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Primeira Impressão |
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26 de julho de 2008 Apesar da diferença de idade entre os atores Elio Germano (intérprete do protagonista Accio) e Riccardo Scamarcio (que vivencia seu irmão Manrico) ser de apenas um ano, o filme mostra, em seu primeiro terço, Accio ainda como uma criança (então interpretado por Vittorio Emanuele Propizio), enquanto Manrico já tem, desde então, as feições adultas de Scamarcio. E é em seus momentos iniciais, quando nos revela a difícil infância de Accio, que acalentava o sonho de ser seminarista, que o filme traz sua maior quantidade de acertos. Introspectivo e religioso, Accio optou em não prosseguir com a carreira religiosa por não conseguir controlar a sexualidade e, portanto, não ter como ceder à norma do celibato. Também decepcionou-se nitidamente com a Igreja, ao perceber que em seu interior havia um foco comunista. Já seu irmão Manrico, rapagão por toda a metragem, nunca demonstrou culpa ou complexo por seus envolvimentos afetivos, nem tampouco teve muita devoção religiosa. Confuso com o seu próprio futuro e julgando-se incapaz de prosseguir na carreira que escolheu, o menino Accio não poucas vezes é espancado por seus pais e até mesmo por seu próprio irmão - encontrando apego apenas na companhia do vizinho Mario Nastri, defensor convicto do fascismo e dos ideais de Mussollini. Certamente devido a isso, antes mesmo de ingressar na fase adulta da vida Accio converte-se ao fascismo, enquanto Manrico, por sua vez, dedica-se a defender o comunismo. O filme, nesse momento, paradoxalmente inicia e abandona o foco romântico que, a princípio, propõe-se criar como trama central - representado pela figura de Francesca, aliada política de Manrico que se envolve afetiva e sexualmente, também, com Accio. Claro que seria válido criar um filme sobre dilemas políticos, desde que o filme se definisse como seguidor desta (ou de qualquer outra linha) e caminhasse solidamente sobre esta opção. Porém, MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO não segue uma linha nem outra e, ao caminhar pelo aspecto político, minimiza as próprias situações que apresentara - a religiosidade frustrada, o espancamento de uma criança por pais e colegas. Como se não bastasse, ao colocar seus personagens transitando entre o fascismo e o comunismo - dois sistemas totalitários condenados pela História e que não merecem defesa nem atenuação - Luchetti cria um filme onde, aparentemente, não há o Bem nem nenhuma forma de salvação (ou seja: faz um filme desnecessariamente negativo), elimina toda e qualquer empatia que poderia gerar a favor de seus personagens, e transforma MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO em um filme onde nem mesmo torcer a favor dos personagens se consegue.Carlos Dunham |
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