov, e que fosse acima de tudo um blockbuster de verão eletrizante cheio de efeitos especiais, o veículo ideal para o astro Smith. E, visto apenas sob este ângulo, o filme cumpre sua missão.

Na Chicago de 2035, com suas ruas cheias de robôs e Audis, o detetive Del Spooner (Smith), um tecnófobo que detesta as "latas de sardinha" e usa um tênis All Star® modelo 2004, investiga o aparente suicídio do Dr. Alfred Lanning (James Cromwell), o criador das famosas três leis da robótica que impedem que um robô faça mal a um ser humano. Não demora para Spooner suspeitar que Lanning foi assassinado, e pior - que o autor do crime foi um robô da série Nestor 5 que possui sentimentos, Sonny. Com a ajuda da psicóloga de robôs Susan Calvin (Bridget Moynahan), Spooner inicia uma investigação que o leva a um segredo escondido no coração da U.S. Robotics (esclarecendo: não a fabricante de modens de computador, mas a empresa que fabrica robôs).

Utilizando-se apenas de elementos retirados das histórias curtas de Asimov, como a idéia de um robô suspeito de assassinato e a personagem da Drª Susan Calvin (que nos livros está longe de ser jovem e bonita, como no filme), o diretor Alex Proyas (O CORVO, CIDADE DAS SOMBRAS) fez um bom thriller de ação futurista, que no entanto seria mais convincente caso tivesse como ator principal um sujeito mais velho (Harrison Ford estaria perfeito no papel). Assim, pelo menos ficaria melhor justificada a tecnofobia e as idéias conservadoras de Spooner.

Como méritos da produção, destacaria os efeitos especiais primorosos, que trazem para a tela os robôs mais convincentes que já vi no cinema. Em especial Sonny, criado utilizando-se a mesma tecnologia empregada para dar vida ao Gollum de O SENHOR DOS ANÉIS - o robô, feito em CGI, recebeu os movimentos e as expressões faciais do ator Alan Tudyk, e simplesmente rouba a cena do astro Smith. Outro ponto positivo é a trilha sonora, mesclando elementos orquestrais e eletrônicos, de Marco Beltrami (PÂNICO, O EXTERMINADOR DO FUTURO 3, HELLBOY), que filme após filme, está rapidamente se aproximando do primeiro time de compositores de Hollywood.

Então, esqueça as origens literárias de EU, ROBÔ e o filme que poderia ter sido, e concentre-se no que ele de fato é - um thriller de ação bem estruturado, com efeitos especiais excelentes e uma história que, ao contrário da maioria dos títulos recentes do gênero, tem lá seu conteúdo e idéias. Assim pensando, você dificilmente sairá decepcionado do cinema.

Cotação:
Jorge Saldanha
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