Primeira Impressão
www.scoretrack.net

FICHA TÉCNICA
Título Original: Letters from Iwo Jima
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 140 min.
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Distribuição: Warner Bros. / Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Iris Yamashita
Produção: Clint Eastwood, Steven Spielberg, Robert Lorenz
Música: Kyle Eastwood, Michael Stevens
Fotografia: Tom Stern
Desenho de Produção: Henry Bumstead, James J. Murakami
Figurino: Deborah Hopper
Edição: Joel Cox e Gary Roach
Elenco:
Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shido Nakamura, Hiroshi Watanabe, Takumi Bando, Yuki Matsuzaki, Takashi Yamaguchi, Eijiro Ozaki

14 de fevereiro de 2007

Saudades de Raoul Walsh


Nos anos 40 e 50, quando a Segunda Guerra Mundial ainda estava bem presente nos corações e mentes da humanidade (hoje, é coerente supormos que mais de 60% dos atuais habitantes da Terra nasceu após o seu término), alguns dos mais importantes cineastas do mundo dedicaram boa parte de sua filmografia a realizações que dissecassem aquela tragédia, os comos, porquês e conseqüências daquela barbaridade coletiva: John Ford, Frank Capra (com seus documentários), William A. Wellman, Fred Zinnemann e Raoul Walsh, estão entre os cineastas que, quantitativa ou qualitativamente, mais se dedicaram à análise da Segunda Guerra Mundial.

E, embora jamais comparado aos outros quatro, Raoul Walsh foi certamente um dos diretores que melhor dissecou a questão da guerra em seus filmes. Filmes até certo ponto neutros do ponto de vista formal, sem exaltações mirabolantes em sua fotografia, em sua trilha sonora, sem que o elenco pudesse super-interpretar e disputar prêmios da Academia (um detalhe curioso é que apenas um filme de Walsh ganhou um Oscar, No Velho Arizona, em 1928/1929 - no segundo ano do prêmio, onde Warner Baxter foi eleito melhor ator). E que, dentro dessa neutralidade quase ascética, tinham a oportunidade de dizer muita coisa: Walsh eliminava tudo o que podia e valorizava sua mensagem.

De certa forma, é esse ascetismo que Clint Eastwood busca em Cartas de Iwo Jima. Ao contrário de Walsh, Eastwood é um papa-Oscars do cinema contemporâneo. Depois de décadas dirigindo filmes que valorizavam a violência, deu uma guinada em sua carreira e vem realizando filmes belíssimos, como Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro. Filmes que falam de dramas humanos e até mesmo sociais, mas não históricos. Agora, é diferente: assim como A Conquista da Honra, que investiga a história da conquista de Iwo Jima durante a Segunda Guerra Mundial sob o ponto de vista americano, Cartas de Iwo Jima analisa a mesma batalha sob o ponto de vista japonês.

Eastwood não é Walsh, porém. Por mais que tente, ele não resiste a dar certas glamourizadas no filme que afastam a realização do estilo completamente neutro do grande diretor. Essas glamourizadas - representadas pela beleza pictórica da fotografia e pelo uso dos efeitos sonoros - poderiam, a princípio, representar um aspecto positivo do filme, mas, curiosamente, traem a proposta de neutralidade que a realização sugere. Agravando a situação, Cartas de Iwo Jima peca pelo excesso de tramas e personagens que bem poderiam ser enxugados. Somando erros em um flanco e outro, os cálculos estratégicos de Eastwood erram e, desta vez, ele perde a batalha, compromete sua recente filmografia e realiza, apenas, um filme extenso, cansativo que não tem nem o maravilhoso ascetismo de Walsh nem o glamour de uma super-produção de guerra. A estréia no Brasil está prevista para este dia 16/02.

 

Carlos Dunham

PRIMEIRA IMPRESSÃO
VOLTAR PARA A PÁGINA INICIAL