Primeira Impressão
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Título original: MONGOL
Ano de Lançamento (Cazaquistão, Rússia, Mongólia, Alemanha): 2007
Distribuidora: EUROPA FILMES
Duração: 140 MIN.
Gênero: DRAMA
Diretor: Sergei Bodrov
Roteiristas: Sergei Bodrov, Arif Aliyev
Produtores: Stefan Arndt, Bob Berney, Sergei Bodrov, Bulat Galimgereyev, Marcos Kantis
Diretores de Fotografia: Rogier Stoffers Sergei Trofimov
Desenhista de Produção: Dashi Namdakov
Editores: Valdís Óskarsdóttir, Zach Staenberg
Compositor: Tuomas Kantelinen
Figurinista: KARIN LOHR
Elenco: Tadanobu Asano, Honglei Sun, Khulan Chuluun, Aliya, Ba Sen, Amadu Mamadakov, Ying Bai, He Qi, Sun Ben Hon, Ji Ri Mu Tu, You Er, Ba Tu, Deng Ba Te Er, Bao Di, Su Ya La Su Rong

14 de julho de 2009

O GUERREIRO GENGHIS KHAN

Cada povo tem seus heróis

A França até hoje costuma gostar de Napoleão, a América Latina cultua Che Guevara, mesmo dentro de Cuba se encontra admiradores de Fidel Castro... portanto, não é nada surpreendente que Genghis Khan, tirano mongol que fez o seu império às custas de morte, sangue e destruição das nações alheias, receba uma biografia que o transforme em um verdadeiro herói de seu povo. "Transforme", na verdade, não seria bem o termo - ele já é um herói na Mongólia. O que O GUERREIRO GENGHIS KHAN faz é expor ao mundo a paixão do povo mongol pelo tirano que, pelas linhas erradas, colocou seu país na liderança da Ásia.

Há uma diferença muito grande entre expor e impor, e é esse o diferencial que faz da realização do russo Sergei Bodrov, indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2007 pelo Cazaquistão, um filme tão envolvente. Um russo dirigindo um filme cazaque sobre uma personalidade mongol? Sim, porque, na verdade, O GUERREIRO GENGHIS KHAN, que estréia dia 17 de julho, é uma co-produção entre os três países e a Alemanha, comprovação de que a união entre os povos anda produzindo belos filmes ao redor do Globo - mesmo quando biografam personalidades que obtiveram suas conquistas através da destruição dos outros povos. Detalhe que, como dissemos acima, O GUERREIRO GENGHIS KHAN não apenas passa longe, mas simplesmente ignora.

Bodrov, contudo, é um cineasta de talento, e O GUERREIRO GENGHIS KHAN comprova isso muito bem: o cineasta acerta em cheio ao optar por uma narrativa épica, nitidamente romantizada, no qual o amor do protagonista pela jovem Börte, em uma época e local em que os pais decidiam o casamento dos filhos e escolhiam suas noivas, é um muito bem escolhido ponto de apoio para compor a narrativa passo a passo com as conquistas bárbaras de Khan (e que, no filme, por sinal, não têm nada de bárbaras). Narrativa, aliás, muito bem convertida em cinema pelas belas imagens dos diretores de fotografia Rogier Stoffers e Sergey Trofimov, que extraem a beleza das estepes da Ásia por intermédio do misto de amplitude e solidão azul já vista em vários outros filmes, mas que nem por isso deixa de ser o melhor registro para a gélida localidade - afinal, exatamente por essa beleza tal opção tornou-se quase um cartão de visitas em filmes situados no interior asiático.

A narrativa de O GUERREIRO GENGHIS KHAN é longa e deliberadamente lenta, mas o romantismo épico desenvolvido por Bodrov - tanto no amor entre seu protagonista e a namorada que se converte em esposa quanto nos aspectos políticos da trama, na qual o tirano aparece como uma vítima injustiçada na infância e cujo sofrimento o converte em um paladino da justiça (!!!!!) - cativam facilmente o espectador e conseguem o impossível: fazer o mundo se afeiçoar a um tirano. Muitos poderão alegar que, sendo assim, O GUERREIRO GENGHIS KHAN pode ser um belo filme, mas que usa suas qualidades para valorizar uma personalidade que, quando viva, exerceu o mal. Tal assertiva é nada menos que a expressão da verdade. Contudo, filmes como A QUEDA - AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER e CHE não glamourizaram escancaradamente Adolf Hitler e Che Guevara?

Carlos Dunham

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