Primeira Impressão
www.scoretrack.net


Nevasca Tropical


Tapa na Pantera

1º de março de 2007

NEVASCA TROPICAL E TAPA NA PANTERA: MESMO TEMA, DOIS ESTILOS, QUALIDADES OPOSTAS

Com o lançamento nesta sexta-feira, 02/03/07, do longa-metragem Quarta B, de Marcelo Galvão, a rede Popcine - responsável pela chegada da obra ao grande público - está lançando, também, dois curtas com o mesmo tema - o tráfico e consumo de drogas. A exibição de Nevasca Tropical, de Bruno Vianna, de 12 minutos, e de Tapa na Pantera, de 03, antecede a exibição do longa-metragem, e permite ao público avaliar como filmes aparentemente tão similares em proposta podem obter resultados artísticos tão diferentes.

Inteiramente filmado em preto-e-branco, Nevasca Tropical evidencia um cuidado cinematográfico que permeia seu roteiro, sua câmera ágil, sua beleza visual, suas interpretações sem exageros e sua destreza narrativa. Assistindo-se ao filme, fica nítido o cuidado que o cineasta Bruno Vianna teve em buscar comunicação com o público, que, ao assistir ao filme, diverte-se e entretêm-se com uma comédia de erros muito bem filmada. E o mais importante: embora utilize um tema sério - o tráfico de drogas - para a sua bem-humorada realização, Vianna não glamouriza nem tampouco defende as drogas - erro em que poderia incorrer muito cineasta mais experiente, mas do qual o diretor se afasta através do bom trabalho técnico e da leveza narrativa que inseriu a seu filme.

O oposto disso, porém, é o que se vê no outro curta-metragem que antecede Quarta B: Tapa na Pantera nada mais é que uma defesa mal disfarçada do consumo de drogas, mal-filmada e com uma interpretação apenas correta de Maria Alice Vergueiro. No filme - na verdade, uma câmera parada que filma uma (aparentemente, respeitável) senhora na sala de seu apartamento de classe média -, que desconhece tanto valores cinematográficos (como fotografia e montagem) como, principalmente, valores morais, tudo o que se vê é o discurso pró-drogas da personagem de Vergueiro, que diz consumir tóxicos há anos e não se considerar viciada. O filme poderia ser valioso se procurasse demonstrar que, enquanto diz uma coisa, a personagem comprova, com atos, ser outra - uma dependente de drogas, no caso. Contudo, isso não acontece, e o filme - dirigido a inacreditáveis seis mãos por Esmir Filho, Mariana Bastos e Rafael Gomes - não apenas não consegue condenar o uso de drogas como, além de tudo, acaba por fortalecer tão prática. Tapa na Pantera é algo tão incapaz de extrair algo produtivo de seu conteúdo que deixa de ser um filme meramente ruim para converter-se em algo torpe. A triste curiosidade é que o roteiro pró-drogas é da própria atriz Maria Alice Vergueiro. Em Tapa na Pantera, a única coisa favorável a se dizer é que acaba rápido. O que não impede o filme de ser bastante nocivo e extremamente destrutivo.

 

Carlos Dunham

PRIMEIRA IMPRESSÃO
VOLTAR PARA A PÁGINA INICIAL