FRIDA (Frida, EUA, 2002)
Gênero: Drama
Duração: 118 min.
Elenco: Salma Hayek, Alfred Molina, Geoffrey Rush, Ashley Judd, Antonio Banderas, Edward Norton, Valeria Golino, Mía Maestro
Compositor: Elliot Goldenthal
Roteirista: Hayden HerreraClancy Sigal
Diretor: Julie Taymor

Retrato despudorado de uma mulher 

Cinebiografia de Frida Kahlo é o antídoto contra filmes pretensiosos e modorrentos como AS HORAS

FRIDA, da diretora Julie Taymor (do brilhante mas irregular TITUS), é um excelente retrato da vida e da obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Despudorado, politicamente incorreto, extremamente colorido e quente, mostra sem concessões a trajetória dessa mulher despojada e forte em sua luta constante para superar todo tipo de obstáculos, de um acidente que a deixou praticamente aleijada às constantes traições do marido. 

Produzido com baixo orçamento mas com muito talento e criatividade, o filme é uma conquista da atriz mexicana Salma Hayeck, cuja luta e garra para realizá-lo estão impressos em praticamente cada fotograma, espelhando inclusive a vida da protagonista. Hayeck demonstra também surpreendente talento na pele de Frida, colocando em evidência o caráter turbulento da pintora (impresso em sua obra controversa), mas sem deixar de lado seu lado mais humano e fragilizado. Nada mal para quem começou a carreira enroscando-se seminua em uma cobra gigante no "trash" UM DRINK NO INFERNO, de Tarantino e Rodriguez! 

Merece destaque também a atuação de Alfred Molina, como o artista Diego Rivera, marido de Frida e comunista, a trilha musical premiada com o Oscar de Elliot Goldenthal (ALIEN³, FINAL FANTASY), usando e abusando de temas "calientes" e menos atonal do que de costume, bem como as animações que fundem as pinturas de Frida com os atores, em diversas situações importantes na vida da artista. 

FRIDA acaba sendo uma espécie de "antídoto" contra filmes pretensiosos e depressivos como AS HORAS, no qual pessoas regredidas e mal resolvidas sexualmente destilam suas frustrações e recalques em discursos superficiais e modorrentos. Já a pintora mexicana, tal qual é retratada no filme em questão, é exatamente o oposto disso: firme, decidida e madura, Frida busca a superação de suas limitações em todos os momentos de sua realmente sofrida existência, assumindo as responsabilidades e as conseqüências de seus atos. Não é à toa, portanto, que conquistou corações e mentes de tantos homens e mulheres (era bissexual assumida), mesmo sendo relativamente feia e possuindo bigode e sobrancelhas cerradas. 

Infelizmente o filme não fez o sucesso merecido, talvez por ter sido lançado modestamente ou por causa da resistência natural que a maioria das pessoas tem contra personagens fortes, bem resolvidos e despudorados como a pintora mexicana. O que é uma pena. Mas o tempo acabará fazendo justiça a esse excelente trabalho, que merece ser descoberto.


Cotação:
****

André Lux
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