Primeira Impressão
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Título Original: Os 12 Trabalhos
Tempo de Duração: 90 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Direção: Ricardo Elias
Roteiro: Ricardo Elias, Cláudio Yoshida, Hilton Lacerda, Arthur Autran
Produção: Van Fresnot

Música: André Abujamra
Fotografia: Jay Yamashita
Direção de Arte: Ana Maria Abreu
Figurino: Cássio Brasil
Edição: Willem Dias
Elenco:
Sidney Santiago, Flávio Bauraqui, Vera Mancini, Vanessa Giácomo, Francisca Queiroz, Cynthia Falabella, Cacá Amaral, Lucinha Lins, Luiz Baccelli, André Luís Patrício, Eduardo Mancini, Ígor Zuvela, Luciano Carvalho, Thiago Moraes, Paulo Américo

07 de março de 2007

OS 12 TRABALHOS

Héracles, Motoboy e Semideus


Desde seu primeiro filme, DE PASSAGEM, Ricardo Elias já demonstrava ser um cineasta diferente, dotado de uma sensibilidade especial para abordar os segmentos menos favorecidos da sociedade: apesar de enfocar o submundo, a pobreza e a violência urbana, Elias não abre mão da beleza cinematográfica e cria filmes nos quais tais cistos sociais surgem na tela de forma poética, delicada, na qual nada, nem mesmo a violência latente das camadas sociais abordadas, ecoa agressivamente.

Em DE PASSAGEM, poderiam acontecer situações escabrosas com seus protagonistas - dois rapazes humildes da periferia paulistana, com nomes de ex-presidentes americanos, que cruzavam a cidade para tratar do funeral de um amigo; mas a suave (e, paradoxalmente, firme) mise-èn-scéne de Elias impedia o espectador de se sentir incomodado - ao contrário, ele se sentia encantado, e, exatamente por isso, envolvia-se muito mais com os personagens (e preocupava-se com estes) do que se estivesse chocado e ansioso para ir embora do cinema.

Agora em seu segundo filme que estréia sexta-feira, 09 de março, OS 12 TRABALHOS, Ricardo Elias confirma que a força de sua suavidade não fora um caso isolado. Novamente, o cineasta decide abraçar personagens do piso da pirâmide social, ao narrar a estória do motoboy Héracles (Sidney Santiago, em desempenho perfeito, e desde já forte candidato às listas de melhor ator do ano), e os 12 trabalhos que tem que cumprir em seu primeiro dia no emprego. A cada entrega - ou tentativa de o fazer - Héracles vivencia cacos do cotidiano da grande São Paulo, uma cidade tão linda, mas simultaneamente tão caótica, e que Elias filma com lentes que parecem mágicas, expondo a dura realidade da maior cidade do Hemisfério Sul sem jamais abdicar da beleza poética de nossos prédios e de suas câmeras.

Em OS 12 TRABALHOS, roteiro, fotografia, interpretações, tudo é perfeito. Mas é, sem dúvida alguma, graças ao trabalho único, simultaneamente grandioso e delicado, da direção de Elias que o espectador se envolve com seus personagens, torce por estes e compreende, sem rancores ou novas formas de medos, toda a mensagem que o filme pretende transmitir com a estória do protagonista Herácles, motoboy e semideus que acorda de manhã para trabalhar e subitamente se vê envolto em uma teia de situações que, no saldo final, pode ser definida como coexistência. Ou, pelo menos, existência em uma cidade grande.

 

Carlos Dunham

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