Primeira Impressão
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FICHA TÉCNICA
Título Original: BABYLON A. D.
Distribuição: FOX
Direção: MATHIEU KASSOVITZ
Roteiro: MAURICE G. DANTEC, MATHIEU KASSOVITZ, JOSEPH SIMAS, ERIC BESNARD
Produção: ALAIN GOLDMAN, MATHIEU KASSOVITZ
Direção de Fotografia: THIERRY ARBOGAST
Desenho de Produção: PAUL CROSS, SONJA KLAUS
Edição: BENJAMIN WEILL
Figurinos: CHATTOUNE, FAB
Música: ATLI ÖRVARSSON
Elenco: VIN DIESEL, MICHELLE YEOH, MÉLANIE THIERRY, GÉRARD DEPARDIEU, CHARLOTTE RAMPLING, LAMBERT WILSON

16 de setembro de 2008

MISSÃO BABILÔNIA


Correto, confuso e rotineiro

Que Mark Sinclair Vincent é, atualmente, um dos melhores astros do cinema de ação não há muito o que discutir - não apenas pela falta de bons concorrentes, mas acima de tudo pelo seu tipo físico bastante peculiar, e que o converte em alguém extremamente carismático: um cara grandão, fortão, cheio de músculos, mas com rostinho de bebê chorão. O "physique du role" do ator é tão peculiar que basta essa definição para se saber de quem estamos falando - antes mesmo de esclarecermos que Mark Sinclair Vincent é o verdadeiro nome de Vin Diesel.

E aventuras futuristas são exatamente um campo que já forneceu vasta oportunidade para Diesel exercer (bem) o seu ofício - mesmo porque o ator ficou famoso após estrear como protagonista justamente em um filme do gênero: o hoje pouco lembrado ECLIPSE MORTAL (PITCH BLACK), de 2000.

Em MISSÃO BABILÔNIA (BABYLON A. D., 2008), Diesel retorna ao gênero - mas, infelizmente, sem a mesma força de suas incursões anteriores. Lembrando - em trama e modo de filmar - o hoje quase mítico CONAN, O DESTRUIDOR (filme de 1985 em que o herói, vivido por Arnold Schwarznegger, deveria escoltar e proteger uma jovem indefesa por um território devastado e para isso contava com o auxílio de uma mulher boa de briga - como a personagem de Michelle Yeoh, aqui, demonstra ser), MISSÃO BABILÔNIA não tem motivos para se gabar com a comparação: CONAN, O DESTRUIDOR nunca foi um grande filme e essa realização aqui também está longe de o ser. Ainda mais porque a grande semelhança entre os dois filmes está em repousar em uma "vantagem" que, mal-aproveitada em ambas as realizações, acaba por se converter em uma desvantagem seriíssima: realizar filmes que se situem em localidades ermas, devastadas e pós-apocalípticas pode ser um pretexto fenomenal para maus diretores de arte justificarem seus erros e a má qualidade de seus cenários. Exatamente o caso.

Muitos sempre poderão alegar que cenários não são um fator essencial à qualidade de um filme nem tampouco o mais importante de seus aspectos. Contudo, não pode ser ignorado o fato de que são estes que situam no tempo e no espaço a trama narrada, definindo o filme no que diz respeito a suas posições físicas - geografia, localização da estória, condição social dos personagens e afins. Mas é igualmente claro que os cenários rotineiros e de pouco impacto são, realmente, dos menores problemas de MISSÃO BABILÔNIA - o roteiro se apresenta muito cheio de detalhes, que não só não são explicados como surgem na tela de forma a sugerir que o espectador já estaria sabendo de muita coisa - como se o filme, na verdade, fosse o novo capítulo de uma minissérie. Fica difícil para o público, por exemplo, compreender o relacionamento da heroína Aurora com seu pai, o enigmático Darquandier, e mais ainda saber que partido tomar, no relacionamento dos dois e na busca obsessiva que ele traça para localizar a jovem escoltada pelo personagem de Diesel. Como o (geralmente hábil) diretor Mathieu Kassovitz também não se encontra em seus melhores dias, o filme, que já era visualmente monótono, torna-se confuso, e conduz o espectador ao sono e a uma completa sensação de desinteresse.

MISSÃO BABILÔNIA não chega a ser um filme de todo ruim, mas é mal desenvolvido em vários aspectos, e, na incapacidade de contar bem sua estória, acaba por tornar-se uma realização que não merece atenção maior do espectador.
 

Carlos Dunham

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