Primeira Impressão
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Gênero: DRAMA
Duração: 104 MIN.
Estreia (BRASIL): 2009
Distribuidora: PANDORA FILMES
Direção: Sérgio de Assis Brasil
Roteiro: Marcelo Esteves
Compositor: Gustavo de Assis Brasil
Fotografia: Fernando Vanelli, Melissandro Bittencourt
Produção: Álvaro de Carvalho Neto
Elenco:
Rafael Sieg, Paulo Saldanha, Manuela do Monte, Denise Copetti, Pedro Gil, Pedro Freire Junior, Mariza Rodrigues, Nara Maia

17 de agosto de 2009

MANHÃ TRANSFIGURADA

Melodrama pálido e mal interpretado

Em seu único filme como diretor, o cineasta Sérgio de Assis Brasil - que faleceu em dezembro de 2007, pouco tempo depois de completar o filme - quis nitidamente homenagear o melodrama latino-americano. A homenagem em si é bastante merecida: o estilo, frequentemente subestimado, é um dos gêneros audiovisuais de maior sucesso no continente, tanto no que diz respeito ao cinema quanto à televisão - vide o clássico "O Direito de Nascer", para mencionar apenas aquele que talvez seja a referência maior do estilo.

Pena que assistindo-se a MANHÃ TRANSFIGURADA, que estreia dia 21 de agosto,observa-se que, infelizmente, tenha valido a máxima segundo a qual da intenção à realização há uma diferença e tanto: apesar da justiça da homenagem, o filme é artificial, excessivamente empostado, com erros graves de roteiro e, talvez o pior de tudo: é extremamente mal interpretado por rigorosamente todo o elenco. Para um filme que concentra toda a sua carga emotiva nos dramas vividos pelos personagens, poder-se-ia perdoar tudo, menos que ninguém em seu elenco obtivesse um trabalho convincente.

No filme, Manuela do Monte, atriz do seriado MALHAÇÃO, é a protagonista Camila, que sofre a imposição de um casamento infeliz para que seu pai consiga resolver uma pendência financeira. Aprisionada pelo marido em sua própria casa, envolve-se afetivamente com o sacristão da igreja local, enquanto recebe as afeições de ninguém menos que sua própria dama de companhia.

Àqueles que não estejam acostumados com o melodrama, é importante acrescentar que Camila acaba por tentar se envolver, também, com ninguém menos que o padre da localidade, enquanto a revelação de um amor do passado, que tirou-lhe a virgindade, é exatamente o fator que levou o marido a encarcerá-la em seu domicílio. Mas é "apenas" isso o turbilhão amoroso por que passa Camila? Oras, que ninguém se assuste: foram exageros afetivos desse porte que fizeram a fama - e a glória - do melodrama e transformaram a palavra em sinônimo de excesso de emoções.

Ao trazer o gênero novamente ao cinema, Sergio de Assis Brasil reveste MANHÃ TRANSFIGURADA de uma missão importante - afinal, o melodrama sempre foi tão subestimado pelas "elites pensativas" da cultura nacional que uma obra de qualidade, com todo o domínio técnico e narrativo do cinema contemporâneo, é algo que mereceria toda a atenção. Pena que o filme seja tão canhestro, que seu roteiro desperdice situações tão ricas, como a situação financeira dos pais da moça, a opressão do marido e, principalmente, o interesse afetivo de Laurinda, a dama de companhia, por sua patroa Camila - plot que o roteiro ameaça desenvolver mas que acaba por ficar só na promessa, fazendo com o filme comece a perder em interesse. E se esvaziando por completo porque o elenco não consegue comover nem segurar a atenção do público.

E, para completar, a fotografia e a cenografia do filme desperdiçam cruelmente a beleza das paisagens gaúchas - itens que, se bem aproveitados, poderiam ter enriquecido e muito as qualidades do filme. Como está, porém, MANHÃ TRANSFIGURADA nada mais é que um dos muitos momentos do Cinema que sugerem muito e oferecem pouco. Bem pouco, mesmo.


Carlos Dunham
 

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