|

|
Título original: NIGHT
AT THE MUSEUM 2
Gênero:
COMÉDIA
Tempo de Duração: 105 MIN.
Ano de Lançamento
(EUA): 2009
Distribuição: Fox Filmes
Direção: SHAWN LEVY
Produção: SHAWN LEVY, CHRIS COLUMBUS, MICHAEL BARNATHAN
Roteiro: ROBERT BEN GARANT, THOMAS LENNON
Fotografia: John Schwartzman
Desenho de Produção: CLAUDE PARÉ
Montagem: DON ZIMMERMAN, Dean
Zimmerman
Efeitos Visuais: Dennis Briest,
Sireesha Gadiraju, Nicholas Hiegel, Joel Whist
Música: ALAN SILVESTRI
Elenco: BEN STILLER, Amy Adams,
Owen Wilson, Hank Azaria, Robin Williams, Christopher Guest, Alain Chabat,
Steve Coogan, Ricky Gervais, Bill Hader, Jon Bernthal, Patrick Gallagher,
Jake Cherry, Rami Malek, Mizuo Peck
|
19
de maio de 2009
UMA NOITE NO MUSEU 2
Divertido e simpático. Ou divertido e (ligeiramente) antipático?
Todos
aqueles que assistiram ao primeiro
UMA NOITE NO
MUSEU, de 2006, além de se divertirem bastante certamente ficaram
com a sensação que - ao contrário de muitas franquias cinematográficas
que se vêem por aí - a bem bolada trama do guarda que descobre que as
figuras do Museu de História Natural ganham vida durante a noite tem
potencial para muitas outras aventuras. Imaginem se, por exemplo, os
personagens saíssem do museu e começassem a circular por Nova York? Ou
se o Presidente Teddy Roosevelt decidisse liderar uma caminhada a
Washington para retomar a Casa Branca? Sâo situações que comprovam como
os personagens de UMA NOITE NO MUSEU permanecem, e bem, no imaginário do
público.
Infelizmente, o que se observa nesta primeira continuação do filme de
2006, UMA NOITE NO MUSEU 2, é uma total falta de criatividade, e até
mesmo de competência, por parte dos roteiristas Robert Ben Garant e
Thomas Lennon (os mesmos do primeiro filme) em aproveitar seus
personagens e dar a eles a empatia que, na verdade, principalmente os
personagens históricos já têm pela própria obra que construíram em vida.
Nesse sentido, a verdade é que UMA NOITE NO MUSEU 2 é quase um
desserviço a pessoas muito importantes à humanidade.
É particularmente constrangedor ver um pilar da aviação como Amelia
Earhart ser transformada em uma mulher antipática, que se julga
onipotente e é até mesmo agressiva - em determinada cena, Earhart dá
dois tapas no rosto de Larry Davey, vivido por Ben Stiller, que, não é
sequer necessário lembrar, é o protagonista e defensor do Bem (curioso
como, em cena posterior, Davey é igualmente esbofeteado por dois
macaquinhos e revida a agressão, mas aceita sem reagir o ato violento de
Earhart). Quase pior é observar que uma cena que tinha tudo para ser
antológica, como aquela em que se dá o retorno de Abraham Lincoln à
vida, é subitamente destruída porque a mesma Earhart tem o topete de dar
ordens naquele que foi, e é, um dos seres humanos mais importantes da
História da Terra. A cena ofende Lincoln mas, acima de tudo, Earhart
que, mesmo não sendo necessário, fazemos questão de repetir ser um dos
maiores nomes de toda a história da aviação e, talvez, até mesmo da
história dos meios de transporte.
Além desse lamentável destrato com nomes importantes da História
(acrescente-se ao dito acima o fato do filme ridicularizar o General
Custer - embora, sejamos justos, meritoriamente o dignifique no final),
há um erro na forma como o diretor Shawn Levy (também o mesmo do
primeiro filme) conduz a narrativa, tornando-a desnecessariamente
tristonha principalmente em seus primeiros vinte minutos. Tal gesto
nitidamente não é uma opção do cineasta, mas um erro em seu trabalho, o
que já no início da metragem evidencia ao público, de forma flagrante,
que UMA NOITE NO MUSEU 2 é um filme com problemas de realização.
De qualquer forma, seria injusto apontar apenas as coisas ruins: à
medida que o filme se desenvolve o ritmo se acelera - e, portanto, se
acerta, os efeitos especiais são de primeira linha e a maior parte do
elenco está afiadíssima (raras exceções são o próprio Ben Stiller, que
vem decaindo muito, e o francês Alain Chabat, fraquíssimo como Napoleão
- papel que já derrubou vários atores, Marlon Brando entre eles). No
cômputo final, UMA NOITE NO MUSEU 2 é um filme cuja maior façanha não
foi a cometida por nenhum de seus personagens, mas sim o ato de superar
seus vários defeitos e tornar-se uma aventura bastante agradável de se
ver.
Carlos Dunham
|