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Título Original:
AUSTRALIA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 165 MIN.
Ano de Lançamento (Austrália/EUA): 2008
Estúdio: FOX
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Stuart Beattie,
Baz Luhrmann, Ronald Harwood, Richard Flanagan
Produção: G. Mac Brown,
Catherine Knapman, Baz Luhrmann
Música: David
Hirschfelder
Fotografia: Mandy Walker
Desenho de Produção:
Catherine Martin
Direção de Arte: Ian
Gracie, Karen Murphy
Figurino: Catherine
Martin
Edição: Dody Dorn e
Michael McCusker
Elenco:
Nicole Kidman, Hugh Jackman, Ray Barrett,
Bryan Brown, Tony Barry, Essie Davis, Arthur Dignam, Sandy Gore, David
Gulpilil, Jamie Gulpilil, Jacek Koman, Ben Mendelsohn, David
Ngoombujarra, Angus Pilakui, Bruce Spence, Kerry Walker, David Wenham,
Brandon Walters |
14 de
janeiro
de 2009
AUSTRÁLIA
Um berço esplêndido
Há alguns séculos, um país do Hemisfério Sul passou a receber em massa
colonizadores europeus, que na tentativa de impor o seu "modus vivendi",
sufocaram impiedosamente a cultura local, oprimindo e dominando o povo
anfitrião de modo ou a dizimar seus membros ou obrigando-os a trabalhar
para eles. Contudo, esse país era tão vasto, e tão isolado do mundo
"tradicional", que os colonizadores que lá iam viver não tinham como
escapar de uma convivência forçada com os nativos que pretendiam dizimar
- e que, digam-se de passagem, não entregavam suas terras com tanta
facilidade assim.
Como um bônus extra oferecido por Deus, além de sua vastidão física essa
nação do Hemisfério Sul possuía também uma fauna riquíssima, diferentes
variações de clima e vegetação, e abrigava uma série de desmembramentos
de suas riquezas naturais - a sua parte de cima, por exemplo, era, e é,
extremamente calorenta e repleta de regiões áridas. Isso acabava por
requerer do colonizador rigidez maior em sua estratégia de dominação - e
permitia ao dominado maiores possibilidades de escapar às imposições do
europeu que deixava de ser mero visitante para se tornar morador do
local.
Todos sabem de qual país estamos falando, não?
É claro que sim, afinal estamos falando de um filme cujo nome é
Austrália. Mas, se não fosse por esse pequeno e crucial detalhe,
será que a descrição acima não nos levaria a pensar em um outro país do
Hemisfério Sul?
Esse é, talvez, o aspecto mais interessante de Austrália, que
estréia no Brasil no próximo dia 23 de janeiro: mostrar ao mundo nuances
da construção daquela que se tornaria uma das mais importantes nações do
planeta, e revelando aos não-australianos detalhes que revelam como o
país do cineasta Baz Luhrmann foi formado. Geralmente, filmes que falam
das origens do país no qual foi realizado tendem a se tornarem regionais
em demasia e, com isso, dificilmente obtêm projeção a nível mundial. Não
é o caso de Austrália - em seu primeiro filme após Moulin Rouge!,
Luhrmann destrincha detalhes da construção de seu país e passeia com
descontração, mas também com inegável carinho, pelos aspectos positivos
e negativos da criação da sua Austrália.
Muitos podem ter achado estranho o fato do filme não ter feito muito
sucesso na temporada de prêmios relativa ao ano de 2008 - Austrália
foi completamente ignorado pela esmagadora maioria das instituições de
prêmios. Mas isso tem uma explicação lógica: Luhrmann optou por fazer um
filme leve, sem a densidade que se costuma esperar dos grandes épicos -
mais ou menos como cineastas como Henry King e Cecil B. DeMille
costumavam fazer na época da ação do filme, 1939 (embora tivesse feito
Cleópatra em 1934, somente no final dos anos 40 DeMille passou a
se dedicar inteiramente às grandes produções, aquelas com "P"
maiúsculo). Assim como os filmes de 1939, Austrália não tem a
pretensão de ser um novo ... E o Vento Levou (coisa que os filmes
de 1939 e anos subsequentes não pretendiam, justamente porque seus
realizadores achavam impossível igualar-se à obra de Victor Fleming) - o
filme é leve, intencionalmente "menor" - pois transita muito mais pela
aventura e pela comédia do que pelo drama épico, diferentemente do que,
a princípio, se poderia esperar de um filme como esse. É uma opção que
eliminou o filme da temporada de prêmios, mas que faz com que a
realização se livre de todos os pesos e pretensões imagináveis, e acabe
transmitindo tanta beleza e alegria de viver - e de lutar pela criação
de um novo país - que deixa o espectador relaxado, alegre, comovido, sem
condições de resistir, e se entregue totalmente à missão de assistir e
participar da construção da Austrália.
Carlos Dunham
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