Primeira Impressão
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Título Original: La Question Humaine
Gênero: DRAMA
Tempo de Duração: 143 MIN.
Ano de Lançamento (FRANÇA): 2007
Direção: Nicolas Klotz
Roteiro: François Emmanuel, Elisabeth Perceval
Produção: Sophie Dulac, Jean-Christophe Gigot, Michel Zana
Música: Syd Matters
Fotografia: Josée Deshaies
Edição: Rose-Marie Lausson
Elenco: Mathieu Amalric, Michael Lonsdale (1), Edith Scob, Lou Castel, Jean-Pierre Kalfon, Valérie Dréville, Laetitia Spigarelli, Delphine Chuillot, Nicolas Maury, Rémy Carpentier, Patrick Zocco

18 de junho de 2008

A QUESTÃO HUMANA


O uniforme salva o filme


Psicólogo de uma grande empresa alemã com filial em seu país, a França, Simon (Mathieu Amalric, correto) leva uma vida rotineira e, até certo ponto, tranqüila, até o dia em que recebe uma estranha proposta de um superior seu: fiscalizar o todo-poderoso big boss de sua empresa - sim, ninguém menos que o seu próprio patrão - o magnata Mathias Jüst. Uma estória não muito original, e que tem como característica ser do tipo que, geralmente, leva a filmes que chamam muito mais a atenção através do seu desenrolar - tanto em relação a eventuais viradas oferecidas pelo roteiro quanto à forma com que a trama é desenvolvida.

E, realmente (e mais até do que na maioria dos filmes), o que definitivamente chama a atenção no francês A QUESTÃO HUMANA é que a forma como o filme foi realizado acaba por desempenhar papel crucial no resultado da película - para o bem e para o mal. Mais para o mal do que para o bem, na verdade: A QUESTÃO HUMANA, que estréia no próximo dia 20 de junho em São Paulo, é um filme muito chato, excessivamente hermético e completamente desinteressante. Mas, curiosamente, não chega a ser de todo ruim por um motivo inteiramente peculiar: talvez não de forma intencional (seu diretor, Nicolas Klotz, demonstra ser daqueles cineastas que parecem dotados de raro prazer em complicar o simples), a forma do filme acabou ficando meio que aprisionada na montagem seca, definida em cortes rápidos (que nos remetem à idéia de uma divisão através de momentos específicos, quase capítulos), o que acabou por facilitar (parcialmente) o entendimento da estória contada.

Outra característica de A QUESTÃO HUMANA similar a essa divisão seca de sua montagem, e que leva ao mesmo (quase bom) resultado, é que seus personagens são construídos todos muito iguais, principalmente no que diz respeito aos figurinos - o filme tem em seu elenco o predomínio absoluto de personagens masculinos, principalmente executivos da empresa na qual a trama se situa - e isso leva a uma utilização impressionante de ternos escuros. Essa uniformização acaba por dizer mais que os personagens que o vestem - no caso dos figurantes, pelo menos, isso é incontestável.

Tal padronização, que costuma ser um defeito sério em muitos filmes, de uma certa forma uniformizou a narrativa, acabando por simplificá-la parcialmente. Uma contradição ao pretendido pelo diretor, mas que impediu que A QUESTÃO HUMANA se convertesse em um daqueles filmes "porra-louca" que certos cineastas europeus têm prazer em criar, e que, se não impede o filme de ser arrastado e maçante, ao menos o impediu de se tornar insuportável.

Carlos Dunham

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