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Título original: SHOW DE BOLA
Gênero: DRAMA
Duração: 101 MIN.
Estréia - Brasil: 15/08/2008
Distribuidora: IMAGEM Filmes
Direção: Alexander Pickl
Roteiro: Nick Weisman e Renê
Belmonte
Produção: Stephan Barth, Philip
Schulz-Deyle e Dan Maag
Fotografia: Arie Van Dam
Edição: Jens Klüber
Elenco: José Mojica Marins, Milhem
Cortaz, Jece Valadão, Giulio Lopes, Luís Melo, Débora Muniz, Rui Resende,
José Celso Martinez Corrêa |
13 de agosto de 2008
SHOW DE
BOLA
Bola murcha
Desde que o super-varlorizado CIDADE DE DEUS chocou e
(inacreditavelmente) agradou às platéias do mundo e chegou a ser
indicado a quatro Oscars, virou tique no cinema brasileiro realizar
filmes violentíssimos, no qual a maldade do mundo real é filmada sem
firulas, de forma crua, através de uma fotografia bonita e de uma
montagem bem trabalhada. Tal opção nada mais seria do que uma forma de
inserir um suposto "estilo" a tais filmes, sob uma risível suposição de
que belas imagens e ritmo ágil (lembrando até mesmo videoclipes de
rock n´roll) dariam beleza a situações absurdamente violentas e
camuflariam as cenas horripilantes que tais filmes apresentam. Tais
filmes pretendem ser "realistas", mas acabam sendo
anti-cinematográficos, pois não conseguem nem mesmo trabalhar o aspecto
lúdico e poético que só o Cinema, o bom Cinema, pode oferecer.
Co-produção entre o Brasil e a Alemanha, SHOW DE BOLA, que estréia neste
dia 15 de agosto, é a mais nova cria do estilo. E consegue ser tão ruim
quanto as suas antecessoras - é triste, muito triste observar que essa
sub-divisão do estilo "cinema de violência" acomodou-se tanto com o
sucesso oferecido por CIDADE DE DEUS que não se preocupa em acrescentar
mais nada de novo - exceto, talvez, o fato de que a qualidade técnica
decaiu, e muito: a montagem do filme está longe de ter a mesma qualidade
de seus congêneres.
Em SHOW DE BOLA, como em várias outras crias do estilo, todos os
personagens parecem inseridos em um mar de violência e corrupção do qual
não há como escapar. E, afinal, parece realmente ser essa, e nada mais,
a mensagem de SHOW DE BOLA e todos as demais realizações do sub-gênero:
seus personagens, pessoas simples, humildes e vivendo na periferia das
grandes cidades brasileiras, estão na verdade envoltos em um mar de
corrupção, tráfico de drogas, violência e maldade e, ao se tentar
recorrer à Justiça para fazer prevalecer a Lei, esta também se mostra
corrupta - e os que tentam lutar contra a corrupção não têm outro
destino que não o de serem assassinados de forma brutal. É de se indagar
o porquê de se apregoar tal mensagem, uma vez que a Justiça existe, sim,
a dos homens e principalmente a de Deus, e o Cinema deveria ter a
preocupação essencial de ser construtivo e de transmitir belas mensagens
ao mundo - nunca a de pregar a vitória inexorável do Mal.
Nos anos 1980, os filmes que pregavam a violência e a maldade podiam
fazer sucesso de bilheteria, mas eram execrados por todos aqueles que
tinham o coração sensível e uma visão de mundo mais humana. Atualmente,
filmes que pregam a violência são aplaudidos e incensados até por
aqueles que, se não têm uma visão de mundo humana (e muito menos o
coração sensível), ao menos deveriam tê-la mais ampla. Parece que basta
colocar imagens bonitas para vender bem a suposta idéia de que o Mal
pode vencer. Felizmente, não é assim que as coisas acontecem.
Carlos Dunham
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