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Primeira Impressão |
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03
de dezembro de 2008 Foi com muita seriedade e trabalho que, duas décadas depois e em um novo século, o cinema brasileiro conseguiu afastar definitivamente a associação com a vulgaridade. Para isso, que sejam consideradas três indicações para o Oscar, dois Ursos de Ouro em Berlim e, principalmente, a realização de filmes com a qualidade de 2 Filhos de Francisco e A máquina, que, sem exagero algum, merecem ser definidos como obras-primas. Por tudo isso, é inacreditável que um cineasta colombiano venha ao Brasil dirigir um filme que nada mais é que um retorno descarado à pornochanchada dos anos 70, passado inteiramente em um quarto de motel e com apenas dois atores em cena - Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira, que já comprovaram serem talentosos, mas que nesse filme obtêm, ambos, desempenhos primários. ENTRE LENÇÓIS, o filme em questão que estréia neste dia 5 de dezembro, não passa de um desfile de cenas descabidas e desnecessárias de sexo - como, afinal de contas, todas as cenas de sexo costumam ser no cinema. O mais constrangedor em ENTRE LENÇÓIS - e que não deixa de ser um merecido castigo para o filme - é o fato de que a realização chega aos cinemas pouco tempo após atores brasileiros lançarem um protesto repudiando o fato de diretores de cinema exigirem que seus intérpretes façam cenas de sexo em suas realizações, mesmo sem terem sido previamente avisados e sem terem o direito de se negarem a fazê-lo. Ironicamente, o único aspecto positivo em ENTRE LENÇÓIS é o fato de que o filme irá, definitivamente, passar o recibo de que algo precisa ser feito e que a mentalidade de que ator e prostituta seriam a mesma coisa já foi enterrada há muito, muito tempo. Uma mentalidade que, assim como a pornochanchada, não precisa voltar. Carlos Dunham |
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