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Título Original: Lost
Zweig
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 113 MIN.
Ano de Lançamento (Brasil): 2004
Distribuição:
Riofilme / Europa Filmes
Direção: Sylvio
Back
Roteiro:
Sylvio Back, Nicholas O'Neill, Alberto
Dines
Produção:
Sylvio Back
Música: Guilherme Vergueiro, Raul de
Souza
Fotografia: Antônio Luís Mendes
Direção de Arte:
Bárbara Quadros
Figurino:
Ticiana Passos
Edição: Francisco Sérgio Moreira
Elenco: Rüdiger Vogler, Ruth Rieser,
Renato Borghi, Ney Piacentini, Cláudia Neto, Daniel Dantas, Kiko Mascarenhas,
Kátia Bronstein, Denise Weinberg, Thelmo Fernandes |
1º de maio de 2007
LOST ZWEIG
Interessante, informativo e
gracioso
Em comparação com alguns de
seus últimos longas-metragens - como os medonhos Rádio Auriverde
e Cruz e Souza - O Poeta do Desterro, Lost Zweig
representa uma evolução na carreira do diretor catarinense Silvio Back:
a narrativa do filme (embora dê saltos desnecessários no tempo,
prejudicando a linearidade) não foge ao entendimento do público, o filme
não é grosseiro, nem rude nem vulgar e os cuidados da produção o
convertem em uma obra à qual se assiste com prazer. Pena que tenha
faltado a essa realização interessante e até mesmo importante um ritmo
cinematograficamente melhor, que a impedisse se soar tão artificial na
maior parte da projeção (por sinal, desnecessariamente longa). E, se
Back eliminou seus cacoetes na maioria esmagadora da metragem, em um ou
outro momentinho estes ainda aparecem - o que poderia até ser perdoado,
não fosse a excessiva teatralidade do filme.
Realizado em 2002 e só agora chegando ao circuito comercial, Lost
Zweig registra a passagem do escritor alemão Stefan Zweig pelo
Brasil, no início da década de 40 - Zweig, que era judeu, fugiu do
Holocausto e optou por viver no país que já conhecia anteriormente e que
ele mesmo diria que, se não era o Paraíso, seria algo muito próximo. O
escritor, contudo, foi manipulado e chantageado pela ditadura de Getúlio
Vargas (no filme, vivido por um sempre maravilhoso Renato Borghi), que
exigiu que Zweig escrevesse uma biografia sobre Santos Dumont para
atender a um pedido literalmente de vida e morte do escritor: a
concessão de vistos de entrada no Brasil para que amigos seus, judeus
alemães como ele, conseguissem escapar da barbárie nazista.
Interpretado pelo ator alemão Rüdiger Vogler, em fantástico desempenho,
Zweig surge como uma figura sofrida, mas ao mesmo tempo repleta de
alegria de viver. Curiosa a junção, no filme, do escritor com Orson
Welles (vivido por Thelmo Fernandes, em desempenho não muito bom e
bastante caricatural), que realmente estiveram no Brasil de forma
simultânea mas que não chegaram a se encontrar. E é graciosa e agradável
a direção de arte, que reconstrói nitidamente com poucos rescursos - mas
com muita felicidade - aquele Brasil bem tropical e exótico
(principalmente para o olhar estrangeiro) das músicas de Ary Barroso que
tanto fascinara Zweig - e muitos outros, como Welles e Walt Disney, que
na época filmou dois longas-metragens na América do Sul e criou o Zé
Carioca especialmente para Você já foi à Bahia?. Com todos os
méritos, a direção de arte foi um dos três prêmios conquistados pelo
filme no Festival de Brasília de 2003 - os outros dois foram para o
roteiro (um trabalho apenas mediano de Back e Nicholas O'Neill) e para a
atriz protagonista - a austríaca Ruth Rieser, excelente como Lotte, a
esposa de Zweig. Com uma série de virtudes e alguns poucos (porém
fatais) equívocos, Lost Zweig se converte em um dos melhores filmes
recentes de Silvio Back e em uma realização que merece que o espectador
arrisque e vá assisti-lo.
Carlos Dunham
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