Primeira Impressão
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Título Original: SCUSA MA TI CHIAMO AMORE
Gênero: RomAnce
Ano de Lançamento (Itália): 2008
Distribuição: California Filmes
Diretor: Federico Moccia
Roteiristas: Luca Infascelli, Chiara Barzini, Federico Moccia
Produtores: Rita Rusic, Vittorio Cecchi Gori
Edição: Patrizio Marone
Fotografia: Marcello Montarsi
Elenco:
Raoul Bova, Michela Quattrociocche, Luca Angeletti, Francesca Antonelli, Francesco Apolloni, Cecilia Dazzi, Francesca Ferrazzo, Veronica Logan, Cristiano Lucarelli, Edoardo Natoli

17 de março de 2009

LIÇÃO DE AMOR

Sem amor e sem simpatia

Comédias românticas são, por natureza, um gênero cinematográfico simultaneamente agradável e melindroso. Agradável porque falar do amor, sob uma ótica bem-humorada, quando se atinge um resultado feliz, é um prazer tanto para quem faz quanto para quem assiste. Melindroso porque não é tão fácil se atingir esse supramencionado resultado feliz: é preciso um especial cuidado para que o ato de se falar de amor com alegria não seja confundido com a prática de se tirar sarro, de debochar, do Maior dos Sentimentos. Não por acaso, quando uma comédia romântica é bem sucedida, fatalmente ela conquista, por mais simples que seja, um lugar no coração do espectador - vide exemplos que transitam pela História do Cinema, como NÚPCIAS DE ESCÂNDALO, QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL, CONFIDÊNCIAS À MEIA-NOITE e o vindouro SIMPLESMENTE FELIZ, cujos elogios estão chegando juntamente com o filme. Todos maravilhosos em sua simplicidade.

Infelizmente faltou ao italiano LIÇÃO DE AMOR, que estréia neste dia 20 de março em São Paulo, exatamente conhecer os princípios básicos da boa comédia romântica, e, de escorregada em escorregada, o filme derrapou feio em suas boas intenções. Que, verdade seja dita, talvez nem sejam tão boas assim.

O filme começa apresentando o cotidiano do solteiro Alex (Raoul Bova, de A JANELA DA FRENTE, uma beleza de homem). Desde esse início, fica clara que LIÇÃO DE AMOR é mais um filme a trazer uma visão estereotipada do adulto masculino - o indivíduo envolvido com mulheres em excesso, incapaz de manter sua própria casa arrumada, pensando apenas em farras e facilmente seduzido por qualquer mulher. Particularmente o último item se intensifica quando Alex conhece a adolescente Niki (Michela Qauttrociocche, estreando no cinema). Aos 17 anos, Niki conhece Alex por acaso, através de pequeno incidente, do qual ela inescrupulosamente se aproveita, entrando no carro dele e se recusando a sair - mais: obrigando Alex a ir aonde ela quiser e levá-la aonde ela quiser. É de se questionar porque Alex não a tirou para fora do carro, contudo é inegável que a cena é bastante sintomática da forçação de barra que caracteriza LIÇÃO DE AMOR.

Além do perfil estereotipado apresentado pelo filme não apenas em relação a Alex, mas também a Niki (nada menos que uma adolescente voluntariosa, mimada e birrenta), LIÇÃO DE AMOR sai prejudicado pela fotografia excessivamente pesadona, que sobrecarrega a narrativa e afasta o clima de leveza que deveria permear uma comédia romântica. Claro que, ao longo da narrativa, Alex e Niki acabam se apaixonando e lutando para viverem seu amor com 20 anos de diferença. Só que o filme ganharia bastante, e falaria muito mais ao coração do espectador, se buscasse contar tal história com personagens como um galã que não aceitasse passar por um capacho e uma heroína, ou candidata a, que demonstrasse gostar de seu amado, e não ficasse boa parte do filme chantageando-o emocionalmente. Com o enfoque que optou seguir, LIÇÃO DE AMOR se torna uma realização antipática, que não faz rir e nem enternece. Como, infelizmente, muitos outros filmes realizados com a pretensão de serem comédias românticas, mas que ignoram as sutilezas que caracterizam tão lindo gênero cinematográfico.

Carlos Dunham

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