Primeira Impressão
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Título Original: SPREAD
Gênero: COMÉDIA ROMÂNTICA
Tempo de Duração: 97 MIN.
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Distribuição: IMAGEM FILMES
Diretor: David Mackenzie
Roteiristas: Jason Dean Hall, Paul Kolsby
Produtores: Jason Goldberg, Ashton Kutcher, Peter Morgan
Compositor: John Swihart
Fotografia: Steven Poster
Elenco: Ashton Kutcher, Anne Heche, Maria Conchita Alonso, Margarita Levieva, Sebastian Stan, Sonia Rockwell

21 de setembro de 2009

JOGANDO COM PRAZER

O jogo da vida não é só prazer

Muitos certamente são os motivos (e motivações) que fazem com que um rapaz jovem, bonito e charmoso queira iniciar uma vida como garoto de programa - desde a necessidade cruel de estar passando fome até o puro e simples desejo de viver a vida intensamente. Esses motivos adquirem uma aura (perigosamente) romântica se o candidato a garoto de programa for oriundo de uma cidade do interior e, em seu imaginário, a cidade grande for uma espécie de transcrição, para o plano da realidade, do mundo encantado (e encantador) dos contos de fada.

O grande mérito de JOGANDO COM PRAZER, que estréia esta sexta, dia 25, é o fato de haver encontrado o ponto ideal para efetuar essa abordagem enquanto entretenimento escapista que é: sem pretender ser uma denúncia da condução social dos futuros escort boys ou da postura moral destes, o filme também não permite um minuto sequer ceder à formula padrão hollywoodiana segundo a qual seu protagonista teria que ser um heroizinho sem defeitos. Ao contrário, a realização de David Mackenzie, desde o primeiro minuto, coloca impiedosamente o Nikki de Ashton Kutcher como aquilo que ele realmente é: um caipirão do interior que, por ser dotado de uma excepcional beleza física, "se acha", e acredita convictamente que, ao chegar à grande cidade, irá ter, com um estalar de dedos, todas as pessoas (principalmente as mulheres) a seus pés. Por falar em pés, é sempre bom lembrar que Ashton Kutcher calça 45 - e Nikki é o típico cara estilo "triângulo": enorme nos pés e pequenininho na cabeça: não demora muito, já está metido em diversas enrascadas que ele mesmo provocou. E cujas sementes foram plantadas justamente porque Nikki se julgava um semideus intocável a caminho de seu momento máximo. É essa trajetória, do zero absoluto de um candidato a garoto de programa à sua ascensão e daí à sua derrocada, o tema que o filme aborda - sem condenar o rapaz mas também sem passar a mão em sua cabeça.

Certamente um dos grandes méritos de JOGANDO COM PRAZER foi a escolha de Ashton Kutcher para o papel principal: o ator não apenas é lindo demais como tem o tipo ideal para o papel, com a sua estampa ao estilo "garotinho mau-caráter". Sabiamente, Mackenzie faz com que o filme - e sua bem aproveitada câmera - repousem sobre a figura de Nikki/Kutcher, exibindo o ator frequentemente sem camisa, descalço e até mesmo em breves e belas cenas de nudez que, não obstante o tema da realização, em momento algum caem na vulgaridade. E, além da sabedoria em aproveitar a beleza do ator, outra característica ainda mais gratificante de JOGANDO COM PRAZER - agora retornando ao filme em si - é o fato de em momento algum o filme aproveitar seu tema para glamourizar a vida dos garotos de programa. Ao contrário: mesmo em seu terço inicial, quando o filme enfoca essa carreira sob o ponto de vista de Nikki - com toda a fascinação que o personagem então nutre a respeito - o espectador consegue diferenciar com precisão o que é o ponto de vista do personagem e o que é a realidade que Nikki está desfrutando e que estará prestes a ter que enfrentar. Por todo esse somatório de qualidades, JOGANDO COM PRAZER poderia ter sido um bom filme. Quase foi. Pena que faltou ambição maior a seu realizador para investir no material que tinha em mãos e realizar uma obra mais marcante que o draminha modesto que optou fazer.

Carlos Dunham

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