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Título Original:
La Tigre e la Neve
Gênero: DramA
Tempo de Duração: 114
minutos
Ano de Lançamento (Itália): 2005
Distribuição: Focus Features
Direção: Roberto Benigni
Roteiro: Vincenzo Cerami
e Roberto Benigni
Produção: Nicoletta
Braschi
Música: Nicola Piovani
Fotografia: Fabio
Cianchetti
Desenho de Produção:
Maurizio Sabatini
Direção de Arte: Luis
Gerardo Pascual
Figurino: Louise
Stjernsward
Edição: Massimo Fiocchi
Elenco: Roberto Benigni,
Jean Reno, Nicoletta Braschi, Emilia Fox, Giuseppe Battiston, Lucia
Poli, Chiara Pirri, Anna Pirri, Andrea Renzi, Abdelhafid Metalsi, Amid
Farid, Tom Waits |
24 de maio de 2007
O TIGRE
E A NEVE
Benigni teima em achar que a guerra é bela...
Roberto Benigni era um
cineasta médio do cinema italiano, responsável por obras até interessantes,
como O Pequeno Diabo,
Johnny Stecchino e a melhor de
todas, O Monstro, até que, em
1998, com A Vida é Bela,
adquiriu repentinamente status
de gênio e de grande nome do cinema italiano. Um prestígio, diga-se de
passagem, exageradíssimo: uma análise mais atenta e desprovida de paixões
certamente revelará uma série de equívocos no filme que consagrou Benigni. A
mais importante (e séria) de todas: a postura antiética do personagem
principal, um pai que, capturado pelos nazistas durante a Guerra e levado com
seu filho para um campo de concentração, esconde da criança a situação que
eles (e o mundo) estavam atravessando e passa todo o tempo definindo a Segunda
Guerra Mundial como uma brincadeira, um jogo, ou uma farsa.
Por melhor que tenham sido
as intenções do Guido Orefice vivido por Benigni, a verdade é que o que ele e
o filme defendiam era a exaltação da hipocrisia dentro de uma justificativa
moral contestável, e que incomodava o espectador a cada momento em que a
guerra era definida, para o filho, como uma gincanazinha ou algo assim. Uma
certa construção visual excessivamente adocicada acabava por incomodar ainda
mais, pela total falta de sincronia com a temática do filme ou, ao menos, com
a realidade que - conscientes ou não - os personagens viviam.
Depois do fracasso de seu
último filme, Pinocchio, de 2002
- que, aqui no Brasil, seria lançado nos cinemas mas acabou não o sendo, indo
direto para o mercado de DVD - Benigni decidiu voltar ao tema proposto em
A Vida é Bela, e realizou com este
O Tigre e a Neve, que estréia
neste dia 25 de maio, um filme bastante similar a seu maior sucesso. Inclusive
nos equívocos.
Assim como fizera em
A Vida é Bela, também em
O Tigre e a Neve Benigni glamouriza
excessivamente a guerra, questionavelmente usando-a para estimular a graça.
Dessa vez ele interpreta Attilio de Giovanni, mais um dos personagens
atrapalhados e sem-graça que o ator adora interpretar. Attilio é um apaixonado
por Vittoria (a fraquíssima atriz Nicoletta Braschi, esposa do cineasta), que
viaja para o Iraque dias antes da eclosão da guerra. O apaixonado Attilio,
preocupado com sua amada, decide então viajar para o mesmo país, atrás dela.
Contando-se assim, tem-se até a impressão de que
O Tigre e a Neve poderia ser um
filme cativante, romântico. Não, não é. A má direção e o péssimo trabalho do
ator (e da atriz) acabam por estragar tudo. Mesmo porque, mais uma vez, a
guerra é enfocada por Benigni de forma excessivamente leviana e
hiper-glamourizada.
É importante acrescentar
que, ao contrário do que provavelmente deve acreditar, Benigni não é
carismático nem tem talento artístico suficiente para cativar o espectador.
Somando-se essa sua inabilidade a uma temática altamente questionável do ponto
de vista moral, o que se pode dizer é que O Tigre e a Neve é um filme cujo
único mérito seria, espera-se, o de finalmente desmascarar perante os
espectadores a visão de guerra e a falta de talento de Roberto Benigni.
Carlos Dunham
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