EXTERMÍNIO 2 (28 Weeks Later, Inglaterra, EUA, 2007)
Gênero: Terror
Duração: 99 min.
Elenco:
Catherine McCormack, Robert Carlyle, Amanda Walker, Shahid Ahmed, Garfield Morgan, Emily Beecham, Jeremy Renner, Harold Perrineau, Imogen Poots, Rose Byrne
Compositor: John Murphy
Roteiristas: Jesús Olmo, Juan Carlos Fresnadillo e Rowan Joffe, Enrique López Lavigne
Diretor: Juan Carlos Fresnadillo

No limite

Continuação de Extermínio por vezes beira o trash, mas não faz feio se comparada ao original de Danny Boyle

Em 2002, o diretor britânico Danny Boyle resolveu provocar os cinéfilos com o que seria sua visão pessoal dos filmes de zumbi. Em EXTERMÍNIO ele prestou suas homenagens aos clássicos de George Romero, ao mesmo tempo em que reinventava o gênero - no lugar de mortos-vivos apalermados, os monstros agora eram pessoas que, contaminadas por uma fortíssima cepa do vírus da raiva, enlouqueciam e atacavam com fúria qualquer um que ainda não estivesse contaminado. Rodado com baixo orçamento, o filme gerou um lucro considerável e virou cult. Não seria surpresa, portanto, que logo viesse uma seqüência.

Cinco anos depois chega EXTERMÍNIO 2, agora dirigido pelo espanhol Juan Carlos Fresnadillo já que Boyle estava ocupado com SUNSHINE - ALERTA SOLAR e serviu apenas como produtor-executivo e diretor de 2ª unidade. Não há grandes nomes no elenco - os atores mais conhecidos são Robert Carlyle, que já trabalhara com Boyle em trainspotting e A PRAIA, e Harold Perrineau, da trilogia MATRIX e da série de TV LOST. Apesar de ter estreado com boa receptividade no exterior eu não levava muita fé nesta continuação, e portanto posso dizer que tive uma surpresa positiva com ela.

O filme já começa em alta rotação, num chalé isolado que passa a ser invadido pelos infectados, que querem atacar as pessoas que lá se refugiavam. Após, somos levados para uma zona de Londres controlada pelo exército norte-americano, onde os sobreviventes da epidemia são realocados. Passaram-se 28 semanas desde que a Inglaterra começou a ser devastada pelo vírus, e a epidemia é considerada extinta, já que todos os contaminados morreram de fome. Uma sobrevivente do ataque ao chalé é encontrada na zona de Londres que está em quarentena, e logo se descobre que, apesar de mordida, ela não apresenta sintomas da doença por apresentar imunidade natural ao vírus. No entanto, apesar de imune ela é transmissora, e seu marido Don (Carlyle), que até então a considerava morta, é contaminado. A partir daí o pesadelo recomeça, a epidemia se alastra e o exército passa a eliminar todos que estão na região - infectados ou não. Um grupo de sobreviventes, entre os quais o casal de filhos de Don, consegue fugir de Londres, mas sempre sob a ameaça dos contaminados e do exército.

Um dos aspectos interessantes destes filmes é o de colocarem, em determinado momento, os militares no papel de algozes - algo que remete diretamente ao filme de Romero DIA DOS MORTOS, que aliás está para ser refilmado. Agora a bola da vez são os militares ianques, numa referência direta à ação das forças de Bush no Oriente Médio. Mas analogias à parte, o filme, que contou com um orçamento maior do que o original, oferece altas doses de adrenalina em cenas frenéticas e que por vezes beiram o trash - aquela em que o helicóptero decepa uma horda de zumbis com suas hélices já pode ser considerada clássica no gênero, e a de Londres sendo devastada por napalm despejado por caças, à noite, é impressionante.

EXTERMÍNIO 2, no mínimo tão bom quanto o original, é obrigatório para quem curte o gênero. E com o gancho deixado ao final, pelo jeito não vai demorar para que tenhamos um terceiro filme da série. Pobre França...

Cotação:
Jorge Saldanha
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