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Título Original:THE READER
Gênero: DRAMA
Tempo de Duração: 124 MIN.
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Distribuição: IMAGEM FILMES
Diretor: STEPHEN DALDRY
Roteirista: DAVID HARE
Produtores: JASON BLUM, DONNA GIGLIOTTI, ANTHONY MINGHELLA
Compositor: NICO MUHLY
Fotografia: Roger Deakins, CHRIS MENGES
Montagem: CLAIRE SIMPSON
Elenco: RALPH FIENNES, JEANETTE HAIN, DAVID KROSS, KATE WINSLET, SUSANNE
LOTHAR, ALISSA WILMS, FLORIAN BARTHOLOMAI, FRIEDERIKE BECHT, MATTHIAS HABICH |
28
de janeiro de 2009
O LEITOR
O leitor é bom. A ouvinte é maravilhosa.
Anos 50. Anos após a guerra que impôs ao mundo, a Alemanha era um
país em reconstrução, mas ainda bastante destruído - um drama para toda
uma população, mas acima de tudo para os verdadeiros inocentes - aqueles
que sequer eram nascidos, ou eram apenas bebês, quando esta terminou.
Caso de Michael, um adolescente de 15 anos que, como todos os de sua
idade, atravessava então os dilemas relacionados ao amor, ao sexo, à
auto-afirmação, ao encontro de sua própria identidade. Dilemas que todos
têm dificuldade de lidar - que dizer em um país destroçado. É esse
Michael confuso e perturbado que, ao passar mal na rua, conhece Hanna
Schmitz, uma mulher cerca de 20 anos mais velha, de uma beleza
maltratada, que o auxilia e que, mesmo de cama, o rapaz não consegue
esquecer.
Restabelecido algumas semanas depois, Michael a procura para agradecer -
e esse reencontro, que seria breve, é o bastante para que ele e Hanna
iniciem um caso de amor. Rústico, de duas pessoas maltratadas, uma pelo
tempo e pela vida, outra por ter vindo ao mundo em plena época de caos
social. Esse caso de amor perdura pela primeira metade do filme
(lembrando, inclusive, FIM DE CASO e HOUVE UMA VEZ UM VERÃO), e tem uma
característica bastante peculiar: Michael, o leitor, costuma ler livros
para Hanna, como ela gosta. E, durante todo o affair, o casal desfruta
em sua cama da cumplicidade de Tchekov, Fitzgerald, Walt Whitman e até
dos quadrinhos do Tintim - até que finalmente o relacionamento dos dois
acaba por se encerrar - como, geralmente, costuma acontecer com breves,
calorosos e finitos casos de amor.
Passados alguns anos, Michael, agora na casa dos 20 anos e estudante de
Direito, encontra Hanna em circunstância surpreendente - e que não vale
a pena ser revelada sem que se tenha visto o filme. Ao mesmo tempo, o
rapaz conhece uma jovem estagiária de Direito com quem inicia um romance
- menos carnal e mais tempestuoso que o vivido anos antes. É quando a
ação movimenta um personagem que, até então, somente havia aparecido na
primeira cena do filme, vivido por Ralph Fiennes, e que vive na
contemporânea Alemanha dos anos 90; o dia-a-dia desse personagem e o
cotidiano de Michael aos 20 anos, envolvido com a causa que defende,
dividem a metragem da segunda parte de O LEITOR, assim como o romance
entre Michael e Hanna dominou a primeira parte da trama.
Dirigido por Stephen Daldry (que aqui, em seu terceiro longa-metragem,
concorre ao Oscar de melhor direção pela terceira vez), O LEITOR é
adaptado do livro de Bernhard Schlink - uma adaptação que parece ser
bastante fiel, inclusive. É digna de elogios a segurança com que Daldry
converte em imagens as palavras da obra literária, e particularmente
cativante as cenas em que Michael lê livros para Hanna - possivelmente
desde O PIANO, de Jane Campion, há 15 anos, não se via um filme em que
uma forma de arte fosse apresentada ao público de forma tão sedutora,
tão bem inserida no contexto do amor. Seria injusto sugerir que a
primeira parte do filme se sobressaia à segunda, mas também seria
desonesto ignorar que a grande força motriz da realização é a forma como
Michael e Hanna colocam a literatura em seu contexto amoroso.
E, claro, é impossível não registrar o completo amadurecimento
profissional de Kate Winslet, que, da mocinha de RAZÃO E SENSIBILIDADE e
TITANIC, virou uma mulher adulta e uma atriz das boas, tanto que pelo
filme ganhou merecidamente o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos
Atores como a melhor atriz coadjuvante de 2008 - e que por seu
desempenho concorre ao Oscar de Melhor Atriz, na sexta indicação de sua
carreira a um prêmio da Academia. Transitando por várias fases da vida
de sua Hanna Schmitz, dos 30 anos aos quase 70, Winslet supera até mesmo
um trabalho de maquiagem não muito bom (talvez o solitário deslize do
filme) e nos oferece um desempenho maduro e riquíssimo em detalhes - que
vão do sotaque aos trejeitos do corpo, fazendo-nos jurar que estamos
vendo uma mulher alemã. O LEITOR é um belo filme, mas não é exagero
afirmar que "A Ouvinte" se destaca ainda mais.
Carlos Dunham
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