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Título Original:
DOUBT
Gênero:
DRAMA
Tempo de Duração: 104 MIN.
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Distribuição:
BUENA VISTA
Diretor:
John Patrick Shanley
Roteirista:
John Patrick Shanley
Produtor:
Celia D. Costas
Compositor:
HOWARD SHORE
Fotografia:
Roger Deakins
Elenco:
Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis, Alice Drummond,
Carrie Preston, John Costelloe, Lloyd Clay Brown
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26
de janeiro de 2009
DÚVIDA
Excelente, sem dúvida
Adaptado (pelo autor) da peça teatral de John Patrick Shanley e dirigido
pelo próprio, DÚVIDA (DOUBT) concorre a cinco Oscars no próximo dia 22
de fevereiro - e sua atriz protagonista, Meryl Streep, disputa a
estatueta pela 15ª vez em sua carreira. Será muito bom, e justo, se
Streep se sagrar vencedora. O papel da antipática Irmã Aloysius parece
haver sido talhado sob medida para a atriz, que faz de sua personagem
uma das maiores encarnações do rancor já vistos no cinema.
Em DÚVIDA, que estréia no próximo dia 6 de fevereiro, a Irmã Aloysius é
a dirigente de um colégio católico nos anos 60 que, apesar de todas as
variações que atravessa o mundo (ou talvez por causa destas) procura
manter o educandário com o rigor formal do início do Século XX - os
alunos não podem sequer tocar nas freiras, por exemplo. Irmã Aloysius
jamais perdoou o Padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) por ele haver
ascendido na hierarquia social de sua religião - algo que deve-se
imputar ao machismo da Igreja Católica, não ao padre em si. E também
nunca viu com bons olhos a presença de um aluno afro-americano, Donald
Miller, no corpo discente do educandário - ao contrário do Padre Flynn,
que, ciente das dificuldades (financeiras e principalmente afetivas e
morais) que o menino passa em seu lar, tem por Donald o carinho de um
pai. É o bastante para que Irmã Aloysius suspeite que o padre estaria
cometendo abuso sexual e ameace dar início a um escândalo.
Um dos muitos méritos de DÚVIDA é o fato de não apenas jamais esconder
sua origem teatral, como servir-se desta para trabalhar o tema -
ambientado em um recinto fechado (são raríssimas as imagens externas, e
mesmo estas, em sua maioria, ocorrem nos jardins do educandário) e
concentrando toda a sua força no trabalho dos atores. Atores que, por
sinal, são numericamente poucos a ocupar papéis importantes, mas que
estão tão bem em seus personagens que, das cinco indicações ao Oscar de
DÚVIDA, quatro vão para o seu excepcional elenco - além da protagonista
Streep, concorrem Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis, todos
como coadjuvantes.
É um filme seguro e extraordinariamente bem dirigido, curiosamente
apenas o segundo da carreira de seu diretor - que ganhou o Oscar de
melhor roteiro original de 1987 com FEITIÇO DA LUA e, em 1990, escreveu
e dirigiu JOE CONTRA O VULCÃO, filme fraquíssimo, aliás. 18 anos depois,
Shanley volta a dirigir um filme e realiza um trabalho maravilhoso,
maduro e reflexivo. Que, em seus minutos finais, oferece um verdadeiro
adágio a Meryl Streep, para que, como uma reverência à sua protagonista,
ela possa exercer o seu ofício na mais pura e cristalina de todas as
formas. Uma homenagem lindíssima a Streep, que bem poderia (e espera-se)
ser ampliada com a conquista do terceiro Oscar dessa que é, sem dúvida
alguma, uma das maiores atrizes de todos os tempos.
Carlos Dunham
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