FLYBOYS (Flyboys, EUA, França, 2006)
Gênero: Aventura
Duração: 139 min.
Elenco: James Franco,  Scott Hazell, Mac McDonald, Philip Winchester, Todd Boyce, Michael Jibson, Karen Ford, Ruth Bradley, Abdul Salis, Tim Pigott-Smith, Tyler Labine, Jean Reno
Compositor: Trevor Rabin
Roteiristas: Phil Sears, David S. Ward, Blake T. Evans
Diretor: Tony Bill

Voando baixo

Épico sobre a Primeira Guerra Mundial empolga nas cenas aéreas, mas perde força por ser excessivamente leve e ter personagens estereotipados

Meu interesse por FLYBOYS (2006) se deve mais ao tema. Não conheço nenhum outro filme que mostre a admissão, o treinamento e a guerra nos céus de pilotos aéreos durante a Primeira Guerra Mundial. Desde que assisti O AVIADOR, de Martin Scorsese, fiquei fascinado com a coragem dos pilotos do início do século XX. O avião mal havia sido inventado e lá estavam aqueles homens fazendo malabarismos no céu ou mesmo usando o meio de transporte como máquina de guerra. O cenário das trincheiras da Primeira Grande Guerra também me interessa, graças ao filme GLÓRIA FEITA DE SANGUE, de Stanley Kubrick. Aqueles homens que lutavam nas trincheiras só com muita sorte conseguiam escapar vivos daquele combate. Da mesma maneira, os pilotos franceses e americanos que lutavam contra os alemães também tinham uma expectativa de vida de três a seis semanas.

O material principal da trama é muito bom. Pena que Tony Bill não é um diretor talentoso o suficiente para transformar isso num grande filme. FLYBOYS só rende nos momentos de guerra nos céus, ainda que muitas cenas pareçam videogame por causa do CGI. Ainda assim, uma cena como a da explosão do Zeppelin não é sempre que se pode ver no cinema. Se o filme não fosse tão leve, tão família, tão certinho, poderia render mais emoção. O estilo excessivamente clássico e épico compromete o resultado final. Além do mais, o tratamento dado aos personagens é raso e estereotipado, e os acontecimentos resultam previsíveis.

O filme mostra um grupo de americanos que chegam na França de 1916 para aprender a pilotar aviões e a usá-los como uma armas. O detalhe é que eles chegam na França para lutar antes mesmo de os Estados Unidos aderirem à guerra. O protagonista é Blaine Rawlings (James Franco), um caubói que vai para a França por ter perdido tudo em seu país. Entre os outros pilotos, temos um rapaz negro cujo pai foi escravo e que quer conseguir um pouco de respeito da sociedade, um jovem filho de pai rico que foi forçado pelo próprio pai a ingressar na luta e um rapaz que cometeu um crime nos Estados Unidos e fugiu para a França para escapar, entre outros. O líder do pelotão é interpretado por Jean Reno.

Vendo o filme, fica difícil não lembrar de O PARAÍSO INFERNAL, obra-prima de Howard Hawks que mostra a coragem de homens que lidam com um trabalho muito perigoso e que, por isso, precisam viver cada momento de suas vidas como se fosse o último. Claro que comparar os dois filmes é até covardia, mas não perco a oportunidade de elogiar um filme de Howard Hawks sempre que posso.

FLYBOYS foi baseado em fatos reais. Existiu mesmo essa Esquadrilha Lafayette e no final do filme, antes dos créditos finais, vemos o destino dos personagens sobreviventes após o fim da guerra. O diretor Tony Bill é pouco conhecido e tem um currículo de diretor mais ligado a produções para a televisão. FLYBOYS seria o seu filme mais famoso, então.

Cotação:
Ailton Monteiro
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