Primeira Impressão
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Título Original: MISS POTTER

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 92 MIN.

Ano de Lançamento (EUA / Inglaterra): 2006

Site Oficial: www.misspotter-themovie.com

Distribuição: The Weinstein Company / MGM

Diretor: Chris Noonan

Roteirista: Richard Maltby Jr.

Produtores: David Kirschner, Mike Medavoy, Arnold Messer, Corey Sienega, David Thwaites

Compositor: Nigel Westlake

Fotografia: Andrew Dunn, Chris Seager

Desenhista de Produção: Martin Childs

Figurinista: Anthony Powell

Editor: Robin Sales

Efeitos Especiais: Cinesite (Europe) Ltd.

Elenco: Renée Zellweger, Lucy Boynton, Ewan McGregor, Barbara Flynn, Matyelok Gibbs, Jane How, Anton Lesser, Lloyd Owen, Justin McDonald, Richard Mulholland, Bill Patterson, Emily Watson

26 de abril de 2007

MISS POTTER

Ao estilo dos grandes clássicos da fantasia

Há mais de uma década, um pequeno grande filme, BABE, O PORQUINHO ATRAPALHADO, cativou crianças e adultos com sua narrativa pura e simples, mesclando realidade, fantasia e encantamento com tamanha naturalidade (e convicção cinematográfica) que nos remeteu aos filmes produzidos pelo próprio Walt Disney, quando este ainda vivia. Contudo, ao contrário de outros nomes que surgiram da estréia de BABE para cá, o diretor do filme, o australiano Chris Noonan - apesar de haver sido indicado ao Oscar de melhor diretor pelo trabalho - não chegou a se tornar um nome muito badalado pela mídia.

Noonan (cuja experiência de cineasta, até então, era irrisória) ficou onze anos sem filmar, e voltou somente agora com MISS POTTER, que estréia no Brasil nesta sexta-feira, 27 de abril. A espera foi longa, mas o resultado deixou claro que o diretor australiano não é cineasta de um filme só - ao contrário, a qualidade do filme e sua (novamente) opção por misturar o real e o imaginário com inacreditável naturalidade comprovam o vigor do cineasta e sua condição de portador de um estilo único - e necessário - entre os diretores da atualidade.

MISS POTTER conta a estória da escritora e desenhista britânica Beatrix Potter, autora de várias obras infantis de sucesso, cujas gravuras ela também criou. Interpretada de forma maravilhosa pela sempre brilhante RENÉE ZELLWEGER (que, extremamente bem dirigida, compôs a personagem com uma radiante aura de infantilidade que ampliou em milhas a já elevada qualidade do filme), a Potter do filme é luminosa, confiante em seu destino, envolta em conflitos com seus pais e confidente e amiga de seus personagens. Sim, confidente e amiga de seus personagens, porque em MISS POTTER eles andam, cantam, se mexem... quase falam.

Lembrando MARY POPPINS e outros clássicos do cinema live-action disneyano por sua hábil mistura de animação e realidade para contar sua estória, MISS POTTER já seria uma belo filme se fosse "apenas" mais uma biografia de uma celebridade do mundo das artes pouco conhecida do grande público, como MELODIA IMORTAL, onde Tyrone Power interpreta o pianista Eddy Duchin, ou O GRANDE CARUSO, com Mario Lanza (Caruso realmente não é um nome tão conhecido do grande público). E a escolha de clássicos do gênero para exemplificar a afirmação, ao invés de um recente RAY da vida, é intencional, pois o motivo maior da beleza de MISS POTTER é exatamente esse dom especial do diretor Noonan em transcender o plano da realidade e levar seus filmes para um mundo de fantasia e encantamento. É essa condição que faz de MISS POTTER um filme muito mais delicioso do que, a princípio, poderia ser, e que converte a obra em algo que, em pleno século XXI, tem o vigor de uma realização recente mesclada com a delicadeza pictórica e a composição do cinema clássico. Um pequeno grande filme do cinema e uma obra maravilhosa, para ser vista, revista e amada, como BABE e MARY POPPINS sempre o foram.

Carlos Dunham

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