Primeira Impressão
www.scoretrack.net

Título Original: MEET DAVE
Gênero: COMÉDIA, Ficção Científica
Tempo de Duração: 90 MIN.
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Distribuição: FOX
Diretor: BRIAN ROBBINS
RoteiristaS: BILL CORBETT, ROB GREENBERG
Produtor: JON BERG
Compositor: JOHN DEBNEY
Fotografia: J. CLARK MATHIS
Efeitos Especiais: gary abrahamian, spencer armajo, jarrod avalos
Elenco: Elizabeth Banks, Eddie Murphy, Gabrielle Union, Ed Helms, Judah Friedlander, Stephanie Venditto, Shawn Christian, Brandon Molale, Carol Commissiong, Yvette Nicole Brown, Adam Tomei, Smith Cho, Craig Gellis, Philip Pavel, Jane Bradbury, Allisyn Ashley Arm

29 de julho de 2008

O GRANDE DAVE

Viagem simpática (mas não fantástica)

Em 1966, quando o cinema vivia um histórico boom de sci-fis sobre viagens espaciais e confrontos com seres de outros planetas, um dos maiores sucessos cinematográficos do ano foi um filme que narrava um outro tipo de viagem - a incursão de um grupo de pessoas ao corpo de outro indivíduo, e que aproveitava a deixa para recriar, com imensa riqueza de detalhes e em cenários que se tornaram antológicos, o interior do corpo humano. Sem querer reduzir, em momento algum, o valor da obra, é inegável que foi tal recriação o fator maior do sucesso do filme, e que acabou levando a realização - VIAGEM FANTÁSTICA - a conquistar dois Oscar da Academia - exatamente para melhor direção de arte e melhores efeitos especiais.

Guardadas as devidas proporções - ou talvez nem tanto, uma vez que VIAGEM FANTÁSTICA não foi um filme planejado para todo o sucesso que obteve - não há como não observar (e, parcialmente, lamentar) que o novo filme do astro Eddie Murphy - O GRANDE DAVE - desperdice a oportunidade de oferecer ao público o mesmo diferencial que VIAGEM FANTÁSTICA fornecera há 42 anos.

O GRANDE DAVE, que estréia no dia 8 de agosto, a princípio sugere ser mais uma variação da tendência (quase um estilo) de Murphy em interpretar vários personagens em um mesmo filme, através de estratégias de maquiagem e figurinos. Essa tendência foi iniciada no sétimo filme do ator, UM PRÍNCIPE EM NOVA YORK, no já longínquo ano de 1987, e alcançou o ápice com O PROFESSOR ALOPRADO, de 1996, filme que faturou um merecido Oscar de melhor maquiagem naquele ano. É provável que o prêmio tenha causado em Murphy a sensação de haver descoberto a galinha dos ovos de ouro (o ator vivia um momento não muito apreciável em sua carreira, e O PROFESSOR ALOPRADO chegou a indicá-lo ao Globo de Ouro de melhor ator de comédia de 1996).

Porém, quando a estratégia estava começando a tornar-se repetitiva, não há como negar que Murphy a recicla bem neste seu novo filme. Em O GRANDE DAVE Murphy interpreta... uma nave espacial. Exatamente: uma nave espacial com formato humano que vem à Terra para resgatar uma pedra, originária de seu país de origem, e que caíra acidentalmente no planeta azul. No interior da nave - leia-se: no interior de Murphy - toda a tripulação é formada por seres iguais aos terráqueos, com o isolado detalhe de serem todos em miniatura - afinal, cabem numa nave que tem não apenas o formato, mas o tamanho equivalente a um terráqueo normal. E, como comandante da expedição, um capitão interpretado por... exatamente! Ele mesmo!

Na trama, Murphy-nave une-se a um menino órfão de pai e a sua mãe superprotetora para localizar a pedra perdida (mas que, na verdade, encontra-se em poder do garoto) e acaba se afeiçoando a estes. Algo rotineiro, mas bem conduzido pelo competente diretor Brian Robbins, experiente em comédias descompromissadas. Mas é o dia-a-dia no interior da nave, e a naturalidade com que os personagens extraterrestres circulam neste espaço - que, como dissemos é a recriação do interior de um corpo humano - que fascina o espectador. E que, como ocorrera há 42 anos, poderia fascinar muito mais, se houvesse maior ambição no projeto e um empenho maior do diretor e, principalmente, dos produtores da realização (Murphy não se encontra entre estes, ao menos não oficialmente) em investir na fascinação que essa viagem fantástica poderia trazer. Nesse sentido, apesar da leveza escapista com que é conduzido e do charme que alcança no resultado final, O GRANDE DAVE decepciona bastante, e torna-se um filme eficiente, sim, agradável, sim, mas que deixa a sensação de que, mesmo tendo sido concebido para ser uma realização simples (objetivo que alcança sem dificuldades), poderia, com outra concepção, ter rendido ainda mais.

Carlos Dunham

PRIMEIRA IMPRESSÃO
VOLTAR PARA A PÁGINA INICIAL