Primeira Impressão
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Gênero: DRAMA

Tempo de Duração: 88 MIN.

Ano de Lançamento (BRASIL): 2008

Distribuição: IMAGEM FILMES

Diretor: Gustavo Nieto Roa

Roteirista: Renê Belmonte

Produtor: TIAGO MULER

Compositores: Rafael Righini, Noe Klabini, Lurent Mis

Fotografia: Márcio Zavarezzi

Elenco: Reynaldo Gianecchini, Paola Oliveira

03 de dezembro de 2008

ENTRE LENÇÓIS

Um retrocesso vergonhoso de trinta anos para o cinema nacional

Há 30 anos atrás, depois da década "cinemanovista" (em que o cinema brasileiro era aplaudido por pequenas minorias mas ignorado pelo público), a produção nacional tentava reerguer-se e voltar a se comunicar com o espectador. A intenção era valiosa, mas o grande equívoco da produção da década de 70 foi haver aproveitado o clima de excessiva liberdade da década para exagerar nas cenas e temas em que o sexo parecia ser o único assunto a ser tratado. Era a época da pornochanchada, que acabaria cumprindo a sua missão de reconquistar o espectador para o cinema brasileiro, mas com um preço alto: transformando a produção do país em pornografia barata. Como castigo, durante toda a década de 80, quando o cinema brasileiro viveu uma nova fase - que investia no cinema artístico sem desprezar o apelo comercial de suas tramas - a produção cinematográfica do Brasil ainda carregava a pecha (injusta) de pornô-light.

Foi com muita seriedade e trabalho que, duas décadas depois e em um novo século, o cinema brasileiro conseguiu afastar definitivamente a associação com a vulgaridade. Para isso, que sejam consideradas três indicações para o Oscar, dois Ursos de Ouro em Berlim e, principalmente, a realização de filmes com a qualidade de 2 Filhos de Francisco e A máquina, que, sem exagero algum, merecem ser definidos como obras-primas. Por tudo isso, é inacreditável que um cineasta colombiano venha ao Brasil dirigir um filme que nada mais é que um retorno descarado à pornochanchada dos anos 70, passado inteiramente em um quarto de motel e com apenas dois atores em cena - Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira, que já comprovaram serem talentosos, mas que nesse filme obtêm, ambos, desempenhos primários. ENTRE LENÇÓIS, o filme em questão que estréia neste dia 5 de dezembro, não passa de um desfile de cenas descabidas e desnecessárias de sexo - como, afinal de contas, todas as cenas de sexo costumam ser no cinema.

O mais constrangedor em ENTRE LENÇÓIS - e que não deixa de ser um merecido castigo para o filme - é o fato de que a realização chega aos cinemas pouco tempo após atores brasileiros lançarem um protesto repudiando o fato de diretores de cinema exigirem que seus intérpretes façam cenas de sexo em suas realizações, mesmo sem terem sido previamente avisados e sem terem o direito de se negarem a fazê-lo. Ironicamente, o único aspecto positivo em ENTRE LENÇÓIS é o fato de que o filme irá, definitivamente, passar o recibo de que algo precisa ser feito e que a mentalidade de que ator e prostituta seriam a mesma coisa já foi enterrada há muito, muito tempo. Uma mentalidade que, assim como a pornochanchada, não precisa voltar.

Carlos Dunham

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