Título Original:
ONCE
Gênero: DRAMA
Tempo de Duração: 85 MIN.
Ano de Lançamento (Irlanda): 2006
Direção e Roteiro: JOHN CARNEY
Produção: MARTINA NILAND
Produção Executiva: DAVID COLLINS
Direção de Fotografia: TIM FLEMING
Design de Produção: TAMARA CONBOY
Figurino: TIZIANA CORVISIERI
Música: Glen Hansard
Edição: PAUL MULLEN
Elenco:
GLEN HAnsard, MARKETA IGLOVA
17 de
abril de 2008
APENAS UMA VEZ
Música de Qualidade
Ganhador do Oscar de
melhor canção original em 2008, Apenas
uma Vez (Once, 2006) conta a
história de um músico que, além de trabalhar na loja de seu pai consertando
aspiradores de pó, tenta vender às pessoas que passam pelas ruas de Dublin
um pouco de qualidade musical. Tocando
covers, ele consegue algumas
moedas e faz realmente o que gosta - tocar e cantar. Com o cair da noite,
quando as ruas estão praticamente desertas, esse músico começa a tocar suas
composições. É como um momento exclusivamente seu, até que, certo dia, é
abordado por uma pianista tcheca que lhe dá 10 centavos e elogia sua música.
Desse encontro
inusitado surge uma amizade amorosa e uma química musical, que só tende a
crescer e que poderá render ao tal músico uma carreira promissora. O
clima amoroso entre os dois cresce assim como o filme, que a cada segundo é
pontuado com belas canções. A dupla decide então encontrar músicos
disponíveis para ir a um estúdio, gravar as composições do músico anônimo e
ver qual seria o resultado de um exaustivo trabalho de um final de semana
inteiro.
Eu,
particularmente, gostei muito do filme, que estréia neste dia 18/04/2008.
Contudo devo ressaltar que sou músico, e para mim o simples fato der ver um
filme recheado de belas canções, com estúdio de gravação, equipamentos
musicais, etc., já me enche os olhos e os ouvidos. Talvez o público em geral
não ache o filme tão bonito quanto eu achei, mas, qualquer um, com um pouco
de sensibilidade, tende a sair do cinema satisfeito com essa história que
mostra a luta de pessoas na vida, e o amor do ser humano para com o outro.
As
conversações sobre este projeto começaram em 2005 em um concerto do
Frames, em Dublin. Por ser um
cineasta com formação em música, eu sempre quis fazer um filme que, embora
não fosse um “musical” tradicional (no sentido usado anos 40), ainda
utilizasse uma série de canções para contar uma história de amor muito
moderna e muito simples.
Eu
considerei – mas logo depois desisti – uma série de abordagens que avaliei
como muito ambiciosas. Eu queria achar um cenário e um fio de história
simples que pudessem usar canções de uma maneira que os espectadores
modernos aceitassem. Finalmente, decidi pela idéia sobre a vida um artista
de rua de Dublin; alguém que, sem ter nada, não tem nada a perder.
Desenvolvi uma história de amor simples, essencialmente um diálogo. Então,
pedi ao Glen Hansard (líder e vocalista da banda
The Frames) para escrever
algumas canções – que evoluíram aleatoriamente com a história emergente.
Durante os próximos meses, Glen e eu trocamos idéias – um fio de história
aqui, uma canção ali. Ao alimentar o trabalho um do outro, finalmente
produzimos dez canções originais e um roteiro de 60 páginas. Minha intenção
era fazer um filme original, quase como um álbum visual, mas com uma
história de amor realista e moderna em seu íntimo.
Estamos
em um mundo onde uma canção de três minutos vale dez páginas de diálogo;
onde os personagens comunicam-se mais por meio da arte da música do que por
intermédio de conversas ou envolvimentos em roteiros ou situações dramáticas
tradicionais. Claro que não quero dizer que não há uma estrutura de três
atos na história; é apenas um pouco mais torcido do que no filme comum – e
as canções por si só são a chave para descobri-la.