Primeira Impressão
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FICHA TÉCNICA
Distribuição: PlayArte
Duração: 80 MIN.
Direção: Beto Souza
Roteiro: Lulu Silva Telles e Rafael Dragaud
Produção: Aletéia Selonk, Beto Rodrigues, Naura Schneider
Fotografia: Renato Falcão
Edição: João Paulo Carvalho
Direção de Arte: Voltaire Danckwardt
Música: Guto Graça Mello
Elenco: Naura Schneider, Antônio Calloni, Dan Stulbach, Zé Vítor Castiel, Marcela Muniz, José de Abreu

29 de outubro de 2008

DIAS E NOITES


Dias e Noites de quê?

Costuma-se dizer que a vida de cada pessoa daria uma novela. Ou um filme... algo bastante verdadeiro, porque o acúmulo de sucessos e fracassos em cada uma das existências de cada ser humano é algo que sem dúvida pode se transformar em ótimo material dramatúrgico. A diferença, apenas, é: cada vida pode render uma boa novela, ou um bom filme, sim. Mas... uma boa novela? Um bom filme? Dias e noites, que estréia dia 31 de outubro, é um ótimo exemplo para se verificar a pertinência dessa pergunta. Seria, talvez, o único mérito do filme, se este, pelo menos, tivesse a função de ser fonte desse questionamento.

Nos anos 1950, no interior do país, Clotilde é uma jovem mulher, alegre e (excessivamente) fogosa, que é vendida pelos pais em casamento a um rico fazendeiro para que as dívidas de sua família possam ser pagas. A vida conjugal, como já seria de se esperar, torna-se um inferno, e a pobre moça acaba por abandonar a família e se tornar a amante remunerada de um homem rico. Rico, feio e idoso, que depois é trocado por um rico, bonito e jovem. E depois por outro, por outro... ou seja: a mulher que fora transformada em objeto de venda por seus pais transforma-se, por opção própria e livre iniciativa (falta de oportunidades? Não.), em objeto de consumo masculino. Uma história que tem, sim, bom potencial cinematográfico, mas infelizmente levada às telas por realizadores que não souberam desenvolvê-la e que, com isso, acaba por se converter em um filme chatíssimo, arrastado e sem nenhuma força cinematográfica. Que deixa a nítida sensação de que seus criadores simplesmente não sabiam o que fazer.

O primeiro erro do filme, na verdade, já começa pelo título: Dias e Noites. Seriam dias e noites de quê? Sim, o título é bonito, atrativo, mas não há nada em sua trama que o justifique - nem mesmo o fato da protagonista se tornar uma prostituta, uma vez que o exercício de sua profissão não chega a ser mostrado explicitamente (esse sim, um dos raríssimos reais méritos do filme). Parece que escolheram ao acaso um título que remetesse a uma bela imagem, sem a menor preocupação de se encontrar motivos que o justificassem.

Mas o título da realização seria insignificante se esta fosse de qualidade. Contudo, o roteiro desenvolve mal sua trama, sugerindo vários desdobramentos e não conseguindo concretizar nenhum. Além do mais, o filme é ineficiente ao extremo ao ignorar a beleza de suas ambientações, e, se tem alguns bons coadjuvantes, esbarra no fraco trabalho de sua protagonista Naura Schneider (também co-produtora executiva). Dias e noites, porém, é um filme tão indigente, tão mal-feito, e tão mal-interpretado, que o espectador não só não consegue se interessar quanto começa a divagar na sala de projeção o porquê do título. O porquê do mesmo ter sido feito. E o porquê de ter ido assisti-lo.

 

Carlos Dunham

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