Primeira Impressão
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Título Original: SEX DRIVE

Gênero: COMÉDIA

Tempo de Duração: 109 MIN.

Ano de Lançamento (EUA): 2008

Distribuição: PARIS FILMES

Diretor: Sean Anders

Roteiristas: Sean Anders, John Morris, Andy Behrens

Produtores: Bob Levy, Leslie Morgenstein, John Morris, Michael Nelson

Compositor: Stephen Trask

Fotografia: Tim Orr

Montagem: George Folsey Jr.

Elenco: Josh Zuckerman, Amanda Crew, Clark Duke, James Marsden, Seth Green, Alice Greczyn, Katrina Bowden, Charlie McDermott, Mark L. Young, Cole Petersen, Dave Sheridan, Michael Cudlitz (2), Allison Weissman, Andrea Anders, Kim Ostrenko

26 de janeiro de 2009

SEX DRIVE - RUMO AO SEXO

Uma comédia para adolescentes. E ex-adolescentes.

Nos anos 1980, comédias para adolescentes foram um filão riquíssimo do cinema - liderado pelas produzidas por John Hughes, o gênero fez sucesso com a garotada mas foi muito subestimado na época. Já na década seguinte, porém, passava-se a observar no mesmo um registro bastante interessante do comportamento dos que eram adolescentes naquela década - sendo que o autor desse texto era um deles. Paradoxalmente, enquanto eram pioneiros em considerar as comédias adolescentes dos "eighties" algo digno de valor, os anos 90 quase não investiram no filão, preferindo concentrar-se nas comédias protagonizadas por jovens adultos prestem a chegar à casa dos 30 anos - a "Geração X".
 
No início desse novo século, porém, ainda que de forma tímida, o estilo está voltando - ressurgido através da série AMERICAN PIE e representado por filmes como o recente COLEGIAIS EM APUROS e este simpaticíssimo SEX DRIVE - RUMO AO SEXO - que, somando-se a produção da década de 80 e a atual, merece sem favor ser considerado um dos mais representativos do estilo, uma realização divertidíssima e bastante simbólica da "análise comportamental" que, na década passada, levou a comédia para adolescentes a ser vista como algo mais que um mero entretenimento para uma faixa etária específica.
 
Involuntariamente ou não SEX DRIVE - RUMO AO SEXO, que estréia no próximo dia 6 de fevereiro, tem todas as características que permitem que se analise as comédias para menores como algo maior (com o perdão do trocadilho): seu protagonista é um jovem introspectivo e tímido, que não consegue se relacionar com o mundo, mas que sonha em iniciar de forma brilhante a ainda nula vida sexual; ao seu redor, adolescentes de sexo masculino tão cruéis quanto pretensamente varões dedicam-se a nada mais que aborrecê-lo - no filme, inclusive, um desses adolescentes (na verdade, um rapaz mais velho) é ninguém menos que o irmão do personagem. Ian, tal rapaz, tem uma paixão secreta por uma jovem lindíssima - e a única variação em relação aos amores platônicos dos "eighties" é o fato de ele haver conhecido essa moça pela Internet; distanciamento físico, porém, que acaba por reforçar mais ainda a dificuldade de relacionamentos do rapaz. E há, claro, o carro, objeto de fascinação que representa o desejo de ir aonde quiser, e com quem quiser. No filme, tal fascinação é sutilmente explicitada, por mais que a expressão pareça contraditória - mas quem for assistir a SEX DRIVE irá entender o que estou querendo dizer.
 
Logo no início do filme, o sofrido Ian pega o carro do irmão (sim, dele, e sem autorização do, literalmente, mano) e vai para o outro lado do país, ao encontro da mulher amada. Mais que ir para o outro lado do país, porém, pode-se dizer que Ian vai para a liberdade, para uma vida sem compromissos, para a autoafirmação, para a sua Passárgada particular. E, apesar de introspectivo, Ian não vai sozinho - seus dois únicos amigos, Lance e Felicia, o acompanham na jornada, construída de forma quase brancaleônica pelo talentoso diretor Sean Anders. Na viagem, Ian encontra de tudo - de uma comunidade Amish até uma árvore aonde se joga sapatos, de novas encrencas à mais completa felicidade. No final do filme, o adolescente se encontra consigo mesmo - e quer catarse maior para quem, na platéia dos cinemas, está nessa fase da vida do que ver alguém da mesma idade encontrar-se consigo mesmo?
 
É importante deixar claro que, apesar de seus inegáveis valores, SEX DRIVE não chega a ser um grande filme. Parece que os realizadores das comédias para adolescentes são exatamente as pessoas que ainda não viram que o filão tem capacidade e grandeza para vôos maiores e filmes ainda melhores. Mas é uma realização leve, bastante divertida e repleta de observações sobre como é ser adolescente (ou, traduzindo, como é conduzir o rito de passagem para a vida adulta) do tipo que, há 10, 15 anos, converteu os filmes do estilo de mero entretenimento frívolo em registros de uma época - e de uma geração. Para os adolescentes de hoje e para os quase quarentões que eram adolescentes nos anos 80, é um filme que vale a pena ser visto e revisto - talvez junto, por pais e filhos unidos por um estilo de cinema que ainda irá explodir de forma inacreditável nas telas. Na geração de 2020, talvez.

Carlos Dunham

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