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Título Original: HOW TO LOSE FRIENDS & ALIENATE PEOPLE
Gênero: Comédia
Pais/Ano: EUA / 2008
Diretor: Robert B. Weide
Produção: Elizabeth Karlsen
Roteiro: Peter Straughan
Fotografia: Oliver Stapleton
Trilha Sonora: David Arnold
Distribuição: California Filmes
Duração: 110 min.
Elenco: Kelan Pannell, Simon Pegg, Megan Fox, Gillian Anderson, Katherine
Parkinson, Jeff Bridges, Miquel Brown, Kirsten Dunst, Allen Lidkey |
23
de março de 2009
UM LOUCO
APAIXONADO
Vida pseudo-doce e sem sal
Sugere o bom senso que o princípio básico de uma comédia seja o de fazer
rir. Rir das amarguras da vida, ou dos erros que todos nós cometemos -
que não raramente soam engraçados quando são os outros (os personagens)
que cometem. Mas fazer rir. Assim, se uma comédia - ainda mais quando
for relativamente longa como esta aqui, de 110 minutos - não consegue
despertar risadas no espectador, pode-se presumir que alguma coisa está
errada com ela.
Bem, só que há um detalhe peculiar em relação a este UM LOUCO
APAIXONADO, que estreia neste 27 e março. O filme é uma comédia... que
consegue fazer rir. E em mais de uma cena, inclusive - não são raros os
momentos em que somos surpreendidos com risadas na platéia, ou até mesmo
as nossas - o filme busca incursionar pelo nonsense e não fracassa nessa
tentativa.
E por que, então, nos preocupamos em mencionar a importância de uma
comédia fazer rir? Porque, como dissemos, este é o princípio básico de
uma comédia - a primeira porta, para empregar um termo usado no filme,
quando o protagonista Sidney Young (Simon Pegg) é contratado por uma
importante revista de variedades e tem a oportunidade de, através de seu
trabalho, passar de porta em porta até chegar ao ponto máximo de sua
carreira; e, assim como Sidney Young durante a maior parte da metragem,
UM LOUCO APAIXONADO cumpre o primeiro princípio de uma comédia - mas
fracassa em sua busca de atingir os demais.
E o principal problema do filme (talvez o mais grave de todos) é o fato
de valorizar em demasia a ambição e o poder material das coisas. Seu
protagonista é um rapaz simples e honesto, mas que se torna quase
antipático por pensar exageradamente em ascensão social - e ele não está
sozinho nisso: sem exceção alguma, todos os personagens do filme têm
como parâmetro o prestígio conquistado para e naquele momento, a roupa
que veste (o fato de usar um robe listrado se torna referência de
qualidade pelo fato do mesmo ser criação de um estilista famoso!), os
números que fizeram o sucesso da última realização, a conta bancária de
cada um.
É verdade que os personagens conquistam sua ascensão através do
trabalho, mas o mesmo se dá em um nítido clima de competição, como se
cada um quisesse ser melhor que o outro - e, nos intervalos,
verificam-se não a busca pelo descanso e a reposição das energias, mas
sim badalações através de festas caríssimas em que gastam-se fortunas
com alimentos caros, mas onde, como diz o próprio Sidney Young, ninguém
come nada. E, pior ainda: não só não comem, como bebem, fumam e consomem
drogas ilícitas. Ou seja: um universo deplorável, esse no qual se
ambienta a ação do filme.
O mais constrangedor é que, desde que uma das protagonistas revela ser A
DOCE VIDA o seu filme favorito, UM LOUCO APAIXONADO escancara uma
pretensão assustadora: a petulância de buscar ser uma quase releitura da
admirável obra de Federico Fellini onde, também lá, incursionava-se pelo
universo das celebridades através da visão de um jornalista. Seria até
constrangedor comparar a realização de Fellini com essa comediazinha
aqui, mas é impossível não apontar para o fato de que um dos motivos de
A DOCE VIDA ser o grande filme que é o olhar que seu genial diretor
coloca sobre esse universo - um registro ao mesmo tempo apaixonado e
crítico, denunciando o cotidiano fétido dos bastidores da riqueza mas
assumindo sua total fraqueza em se deixar seduzir por este universo. Já
UM LOUCO APAIXONADO demonstra, a cada fotograma, achar natural a
obsessão que seus personagens cultivam por dinheiro, fama e poder
material. É uma comédia que até faz rir em alguns momentos. Mas que
também faz chorar pela glamorização que faz da futilidade e pelo
assumido valor que dá ao culto dos bens materiais.
Carlos Dunham
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