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Ano de Lançamento (Brasil): 2009
Distribuidora: PARAMOUNT
Duração: 60 MIN.
Gênero: DOCUMENTÁRIO
Diretor: Grostein Andrade
Produtores: Raul Dória, Paula
Lavigne
Roteiristas: Raul Dória,
Paula Lavigne
Fotografia: Fernando Grostein
Andrade
Compositor: Guilherme Wisnik
Elenco: CAETANO VELOSO, Pedro
Almodóvar, Michelangelo Antonioni, David Byrne g |
22 de
julho de 2009
CORAÇÃO VAGABUNDO
Coração vaga mundo
Cantor, compositor, cineasta, ator, cronista, livre pensador, formador
de opinião. Desde que atingiu a grande mídia, no final dos anos 60, Caetano
Veloso sempre foi tudo, amado e odiado inclusive, menos uma pessoa parada.
Curiosamente, o belo filme de Fernando Grostein Andrade, CORAÇÃO VAGABUNDO, que
estréia sexta, dia 24 de julho, registra um momento de madura tranquilidade na
carreira desse completo agitador - em leves aspectos no mau sentido mas, ampla e
ferozmente, no bom. Tranquilidade essa que não pode jamais ser traduzida como
ociosidade - o filme revela que Caetano está a mil, trabalhando e produzindo
muito, graças a Deus. Mas o fazendo com a serenidade que os anos trazem e que,
estando prestes a completar 67 primaveras, o genial baiano, agora, muito mais
colhe que semeia.
CORAÇÃO VAGABUNDO, na verdade, é menos um documentário que um belíssimo tributo
a Caetano Veloso. Em seu segundo filme (ele dirigiu o curta DE MORANGO, e, com
seus 60 e poucos minutos, CORAÇÃO VAGABUNDO periga de sequer poder ser definido
como longa-metragem), Andrade acompanha momentos de Caetano em shows,
mas, acima de tudo, em situações de reverência e reconhecimento - como aqueles
em que registra os elogios dos amigos Pedro Almodóvar e Michelangelo Antonioni
(este, já desencarnado, talvez pela última vez próximo a uma câmera) e a
(suposta) azaração pela modelo Gisele Bündchen, que causou ciúmes em Paula
Lavigne - uma das produtoras do filme e que, na época de boa parte das
filmagens, ainda era a esposa de Caetano. CORAÇÃO VAGABUNDO, apesar de ter sido
finalizado em 2008 e estar sendo lançado agora, acompanhou seu
biografado/homenageado durante vários anos.
E é comovente acompanhar a maturidade de Caetano, como no momento em que ele faz
um surpreendente (e merecidíssimo) reconhecimento à magistralidade da música
popular americana, definindo-a como a melhor do mundo - depoimento que causou
revolta em alguns fanáticos, como Hermeto Paschoal, o que Caetano refuta com
inteligência e, principalmente, serenidade. Para alguém que já declarou não
suportar Woody Allen pelo simples fato de, em sua visão, os filmes do cineasta
serem "mentira nova-iorquina feita para humilhar os subdesenvolvidos", CORAÇÃO
VAGABUNDO comprova que os anos a mais fizeram de Caetano um homem que não
envelheceu, mas sim evoluiu - e muito.
Carlos Dunham
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