Primeira Impressão
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Título Original: FEAST OF LOVE
Gênero: ROMANCE
Tempo de Duração: 101 MIN.
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Distribuição: EUROPA FILMES
Direção: ROBERT BENTON
Roteiro: Allison Burnett, Charles Baxter
Produção: Marisa Forzano, Ted Gidlow
Música: Marisa Forzano
Fotografia: Kramer Morgenthau
Elenco: Morgan Freeman, Greg Kinnear, Radha Mitchell, Billy Burke, Selma Blair, Alexa Davalos, Toby Hemingway, Stana Katic, Erika Marozsán, Jane Alexander, Fred Ward, Margo Martindale, Missi Pyle, Shannon Lucio, Alex Mentzel

06 de maio de 2008

BANQUETE DO AMOR

Amar se aprende amando

Em seu antológico e histórico discurso "O Dom Supremo", o religioso Henry Drummond pregou a necessidade de se cultivar o amor em todas as variações do relacionamento humano. Passados cerca de um século e meio do discurso do religioso, contudo, chega a ser inacreditável a dificuldade que a maioria das pessoas, hoje em dia, tem em acreditar, e principalmente, em se entregar (e entregar o seu dia-a-dia) a esse tão nobre sentimento.

Dirigido pelo vencedor do Oscar Robert Benton, BANQUETE DO AMOR (2007), que chega aos cinemas esta semana, versa sobre várias formas de amar, e muito particularmente sobre a dificuldade de se adaptar o modo de vida de cada um a um sentimento que, inflexivelmente, sempre exige algum tipo de relacionamento com outra pessoa - seja esse relacionamento platônico ou não.

É verdade que, em sua maioria, as variações do amor que se observa no filme dizem respeito ao amor carnal; melhor dizendo, àquele vivido por duas pessoas (geralmente um homem e uma mulher, embora haja variações na vida e no filme). Tal opção é constante na realização, embora haja exceções, como no caso do sóbrio e admirável casal Stevenson (magistralmente interpretado por Morgan Freeman e Jane Alexander), que - como todo pai ou mãe que perdeu um filho - cultiva de forma inalterada o amor pelo filho desencarnado. Mas essa opção do filme está longe de se tornar um demérito para BANQUETE DO AMOR: ao contrário, a entrega e dedicação do diretor ao sentimento analisado são tão cativantes que não há motivo algum para reclamações do fato do filme abordar menos o amor ao semelhante que o amor por uma nova namorada. Ademais, basta uma observação mais atenta nas entrelinhas da realização para constatar que todos os personagens do bem exercem, sim, e de forma constante, o amor ao próximo através de uma das mais sublimes variações desse sentimento: a solidariedade.

Claro que, apesar da beleza de sua premissa e de sua realização, seria injusto dizer que não há pequenos defeitos em BANQUETE DO AMOR: infelizmente, não são raros (mas são desnecessários) os momentos de sexo e nudez na tela, a ocorrerem de forma inteiramente gratuita, em cenas nas quais, sem uma única exceção, tais momentos poderiam ter sido suprimidos. Mas seria igualmente injusto se sugeríssemos que, em face da valorização do Maior dos Sentimentos que o filme de Robert Benton oferece, tais momentos falariam mais alto que o belo contexto da obra. E, como que para premiar o espectador, no desfecho da metragem o cineasta finalmente estende sua realização a outras variações do amor e oferece uma verdadeira pérola de amor paternal, enriquecendo ainda mais a sua adorável película e fazendo de BANQUETE DO AMOR um filme que, mais do que ser assistido, merece ser admirado e revisto diversas vezes.

Carlos Dunham

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