 |
O CLÃ DAS ADAGAS
VOADORAS (Shi Mian Mai Fu, China, 2004)
Gênero: Aventura
Duração: 111 min.
Elenco: Takeshi Kaneshiro, Andy Lau, Zhang Ziyi, Dandan Song
Compositor: Shigeru Umebayashi
Roteiristas: Li Feng , Wang Bin, Zhang Yimou
Diretor: Zhang Yimou
|
Receita melhorada
A mais recente aventura de artes
marciais do diretor
Zhang Yimou possui tudo o que faltou em
Herói, seu filme anterior
Depois de eu ter
esfriado um pouco com a revisão de
HERÓI (2002) no cinema, fui ver O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS (2004) com um pé
atrás, e me surpreendi com a sua qualidade espetacular. Tudo o que faltava
naquele wuxia pian - emoção, suor, sangue, lutas empolgantes, história
boa, diversão - está agora nesse novo filme de Zhang Yimou. E para mim foi
melhor ainda ver o filme na telona gigante de uma sala da UCI. Eu me senti como
se estivesse em plena ação.
A trama é um pouco complicada e cheia de reviravoltas, mas isso é parte da graça
do filme. A impressão que se tem é que Yimou queria mesmo divertir. Por isso, o
filme foge daquela seriedade chata de HERÓI. No começo da trama, que se passa na
China medieval, dois guardas do exército chinês têm a missão de investigar o
envolvimento de uma cortesã cega que acaba de chegar à cidade. Ela seria membro
do Clã das Adagas Voadoras, uma organização rebelde que quer depor o tirânico
imperador.
Os dois rapazes são: o taiwanês Takeshi Kaneshiro, de ANJOS CAÍDOS, de Wong
Kar-Wai; e o chinês natural de Hong Kong Andy Lau, de INFERNAL AFFAIRS, o
thriller policial que vai ser refilmado por Martin Scorsese. A moça é a bela
chinesa Zhang Ziyi, que dispensa apresentações. O filme deve muito de sua beleza
a esta menina, hoje considerada a maior estrela do cinema asiático. Em O CLÃ DAS
ADAGAS VOADORAS, além de interpretar muito bem, ela ainda dança e luta como o
diabo.
Muitos críticos destacam a seqüência da "dança do eco" como um dos grandes
momentos do filme, mas para mim ele fica realmente empolgante a partir do
momento em que o personagem de Takeshi Kaneshiro foge com Zhang Ziyi,
atravessando a floresta, e depois ambos sendo perseguidos pelos soldados do
exército. Foi numa dessas emocionantes seqüências de luta que Quentin Tarantino,
assistindo ao filme numa première em Cannes, se levantou no meio da sessão e
aplaudiu gritando "Bravo". Há quem diga que isso é falta de educação, que
atrapalha o filme e tal, mas tendo em vista a excelência da cena, isso é
totalmente desculpável. Tem certas coisas que a gente não consegue evitar.
Outra seqüência de cair o queixo é a da luta no bambuzal. Quem já viu O TIGRE E
O DRAGÃO pode até achar que é repeteco. Que nada. Yimou faz algo completamente
diferente, usando com muita classe dos artifícios do CGI. Pelo que li, tanto
essa cena quanto a do filme de Ang Lee foram inspiradas no clássico A TOUCH OF
ZEN (1969), de King Hu.
Por alguns momentos, enquanto via o filme, imaginei que estaríamos vivendo um
revival dos filmes de artes marciais, como nos bons tempos de King Hu e
Chang Che, só que agora com orçamentos bem mais gordos. Pena que Yimou voltará
para o drama em seu próximo filme. Imagine se ele continuasse nessa trajetória
ascendente nos filmes de artes marciais... onde é que ele iria chegar?
|